quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Textos auto-biográficos (III)

28 de Janeiro de 2010 16:59

A minha memória é pouco nítida, não há muito que contar ao contrário do que as pessoas podem pensar, visto que sou estrangeiro.

Nasci na Russia na cidade Ijevsk. Acho que as primeiras imagens foram de mim à andar numa canoa familiar com os meus pais e outros amigos deles nos rios daquela região, que nascem dos montes Urais. Aproximadamente naquela idade (4 ou 5 anos) lembro-me de ter um gato espertíssimo, que brincava e até dormia comigo.
Lembro os anos em que andei no jardim de infância a aprender a ler e escrever lá,  as a pessoa que me ensinou essas coisas foi, na verdade a minha irmã.
A escola lembro ainda melhor, aqueles corredores gigantes para mim naquela altura, e a iniciação à matematica e russo (entre outras disciplinas).

Lembro-me  de o pai  me comprar algum doce ou gelado ao levar me para a casa entre suas viagens à Europa. Portanto, na Russia vivi com a minha mãe e irmã.

Penso que naquela altura o meu pai foi para Portugal, e  não conseguiu habituar-se à Russia novamente (já que tinha vindo de Israel, e muito na hora, porque meio ano mais tarde tinha começado a guerra alí).

Entre o Infantário e a escola a mãe comprou um gato muito original que apareceu da cruzagem da espécie Persa com angorá. Foi um gato grande e todo branco, selvagem (até os cães tinham medo dele), mas respeitava a família.
Aproximadamente no final do 2º ano escolar fomos para Portugal. Primeiro para Santarém, mais tarde para Torres Vedras. Naquele tempo a vida para mim não mudou muito, como se diz em russo “o jarro é vazio”, portanto foi fácil de habituar, mas os meus pais achavam que a vida era muito diferente. Só começei a perceber mais tarde e a notar os aspectos positivos e negativos.

Entretanto a quantidade de acontecimentos tem aumentado com o passar o tempo. Parece que apenas nos últimos anos houve mais eventos/acontecimentos que no resto da vida.

Alexander R 10A nº1







Crédito das imagens:
worldpictures.wordpress.com
citycatalogue.fr
Arquivo da profª/ESHN
belohorizonte.olx.com.br

Textos autobiográficos (II)

As importância das minhas irmãs na minha infância


Há grandes pormenores que me influenciaram e me marcaram na minha infância e que eu provavelmente nunca esquecerei.

Eu tenho três irmãs mais velhas e elas ajudaram-me muito em pequeno, e em toda a minha vida. A minha irmã mais velha era como se fosse minha mãe, cuidava muito bem de mim e preocupava-se muito comigo.

Lembro-me muito bem de uma vez - quando tinha por volta dos 6 anos - estar em casa com muita febre e estar só com a minha irmã mais nova e ela tratou de mim e estava só a tentar que eu ficasse melhor até que a nossa mãe pudesse chegar e levar-me ao hospital. Também me lembro de no verão as minhas irmãs quererem ir para a praia com os amigos e eu convencê-las sempre a levarem-me com elas, e eu gostava muito, divertia-me imenso.

As minhas irmãs foram muito importantes para mim na minha infância, e sempre serão.

Luís Henriqueta Gomes, nº15, 10ºC



31 de Janeiro de 2010 15:27

Lembro-me vagamente da minha infância mas como acontece com a maior parte das pessoas, houve lugares, nomes, caras que me marcaram e será bastante complicado esquecê-los.


Recordo aquelas manhãs que passava a brincar com a linda cadela castanha do meu avô. Adorava meter-me em cima dela como se de um cavalo se tratasse, fingindo que era um cowboy como aqueles que via na televisão.

Relembro hoje as feições de um humilde agricultor, e sempre que este me via brincar sorria; nunca irei esquecer aquela pessoa que marcou a minha infância e a minha vida.

Outra das coisas que mais amava fazer era ir à Serra da Estrela, andar de trenó com o meu pai, eram sem dúvida momentos excelentes que irei relembrar para toda a minha eternidade.


São estes pequenos grandes pormenores que nos ajudam a crescer por isso é muito bom viver uma infância feliz e disfrutar ao máximo.



Bernardo Brasil

10ºA, nº5



Crédito das imagens:
three-sisters-vineyard.co.uk
ana-alfa.blogspot.com
prof.ª Noémia Santos

Textos auto-biográficos

Entre 26 de Janeiro e 1 de Fevereiro recebi vários contributos relativos aos textos auto-biográficos.
Porque talvez corram um pouco o risco de ser "perderem", aqui os deixo, com ligeiras correcções.

Espero que vos agradem tanto como a mim me agradaram.
Obrigada aos que escreveram, por me/nos deixarem partilhar convosco tais memórias.



Voltando atrás e relembrando a minha infância… as vozes mais marcantes foram de algum modo as vozes dos meus familiares e amigos como é natural. Não me recordo o que me diziam mas ainda consigo lembrar-me das suas vozes naquela altura como se fossem momentos recentes, e posso ainda acrescentar que grande parte do que sou hoje foi graças a elas, que me conduziram.

As caras e os lugares… estão relacionados com o mesmo espaço e tempo visto que a passei a minha infância inteira, infantário e escola primária, no mesmo local e com os mesmos amigos. O pormenor mais marcante de que me consigo lembrar agora foi no dia em que aprendi definitivamente a andar de bicicleta. Tinha descido uma estrada bastante inclinada que por sua vez continuava por uma rua ainda um pouco inclinada, e, não tinha travões, logo, com uma idade infantil e sem dominar por completo a habilidade, não tinha controlo sobre a bicicleta. Continuei pela rua abaixo e só não parei no chão, penso eu, porque me ouviram gritar rua abaixo e se puseram à frente da bicicleta e parar-me de vez. Foi um grande susto… mas aprendi a andar de bicicleta.

Luís G. Gomes 10ºA


Passei praticamente toda a minha infância na creche, com os meus colegas e com as minhas educadoras. Adorei. Foram sem dúvida os melhores anos da minha vida. Lembro-me das caras deles, exactamente como eram, e como são agora, poucas foram as que mudaram, até o sorriso do nosso motorista ficou gravado no meu pensamento!

Relembro o toque e a maneira carinhosa como todas as educadoras me trataram. Tal como os meus colegas, são nomes e caras que nunca esquecerei.

É engraçado, olhar para o passado e recordar-me dos espaços: a casinha das bonecas, o canto das trapalhadas, o cabeleireiro, o hospital, o parque infantil, no fundo o mundo de fantasia que nos foi criado para proporcionar um crescimento saudável. Tenho bastante presente na memória as traquinices que fiz e os avisos que recebi nos últimos anos de creche, marcaram-me no bom sentido!

Na creche aprendi a escrever o meu nome, a fazer o primeiro laço (que daria nos meus sapatinhos!), a realizar as tarefas de sala, a ter espírito de equipa, a tomar conta de animais, mas essencialmente fui ensinada a respeitar os outros. Todos os que permanecem nas minhas memórias são importantes.

Patrícia 10ºA Nº18 TPC para 27-01-2010



26 de Janeiro de 2010 23:11  

Tive uma infância normal como todas as crianças. Brinquei e fiz as traquinices como toda a gente. Mas do que me recordo melhor da minha infância, quando tinha 4 ou 5 anos é de estar em casa dos meus avós e irem lá senhores falar com o meu avô. Eu punha sempre conversa e achavam muito engraçada a forma como eu me dirigia a eles. Lembro-me bem das vozes deles e das suas feições. Provavelmente ainda consigo reconhecer alguns ainda hoje. Quando lá iam várias vezes e eu não sabia os seus nome, inventava-os. Eles achavam muita graça e até chegaram a dar-me presentes pelo Natal.

Emanuel Antunes Nº9 10ºA



sábado, 30 de janeiro de 2010

Concurso Linhas de Leitura


CONCURSO MUNICIPAL
 LINHAS DE LEITURA



REGULAMENTO
Artº 6º - Provas de selecção

Trata-se de uma prova pública, a ser efectuada durante o dia 3 de Fevereiro de 2010, pelas 10h30, no auditório da Câmara Municipal de Torres Vedras.

Na prova participarão os concorrentes inscritos pelas escolas do concelho.

As provas serão concebidas e organizadas pelo Júri.

Como princípio geral orientador do Concurso Municipal de Leitura está o prazer de ler, pretendendo-se estimular nos concorrentes o gosto pela leitura e o contacto com os livros. Assim, as provas serão escritas e avaliarão os conhecimentos dos concorrentes sobre as obras seleccionadas, podendo constar de questionários de escolha múltipla, questões abertas e comentário pessoal redigido pelo participante.
 
 

Auditório da Câmara
 
 

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010


"MORTE AOS FRANCESES, C.(Cecil) S. (Scot) Forester. Publicações Europa-América, col. Livros de Bolso Europa-América, nº 343, Lisboa,s/d. 147 p. « A última invasão francesa de Portugal em 1810 encurralou Wellington nas Linhas de Torres Vedras. O atirador Dodd do 95º ficou separado do seu regimento e decidiu organizar sozinho um bando de guerrilheiros portugueses que irá atormentar os franceses durante vários meses...» (da contra-capa). C.S. Forester foi um autor muito popular na primeira metade do séc.XX. Escreveu muitos romances históricos, de que se destacam os que situou na Guerra Peninsular, como este pequeno livro que evoca acontecimentos ligados que estamos a lembrar no Bicentenário das Guerras Napoleónicas em Portugal."
In: http://linhasdetorres.blogspot.com/2009/08/bicentenario-das-invasoes-francesas.html

Esta obra em inglês tem o mesmo título - Death to the French, mas a versão americana saiu com o título RIFLEMAN DODD .

C.S. Forrester. Death to the French The novel that inspired Bernard Cornwell's Sharpe series. It is 1810, and the last French invasion of Portugal has penned Wellington's army behind the river Tagus with their backs to the sea. Separated from his regiment, Rifleman Dodd of the Ninety-Fifth stumbles on a band of undisciplined Portuguese peasants. With rough inventiveness he transforms this ramshackle group into an organised fighting force, continually harrying French as Dodd fights his way back to his own lines. Written by the author of the Hornblower series, Death to the French is a classic novel of the Peninsular War. http://british-cemetery-elvas.org/reading.html

Imagens do filme sobre as Aventuas de Sharpe, baseada nos livros de B. Cornwell


Ver excertos do filme baseado em Sharpe e o Ouro (Sharpe's Gold)
Início
Sir Artur Welligton
Sharpe encontra o ouro. Final

Nas obras de Bernard Cornwell relacionadas com este tema, há uma clara inspiração nesta obra de Forester, em particular em Sharpe e o Ouro e no mais recente A Fuga deSharpe:

In "Sharpe's Escape" (2004) one of Bernard Cornwell's Richard Sharpe novels (which were partly inspired by Death to the French), a Rifleman named Matthew Dodd is separated from Sharpe's company during a skirmish during the Peninsular Campaign in 1810. Cornwell has acknowledged on his website that this character is intended to be the same individual depicted by Forester in "Death to the French." [1]http://www.answers.com/topic/death-to-the-french

Visita os sítios de:
Bernard Cornwell

Perguntas e respostas aos leitores. Podes colocar perguntas ao autor aqui.

Admiradores de Sharpe têm um sítio com filmes, excertos das obras, informações sobre os temas e muito mais em:
http://bernardcornwellbr2.vilabol.uol.com.br/sharpedownloads/gold.htm
http://bernardcornwellbr.vilabol.uol.com.br/obras/todas_serie.htm








Whoever forgets history is doomed to relive it.               
Celui qui ne se souvient pas du passé est condamné à le revivre.
Quem esquec a História, está condenado a revivê-la.




George Santayana 1863-1952





Aprende mais sobre as Linhas de Torres e o sistema de semáforos usados durante a Guerra Peninsular em:



"A memória é a história do mundo"


Imagem*: René Magritte, O Falso Espelho, 1928

A memória é uma imagem do passado menos nítida do que a verdade
Bruno 10ºA

A memória é desgastada, erodida e desfaz-se, transformando o que era outrora uma rocha sólida , em pequenos grãos de areia que, a pouco e pouco, formarão novas rochas, tendo estas diferentes recordações, mas ainda pequenas partículas das anteriores, as quais não podem ser destruídas...


Maria Silva .10ºA

A memória é um vulcão, que a partir do momento em que explode deixa para sempre vestígios de cinzas.
Patrícia 10ºA

A memória é como uma agulha no palheiro: está lá, mas poderemos nunca a encontar

Luís G. Gomes 10ºA


A memória é tal como um hotel, no qual as pessoas se alojam, umas só por uma noite e outras por meses, acabando todas por sair um dia.

Gonçalo Arsénio 10ºA


A memória é uma estação de via-férrea inactiva, pois o comboio passa mas nós não o conseguimos apanhar.

Sebastião 10ºA


A memória é uma praia deserta. Os ventos do esquecimento diariamente varrem os grãos de areia das dunas, substituindo-os por novos. Torna-se um ciclo vicioso, entre o esquecimento... e o aparecimento de novas memórias.

Tiago Henrique Rosado nº24 10ºB


Memórias ... as nítidas, as que marcam... permanecem, são guardadas e recordadas de forma a que o tempo passe e não destrua a imagem a cores que são e que as mantêm acesas como fogo e firmes e sólidas em mim.

Memórias ... as a preto e branco ... essas já marcaram, mas sem querer, mesmo sem querer ... deixei que o tempo as levasse. Deixei que passassem de perto a longe. Mas não as esqueço facilmente: são estações de ano em mim, voltam em períodos, de tempo em tempo ... ou simplesmente, voltam, quando toco na ferida que não sarou.

Memórias ... outras já esquecidas ... sem porto de abrigo. Já não me lembro de quais eram, nem sei se eram ... ou se vieram! São enigmas não descifráveis. Já não as reconheço.

Mariana Viola 10ºB nº16



Salvador Dali, Persistência da memória (1954)

A memória é um computador. Os ficheiros são guardados e só se perdem quando são apagados de propósito ou sem ele.
Mariana Freitas 10ºB nº17


A memória é um livro. Contém muita informação, mas para a conseguir tem que se estar na página correcta.

A memória é a história do mundo. Apenas consegue registar o passado e o presente, mas nunca o futuro, acentuando em si os episódios mais importantes.
José Freitas, 10ºB

A memória é um armário desarrumado que tem camisolas velhas e novas, umas já com buracos, outras ainda com etiquetas.

Inês Vieira, 10ºB, nº8




MEMÓRIA (S)
Estes contributos foram dados entre 12 de 24 de Janeiro de 2010.
 
Quem desejar pensar e escever outras sugestões, pode fazê-lo. A memória tem sempre uma porta berta para novas entradas...
 
 


domingo, 10 de janeiro de 2010

Sento-me aqui nesta sala vazia e relembro.

Narciso*

Nas histórias autobiográficas (romances, novelas, contos…), o narrador recorre frequentemente a verbos como lembrar, relembrar, recordar, , evocar ou outros que dêem conta desse exercício da «trazer à memória».

Vou apresentar-vos o exemplo do romance de Vergílio Ferreira, Aparição, que começa, como vos disse, assim:

Sento-me aqui nesta sala vazia e relembro. Uma lua quente de Verão entra pela varanda, ilumina uma jarra de flores sobre a mesa. Olho essa jarra, essas flores, e escuto o indício de um rumor de vida, o sinal obscuro de uma memória de origens.
(...)

Pelas nove da manhã deste dia de Setembro cheguei enfim à estação de Évora. Nos meus membros espessos, no crânio embrutecido, trago ainda o peso de uma noite de viagem. E agora, que escrevo esta história à distância de alguns anos, exactamente neste mesmo casarão em que tudo se passou, relembro vivamente [essa] manhã de Setembro.


Aparição de Vergílio Ferreira.


Repara que o narrador mostra-nos desde o início o espaço da narração: através do advérbio aqui, do  esta e do verbo relembrar no presente do indicativo - relembro.
O espaço da narração é a sala vazia em que o narrador está e no qual relembra a história que se passou consigo, em Évora, que é o espaço em que decorre a história que vai contar/a narrativa.

 
E este autor é tão original ao fazê-lo, trabalha a linguagem de tal forma que muitos colegas vossos quando falam deste texto referem, frequentemente, "o poeta" para se referir ao romancista. Aprecia:
 
(...)  Sinto, sinto nas vísceras a aparição fantástica das coisas, das ideias, de mim, e uma palavra que o diga coalha-me logo em pedra. Nada mais há na vida do que o sentir original, aí onde mal se instalam as palavras, como cinturões de ferro, aonde não chega o comércio das ideias cunhadas que circulam, se guardam nas algibeiras. Eu te odeio, meu irmão das palavras que já sabes um vocábulo para este alarme de vísceras e dormes depois tranquilo e me apontas a cartilha onde tudo já vinha escrito... E eu te digo que nada estava ainda escrito, porque é novo e fugaz e invenção de cada hora o que nos vibra nos ossos e nos escorre de suor quando se ergue à nossa face.
 
VF
 

Para saber mais: http://cvc.instituto-camoes.pt/filosofia/1910j.html

* Créditos da imagem de Narciso (sítio acedido em 10 Jan.2010):
http://media.photobucket.com/image/imagens%20narciso/RIPyEnus/Narciso_2.jpg

Bocage e Florbela


Nunca se pode pensar, como vimos no texto da Profª Clara Rocha e nas nossas reflexões que um texto - mesmo que autobiográfico ou com marcas mais evidentes da vida do seu autor - é uma cópia, uma reprodução fiel. A escrita cria, sempre e obrigatoriamente, distância.


Para voltarmos à aula anterior o espelho reflecte o real, mas não é uma projecção.


Deixo-vos, no entanto, com versos de dois poetas portugueses, cuja escrita é mais marcadamente autobiográfica: Bocage e Florbela Espanca.




Bocage (1765 -1805)
 
 

Já Bocage não sou!... À cova escura

Meu estro vai parar desfeito em vento...
Eu aos céus ultrajei! O meu tormento
Leve me torne sempre a terra dura.

Conheço agora já quão vã figura
Em prosa e verso fez meu louco intento.
Musa!... Tivera algum merecimento,
Se um raio da razão seguisse, pura!


Eu me arrependo (…)

Oh! Se me creste, gente ímpia,
Rasga meus versos, crê na eternidade!

Bocage

 
Flobela Espanca (1894-1930)

Falo de ti às pedras das estradas,

E ao sol que e louro como o teu olhar,
Falo ao rio, que desdobra a faiscar,
Vestidos de princesas e de fadas;

Falo às gaivotas de asas desdobradas,
Lembrando lenços brancos a acenar,
E aos mastros que apunhalam o luar
Na solidão das noites consteladas;


Digo os anseios, os sonhos, os desejos
Donde a tua alma, tonta de vitória,
Levanta ao céu a torre dos meus beijos!

E os meus gritos de amor, cruzando o espaço,
Sobre os brocados fúlgidos da glória,
São astros que me tombam do regaço!
Florbela Espanca, in "A Mensageira das Violetas"
 
 

 

Para ouvir:   Ser Poeta - Florbela Espanca - Cantado por Luís Represas (acedido em 10 Jan/10)

Para saber mais:
Flobela - http://www.vidaslusofonas.pt/florbela_espanca.htm
Bocage - http://alfarrabio.di.uminho.pt/vercial/bocage.htm

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

ESTEIROS (texto crítico)

ESTEIROS
Este livro é uma bela obra de Soeiro Pereira Gomes. Um livro antigo e com tanto para nos dar. Nele encontramos uma crítica que, infelizmente, ainda hoje podemos observar.

Esteiros fala-nos dos homens que nunca foram meninos, porque as suas famílias eram demasiado pobres para lhes darem condições de serem crianças. Desde muito pequenos que eram obrigados a trabalhar. Gineto é o revoltado “chefe” do grupo, Sagui, o contador de histórias e o menino de rua, Gaitinhas, o estudante, ou melhor o ex-estudante e Maquineta é aquele que sempre sonhou em trabalhar na Fábrica Grande. Todos eles encontravam esquemas para arranjar um sítio para passarem as noites como para comerem.

Neste grupo, representado em Esteiros as idades oscilavam entre os dez e os doze anos. Sem tempo nem condições para ser crianças, de Verão trabalham, como adultos, nos telhais à beira dos esteiros do Tejo, e nos restantes nove meses de fome e frio roubam ou pedem esmola para conseguirem ver chegar o Verão seguinte.

As suas vidas eram muito complicadas, sujeitas à dureza do trabalho quando o conseguiam arranjar, vadiando ou roubando para comer durante o resto do tempo, mas apesar de tudo ainda conseguem sonhar.

Para piorar ainda, esta situação dos rapazes existe a dureza das cheias vividas no Inverno, o afastamento por uns tempos de Gineto do grupo, e, no fim, o aprisionamento deste. Depois de todas as aldrabices que Gineto cometeu, este pagou por todo o mal que fez. O tempo vai passando e o “chefe” vai esperando a chegada dos seus melhores companheiros para o ajudarem a fugir da prisão, mas estes já quase não se lembram daquele que tanto fez por eles. É esta a história dos moços que parecem homens e nunca foram meninos.

O autor aborda uma realidade que muitos desconhecem, apesar de viverem no mesmo país do Gineto e do Gaitinhas. São assim tentados a subestimar a crueldade e o impacto dessa realidade, e, nalguns casos, mesmo a própria existência dessa realidade.

Português


Autores: Ana Marta Carmona, José Manuel de Freitas e Tânia Soares

Esteiros,de Soeiro Pereira Gomes

O trabalho que se segue é o mais sustentado e completo de quantos me foram entregues sobre o Contrato de Leitura. Penso que vale a pena ler.
No próximo "post" apresento-vos a crítica que este colegas do 10º B redigiram com base neste trabalho.

**************

Esteiros. Minúsculos canais, como dedos de mão espalmada, abertos na margem do Tejo. Dedos das mãos avaras dos telhais que roubam nateiro às águas e vigores à malta. Mãos de lama que só o rio afaga.


Identificação bibliográfica:

Título: Esteiros

Autor: Soeiro Pereira Gomes

Editorial «Avante!», SA, Lisboa

Edição: Edição comemorativa do centenário do nascimento do autor

Capa: Estúdios P. E. A.

Género/Sub-género:

Narrativo/ Romance



Registo:

Sério/Crítico (neo-realismo)

Síntese alargada:

Outono

Os homens e rapazes que trabalham na fábrica recebem a féria e os rapazes divagam onde a vão gastar, mas todos têm um ponto em comum, a Feira.

Neste capítulo ficamos também a conhecer as condições familiares de Gineto, cujo pai lhe batia, e ficamos a saber também como ele se tornou ladrão; bem como as condições familiares de Gaitinhas, cuja mãe estava muito doente e o pai estava ausente, como a doença da mãe o leva a sair da escola para ir trabalhar para a fábrica e como ele de repente se vê como um miúdo da rua, como Maquineta.

As aventuras dos rapazes na Feira são também relatadas: Gineto mete-se em sarilhos por causa de uma rapariga mais velha que ele. Sagui anda de banca em banca a comer bolos, Maquineta sempre de olho no carrossel. Guedelhas passeia nas ruas sem vintém e Malesso tenta ganhar uma garrafa de “Porto”.

No fim do Outono, Gineto é levado para o Boa Sorte, o barco de Manuel do Bote, seu pai, para trabalhar, mas assim que atracam, ele mete-se em sarilhos numa taberna e foge. Pensando no que poderia fazer agora que tinha fugido e onde passaria a noite, acabou por decidir, passá-la no bote, com medo do que o seu pai lhe podia fazer.

Inverno

O Inverno era uma época muito má. Fazia muito frio (“ Mãos esquecidas nos bolsos e pés roxos de frio…”) e para além disso nos esteiros esta era a época das cheias, que destruíam tudo (“Depois veio a chuva fazer do rio - carreiro de água negra na valeta - um mar de lama que alagou as ruas.”), os campos dos agricultores, os palheiros e as casas habitacionais.

As cheias faziam com que a miséria vivida fosse maior, os ricos que viviam no campo só pensavam em si próprios e quando ajudavam os mais pobres é porque teriam algum benefício em retorno. Quanto aos da cidade deslocavam-se até ao campo para verem a beleza da paisagem, alguns até para tirarem fotografias. Com a excepção de um jovem ( “- Olhem – disse uma voz juvenil -, aquelas oliveiras dão a impressão de que flutuam. E uma casita, além, meio afundada… Isto é triste, não é?” ) que achou aquela paisagem triste.

Estas cheias pregaram uma partida à população. Quando todos pensavam que elas já tinham acabado resolveram voltar. Muitos apanhados de surpresa acabaram por falecer vítimas delas. Se o Inverno já custava a suportar pelo imenso frio que fazia e porque os jovens não tinham emprego, agora com estas o sucedido ainda era pior.

Tentavam-se encontrar sobreviventes entre o lixo e os cadáveres. Gineto e o seu pai tiveram muita sorte porque conseguiram sobreviver. Ao contrário do seu amigo Malesso e de muitas outras pessoas que acabaram por falecer.

Primavera

O capítulo começa por descrever a época da Primavera. É neste capítulo que se tenta recuperar da tristeza que foi o Inverno. Tenta-se recuperar do terror das cheias, da tristeza que se viveu e das mortes ainda não esquecidas. Mortes que endoideceram pessoas, como o caso da Doida, que aparece neste capítulo como uma nova personagem.

O começo deste capítulo está caracterizado com muita depressão. As pessoas tentam reconstituir as suas vidas. Regressam ao trabalho. Enfim, a Primavera insuflava energias e promessas, e, porque o negócio das laranjas prosperava, todos os garotos andavam contentes.

Gaitinhas continuava saudoso da escola e do pai.

Para conseguirem sobreviver, os miúdos roubavam frutas do jardim do senhor Castro. Era Gaitinhas quem contava as frutas, pois era o único que sabia contar até mil.

Certa noite, Saguí acordou em sobressalto, com barulho de alguém que resmungava. Era a Doida, totalmente dorida e pálida. Depois de alguns dias sem ter vendido fruta, os amigos do Saguí começaram a desconfiar. Tentou apresentar algumas desculpas, mas os amigos perceberam que era uma história inventada, pois viam-no entrar na capela com embrulhos misteriosos, e depois correr as ruas como à procura de alguém. Certo dia, os amigos descobriram a sua recente história com a Doida, pois viram-no com ela, quando ela já ria e gesticulava. Uma semana depois, todos os elementos da quadrilha gastavam lucros do negócio em prendas para a Doida. Nunca a vida lhes fora tão risonha. Nem quando as primeiras chuvas de Outono anunciavam pausa de asneiras no telhal e folguedos na Feira.

Nesta altura, Gaitinhas já não entregava à mãe o dinheiro das laranjas, e fugia de casa para não ouvir ralhos e lamentos.
A mãe perguntava-lhe se ele já não trabalhava. Ele dizia que a obra já tinha acabado. A mãe lamentava a ocasião, pois a Ti Rosa, coitada, estava farta de gastar dinheiro com eles.
Gaitinhas condoía-se; jurava a si próprio tomar emenda. Mas chegava à capela, onde morava Saguí e esquecia-se da cara triste da mãe e da sua voz cansada.
Os assaltos às quintas foram assim rareando. A muito custo, quando o dinheiro escasseava, é que eles se depunham a rastejar sobre a erva húmida dos laranjais.
Dada noite, Saguí chegou esbaforido, quase sem voz. Bateram na Doida. Os amigos largaram as cartas de repente, e perseguiram o homem que bateu na Doida, até que deram com ele à beira dos esteiros. Eles tremiam de medo, perante um gigante que parecia invencível. Mas conseguiram superar a aventura, dando assunto para risos e chacota, durante muitos dias. Chegaram à conclusão que tiveram uma prestação como a do Tom Mix. Depois foram ao cinema rever-se no herói. Depois de muito esforço, por falta de dinheiro e condições, lá conseguiram ver o filme.
Dias venturosos aqueles. Os rapazes aspiravam o ar, mais puro e cálido, como se nova vida surgisse com a Primavera. Um dia, porém, a Doida desapareceu sem deixar rasto.

Neste capítulo, Maquineta, um dos amigos de Gaitinhas conseguiu emprego. Contou a notícia aos amigos aos pulos. Os amigos ficaram muito invejosos. Depois de muita ansiedade, Maquineta foi à fábrica e encarou-se com a realidade e a dureza do trabalho a que os infantis são sujeitos, descaindo na cara lágrimas de suor. As crianças trabalhavam em péssimas condições e eram maltratados.

A Primavera fica marcada pela morte da Madalena, a mãe do Gaitinhas. A Ti Rosa, que acompanhava Madalena enquanto a mãe era auscultada pelo médico, num dado momento, escondeu as lágrimas no avental. A mãe deixou o filho dizendo-lhe: “Faz por trabalhar. O teu pai volta qualquer dia…”. Devido à morte de sua mãe, Gaitinhas entrou em estado de depressão, por não ter tido oportunidade de ajudar a sua mãe. Foi viver com a ti Rosa, acabando depois por mudar-se, pois via que a idosa não estava a conseguir suportar todos os seus custos. Deixou-lhe uma mensagem justificando a sua atitude. Devido a isto, mudou-se para a capela, onde Saguí morava.

É com um espírito de alguma tristeza que a Primavera chega ao fim.

Verão

Neste capítulo, relata-se a maior parte da vida dos rapazes no telhal: como Gaitinhas não se ajustava muito bem à vida de trabalhador e Gineto passava a ser o homem da casa, assumindo todas as tarefas que anteriormente cabiam a seu pai e os outros todos também trabalhavam para tentar tornar-se homens.

Zé Vicente, o dono do telhal, resigna-se quando o Sr. Castro lhe conta que vendeu o telhal à Fábrica Grande. Nem um dos trabalhadores que dantes trabalhavam no telhal agora lá trabalha, com um novo patrão. Um dia, já no fim do Verão, o forno incendeia-se, deixando Zé Vicente em lágrimas.

Gineto vai parar à prisão por andar a roubar carvão da Fábrica Grande e “Gaitinhas-cantor vai com o Sagui correr os caminhos do mundo, à procura do pai. E, quando o encontrar, virá então dar liberdade ao Gineto e mandar para a escola aquela malta dos telhais – moços que parecem homens e nunca foram meninos.”

Breve síntese:

Esteiros, de Soeiro Pereira Gomes, é um exemplo da excelência do autor, é um romance marcante da literatura portuguesa do século XX e foi publicado em 1941.


Gineto é o revoltado “chefe” do grupo; Sagui, o contador de histórias e o menino de rua; Gaitinhas, o estudante; e Maquineta é aquele que sempre sonhou em trabalhar na Fábrica Grande. Todos eles encontram esquemas para arranjar um sítio para passarem as noites assim como para comerem. Sujeitos à dureza do trabalho quando o conseguem arranjar, vadiando ou roubando para comer durante o resto do tempo, apesar de tudo - sonham. A idade deles oscilava entre os dez e os doze anos e, sem tempo nem condições para ser crianças, no Verão trabalham, como adultos, nos telhais à beira dos esteiros do Tejo, e nos restantes nove meses de fome e frio roubam ou pedem esmola para conseguirem ver chegar o Verão seguinte.


Estes rapazes passaram maus momentos, como as cheias vividas no Inverno, o afastamento por uns tempos de Gineto do grupo, e, no fim, o aprisionamento deste. Depois de todas as aldrabices que Gineto cometeu, este pagou por todo o mal que fez. O tempo vai passando e o “chefe” vai esperando a chegada dos seus melhores companheiros para o ajudarem a fugir da prisão, mas estes já quase não se lembram daquele que tanto fez por eles.


É esta a história dos moços que parecem homens e nunca foram meninos.


Duas anotações, na abertura do 1º capítulo e na do último subcapítulo do livro, indicam-nos que o ciclo temporal abre e fecha em Setembro, por ocasião de uma feira anual, mas esse retorno dá-se numa diferente situação.

Tema/Problema/Situação sobre a qual se reflecte:

Expõe a condição social precária da região dos esteiros do Tejo, sem dramatismos e enfatizando a decadência de uma vida sem educação. Denuncia uma sociedade cruel, de costas voltadas para a classe proletária. Trata mais especificamente de um grupo de rapazes que se revolta com armas na mão, representantes da cólera do povo.

É uma história contada a partir da realidade de muitos que sobreviveram aos ataques da burguesia e pereceram aos esteiros do rio. É o retrato simples de como era a vida, fosse no rio, fosse na fábrica, sem ironias, truques, artimanhas narrativas.

Aspectos polémicos ou que possam gerar algumas diferenças de opinião ou controvérsia interpretativa:

O livro organiza-se em 4 capítulos que têm como título os nomes das quatro estações do ano, "Outono", "Inverno", "Primavera" e "Verão".
Pensamos que isto se deve ao facto de cada capítulo estar caracterizado pela emoção presente em cada estação do ano. Por exemplo, o Inverno no livro está marcado pelas cheias, e por um período de grande tristeza e dificuldade.

As estações que ritmam o ciclo anual são um dos modelos da nossa experiência sensível do tempo: tal como o ciclo dia e noite, elas configuram o tempo cíclico, que a literatura muitas vezes contrapõe a um outro modelo temporal que é o do tempo linear e irreversível, orientado para um fim que é a morte. Nessa contraposição, o tempo cíclico é o tempo da esperança: depois da noite vem o dia, depois do inverno vem a primavera. Em Esteiros, encontramos algo de parecido com isso. Mas não só. Começar no Outono (fase de declínio) para acabar no Verão (estação da plenitude solar) parece indiciar o movimento de uma esperança ou de uma promessa.
Mas o que é admirável é que este modelo de representação do tempo natural é em parte mantido e em parte submetido à dimensão social da vida humana: as estações do ano são e não são as mesmas, de acordo com a situação e a experiência social das personagens. É que o "Verão" de Esteiros abre, logo no 1º parágrafo, sobre o negro, "cor" surpreendente para tal estação, mas que é a cor do trabalho penoso e explorado, da vida oprimida que é contada. O "Verão" de Esteiros conta, é certo, o fugaz banho dos garotos no rio, numa pausa do trabalho; mas, sobretudo, abre contando cenas de trabalho em situação de grande violência. Este aspecto fulcral da composição do romance está aliás representado - a tempestade, as cheias contadas no "Inverno", são desastre, naufrágio, morte e solidariedade, para aqueles que as sofrem no seu trabalho ou na busca dele, e são espectáculo "da natureza", para aqueles que as vão ver , "de cima" e "de fora".
Frases/passagens lapidares:

Esteiros. Minúsculos canais, como dedos de mão espalmada, abertos na margem do Tejo. Dedos das mãos avaras dos telhais que roubam nateiro às águas e vigores à malta. Mãos de lama que só o rio afaga - página 27

Flocos de nuvens no céu, como um bando de pombas que roça asas no Mirante. Nuvens de flores nas árvores do vale. Céu a desbotar azul no rio calmo, sem remorsos das cheias, de que já pouca gente se lembra – página 127.

Contributos do livro para a compreensão do assunto em causa/do tema abordado:
Este livro fez-nos compreender o trabalho infantil e como este funciona: no Verão trabalham nos telhais de sol a sol sem ganhar fortunas e nas restantes estações passam fome e andam a pedir. Compreendemos melhor a visão do mundo dos anos 40 e de como era a vida naqueles tempos idos.

Aspecto menos conseguido/que menos apreciamos: nós apreciamos tudo, e achamos que o autor conseguiu passar a mensagem que pretendia. Foi um livro muito agradável de ler.
Informações com interesse sobre o autor e a fortuna do livro (edições, recepção ao público/da crítica, possível adaptação ao cinema/teatro):

A obra foi censurada pelo Estado Novo logo no início, e hoje é leitura recomendada para o secundário, devido à narrativa ímpar do realismo do autor.A crítica recebeu bem este livro, pois embora tenha sido censurado, retrata fielmente a vida dos telhais e mais concretamente, a vida de alguns amigos que, no Verão partilhavam o trabalho e no Inverno partilhavam a fome.

O livro teve, pelo menos, 12 edições e uma edição comemorativa do centenário do nascimento do autor (lançada este ano).
Pensamos que esta história poderia ser adaptada ao cinema/teatro, pois é uma história muito interessante que cativa o interesse do espectador.

Joaquim Soeiro Pereira Gomes nasceu em Gestaçô, distrito do Porto no ano de 1909. Foi um dos grandes nomes do neo-realismo de Portugal.

Filho de agricultores, estudou na Escola de Regentes Agrícolas de Coimbra, quando finalizou os estudos, viajou para Angola e trabalhou durante um ano.

Quando regressou a Portugal, trabalhou como empregado administrativo numa fábrica de cimentos e começou a desenvolver um trabalho de dinamização cultural entre a classe operária.

Seu trabalho como escritor tornou-o conhecido, escritor do realismo socialista em Portugal, militou no Partido Comunista Português. Hoje a sede do partido recebe o seu nome (Edifício Soeiro Pereira Gomes).

Entre os seus trabalhos, “Esteiros”, publicado em 1941 é considerado sua obra-prima, que foi ilustrada na sua primeira edição por Álvaro Cunhal, secretário-geral do PCP. Mesmo vivendo clandestinamente durante o governo de Salazar, desenvolve o seu trabalho de militante até adoecer com cancro no pulmão. Impedido de receber o tratamento médico necessário, faleceu em Cinco de Dezembro de 1959.

Sabemos que seis meses após a 1º edição (que foi publicado em 1941), apareceu a segunda, devido ao sucesso que foi a primeira.

Trabalho ralizado por: Ana Marta Carmona, José Manuel de Freitas e Tânia Soares

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Crítica ao livro "O Hussardo"


O HUSSARDO, de Arturo Pérez- Reverte
A história decorre em Espanha em 1808, durante as invasões napoleónicas, e envolve dois homens do regimento dos hussardos, Frederic Gluntz, jovem oficial de 19 anos, natural de Estrasburgo, e Michel de Bourmont, um homem mais velho, com experiência militar.

Frederic Gluntz era um jovem hussardo que teve de combater numa guerra sangrenta e cruel com os seus outros amigos pela glória e honra do seu país que era a França de Napoleão, em que o seu povo e os soldados foram quem mais sofreram. A passagem que me marcou mais foi no final da batalha sangrenta em que ele estava deitado no bosque cheio de sangue do inimigo e do seu, a olhar para o céu e a pensar como e porquê foi parar ali, pensando na sua morte e na dos que matou, nas saudades que tinha de casa e por quê tinha ele de estar naquele lugar. Esta passagem reflecte-se também na nossa vida porque quando estamos cheios de glória e heroísmo vamos para um confronto ou guerra e pensamos porque fomos ali parar e o que estávamos ali a fazer, pensando também nas mortes que provocamos porque o inimigo que estávamos a combater eram pessoas iguais a nós com as mesmas ideias e que lutavam pela mesma coisa.



As passagens que ocorreram no livro relativas a Frederic Gluntz e aos outros hussardos também acontecem muitas vezes na vida real e actual em guerras e conflitos, como o medo, as dúvidas sobre a morte, os desafios por que têm de passar e chegar, a crueldade e horror da guerra que se vê; mas também  o lado da amizade para com os outros, o heroísmo, a glória, que, no entanto  esquecem e vão abaixo rapidamente face à crueldade da guerra. A história pode prender-se com o desenrolar de batalhas mas é, sobretudo, uma reflexão sobre o sentido da vida e a condição humana face a situações extremas.



Recomendo este livro de Arturo Pérez-Reverte aos que gostam de história, de romance, acção e drama.


Rui Mendonça nº25 10ºA



200 anos depois, assinalam-se as Linhas de Torres Vedras, decisivas na derrota das tropas de Napoleão


Crédito das Imagens:

soldadosminiatura.blogspot.com
guitarradecoimbra.blogspot.com
"site" do Gabinete da Presidência da República




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quarta-feira, 16 de dezembro de 2009


“Valquíria” é um filme dramático que remonta à 2ª Guerra Mundial e relata a história de um coronel do exército alemão que vivia horrorizado e cansado das atitudes de Hitler e prepara juntamente com outros oficiais alemães o assassinato de Adolf Hitler. O filme começa em África, onde o coronel Stauffenberg (Tom Cruise) estava instalado com o seu exército. O acampamento onde se encontravam foi violentamente atacado, por via aérea,  pelo inimigo e Stauffenberg fica gravemente ferido e perde um olho,  a mão direita e vários dedos da mão esquerda. Passados alguns meses já recuperado e na sua terra Natal o coronel junta-se a outros oficiais e criam um plano para mandar abaixo o regime de Hitler.

Stauffenberg foi escolhido para levar a bomba que mataria Hitler visto ser um homem da confiança do ditador. O grupo de oficiais combina uma reunião com Hitler para discutir a situação das tropas alemãs na frente oriental. Esta reunião aconteceu no esconderijo de Hitler a que chamavam de “a toca do lobo”. A função de Stauffenberg era deixar uma mala com explosivos junto de Hitler, e assim o fez. Mas sem querer um dos oficiais derrubou a mala e de seguida pegou nela e encostou-a a uma perna da mesa, ficando assim mais afastada do líder nazi. O coronel Stauffenberg arranja uma maneira de sair da sala sem darem conta e do lado de fora ouve a sala de reunião explodir. Stauffenberg pensava que todos os presentes na reunião estavam mortos, mas isto não aconteceu porque no seu plano haveria 2 bombas que iriam explodir em simultâneo, mas como Hitler adiantou a reunião uma hora o coronel só teve tempo de preparar uma bomba, o que não foi suficiente para matar Hitler e o resto dos oficias. Stauffenberg ao pensar que todos os presentes na reunião estavam mortos, parte para Berlim para continuar com o seu plano, mas na verdade Hitler estava vivo e ao sofrer com aquele atentado fica mais furioso que nunca e manda matar todos os que atentaram contra a sua vida e assim deu-se o fracasso da operação Valquíria.

Foi um filme de que gostei bastante, porque mostra-nos como é viver numa ditadura e o que fazem as pessoas que viviam indignadas com esta situação. Tentaram acabar com as atitudes desumanas de Hitler mas infelizmente não conseguiram. Com este filme fiquei a conhecer melhor como se vivia no tempo de Hitler e fiquei a saber que Hitler também vivia com medo deste tipo de atentados. Gostei especialmente da parte em que o coronel está a armar a bomba e depois a leva para a sala de reunião, para mim a parte mais bem feita. É um filme muito bem feito e que inclui pormenores de que eu não estava à espera. Recomendo vivamente o visionamento deste filme a toda a gente, especialmente aos que gostam de acção e de muito suspance.


Emanuel Antues nº9 10ºA


Imagem obtida em: tralhasgratis.blogs.sapo.pt

O amor infinito de Pedro e Inês, de Luís Rosa.



O amor infinito de Pedro e Inês é um  romance histórico e relata a mais trágica história de amor em Portugal, aquela que todas as pessoas distinguem e apreciam.

O autor descreve, pormenorizadamente, toda a época que decorreu entre o primeiro dia em que se viram, o dia do assassinato de Inês de Castro e a sua coroação depois de morta. Mas, no geral, reflecte sobre o verdadeiro sentido de amar e sobre as diferenças existentes entre as classes sociais, nomeadamente entre a realeza e o povo.

É um livro, por um lado, cativante, já que vamos conhecendo mais desta trágica, mas bela história de amor a cada página que passa. A minha objecção é a de que o autor acresce à obra demasiados pormenores históricos dispensáveis, que ao fim de alguns capítulos, faz acabar por perder a narração inicial.

Existem ainda várias passagens a destacar, mas prefiro citar apenas a que me marcou verdadeiramente:

“Por que semelhante amor, qual El-Rei dom Pedro ouve a Dona Enes, raramente he achado em alguma pessoa...”,  pois coloca em nós a certeza de que aquele amor de Pedro por Inês era puro, o que é de louvar, visto que amores destes não sucedem a qualquer um.

Aconselho a leitura do livro a todas as pessoas que se interessam verdadeiramente por histórias de amor, e pela história de Portugal.


Patricia Antunes 10ºA Nº18

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Crítica de Livros (exemplos)


DRAGÕES DO ÉDEN

Carl Sagan

Com os DRAGÕES DO ÉDEN, Prémio Pulitzer, para muitos a mais bela obra do autor, os leitores de "Ciência Aberta" irão participar numa grande aventura... Num Éden perdido onde os dragões reinavam encontram-se as fundações da nossa inteligência e das nossas paixões... Sagan conduz-nos, numa visita guiada, até esse mundo perdido... Harmonizando informação científica e os grandes mitos do passado, utilizando a sua incomparável capacidade de relacionamento e de diálogo com as diversas áreas do conhecimento científico, com a filosofia e com a história, Sagan faz o ponto de grandes espaços do saber humano, propondo hipóteses por vezes arrojadas, mas sempre motivadoras - Carl Sagan é o professor que todos gostaríamos de ter, ou ter tido, e os DRAGÕES DO ÉDEN são uma obra-prima de instrutivo prazer. "Carl Sagan tem o toque de Midas. Transforma em ouro tudo aquilo em que toca. Assim acontece com OS DRAGÕES DO ÉDEN. Nunca li nada tão apaixonante sobre os temas."

Isaac Asimov (Físico e Matemático)




Não me Guardes no Coração

de José Leon Machado
A mais recente publicação de José Leon Machado, o romance Não me Guardes no Coração, apresenta-se como uma obra passível de diferentes leituras, algumas delas quase contraditórias entre si. A par da aparente linearidade (e até simplicidade) da intriga – que gira em torno das aventuras de férias de um jovem universitário português em França durante quase um mês – somos confrontados, de forma mais ou menos implícita, com um conjunto de questões que nos obrigam a reflectir sobre valores actuais e sobre diversos aspectos da contemporaneidade. [...] O romance, ao narrar o encontro de jovens oriundos de diferentes países, alguns da União Europeia, como é o caso de Portugal, da França e da Bélgica, mas também da Noruega, de Israel, da Turquia e da Argélia, permite dar conta de alguns estereótipos culturais, uma vez que, apesar de muito jovens, as personagens revelam inúmeros preconceitos em relação aos outros e face às diferenças existentes entre si. [...]

Sob a aparência de uma narrativa idílica e juvenil de uma aventura amorosa e com recurso a uma linguagem muitas vezes irónica e afectivamente distanciada, o romance traça uma imagem disfórica e desesperançada do comportamento juvenil, demasiado codificado, orientado por clichés e subjugado ao culto das aparências e ao imediatismo das sensações, das emoções e dos afectos.

O processo de crescimento e aprendizagem do protagonista não parece resultar das experiências realizadas nem da novidade do encontro com os outros e com a diferença, uma vez que o seu julgamento dos que o rodeiam é sempre feito em função do mesmo ponto de vista que não é alterado com a sua estadia e vivência em França.

Entre o diário e a crónica de viagens, o romance juvenil e o de aprendizagem, Não me Guardes no Coração é uma obra que estimula a reflexão sobre a identidade nacional e a tolerância e abertura face ao outro.


Ana Margarida Ramos, Universidade de Aveiro


ATENÇÃO: A ficha completa para quem preferir ter um guião está no Moodle (aqui desconfigura).

Mais exemplos de leituras

Deixo alguns exemplos de textos sobre livros, feitos por alunos meus do ano anterior.




1984

George Orwell

Um manifesto contra o controlo e a manipulação


Esta obra fala de uma sociedade que vive controlada e manipulada constantemente e que se submete ao poder do “Grande Irmão”.
A escrita do livro é densa e profunda e embora seja altamente descritiva quem não conseguir penetrar neste mundo apocalíptico possivelmente não achará este livro interessante.

O que realmente desperta atenção ao leitor é o facto da sociedade retratada poder facilmente encaixar-se nos parâmetros realistas do nosso mundo. Isto porque o leitor apercebe-se, desde o início do livro, que a estrutura social da Oceânia (país da personagem principal do livro) poderia muito bem ser vivida por nós neste momento ou noutro momento da história da humanidade. Isso é o que torna toda a leitura assustadora.
Embora o comunismo seja o alvo principal a abater de George Orwell, a crueldade e toda a crueza descritas poderão ter também outras leituras, como análises de políticas extremas de direita. Apercebemo-nos assim, com um pouco de reflexão, de que os extremos acabam sempre por se juntar.
O excessivo controlo e manipulação, que embora seja eticamente desprezível, é socialmente
perfeito. E Orwell brinca com isso e com estas oposições:

A melhor forma de manter a Paz é com a Guerra.

A liberdade prende-os.

A ignorância faz a força.

É por isso que este livro é uma obra prestigiada da literatura mundial.

André, João e Rute



Contrato de Leitura











O LIVRO DA SELVA
Ferreira de Castro


O livro d' "A Selva". Já em crianças crescemos com "O Livro da Selva" de Rudyard Kipling, aquela bem conhecida história do menino criado por lobos que vive na selva e tem como amigos um urso e uma pantera; uma selva onde tudo floresce, tudo é verde e tudo é belo..."Alberto", de Ferreira de Castro, também vive n'"A Selva", mas esta em nada se iguala à de Mogli. Esta selva aprisiona, "desumaniza" e tal como Ferreira de Castro o diz: "Daquela bárbara grandiosidade e da sua estranha beleza, uma só forte impressão ficava: a inicial, que nunca mais se esquecia e nunca mais também se voltava a sentir plenamente. Solo de constantes parturejamentos, obstinado na ânsia de criar, a sua cabeleira, contemplada por fora, sugeria vida liberta num mundo virgem, ainda não tocado pelos conceitos humanos; vista por dentro, oprimia e fazia anelar a morte."
Nunca estive numa selva, mas tal é a profundidade na descrição de Ferreira de Castro da floresta amazónica que qualquer pessoa consegue formar a imagem das suas palavras. É notável o esforço de Ferreira de Castro em conseguir "mostrar" a Selva de forma "quase- imparcial", uma vez que não a adjectiva segundo os seus gostos (bonita, feia, são adjectivos que F. Castro nunca utiliza, pois não a caracterizam verdadeiramente), mas tenta caracterizá-la de acordo com as impressões do protagonista (Alberto). Isto faz com que nós, leitores, não nos sintamos excluídos e possamos, "construir" as nossas próprias impressões.
 Um livro cujo contexto espacio-temporal em nada se assemelha ao meu e, possivelmente ao seu, mas ainda assim actual, pois impõe a questão da humanidade e da justiça: até que ponto somos influenciados por aquilo que nos rodeia? Será a "Justiça" apenas uma? É, sem dúvida, um livro meritório de apreço, pela sua história envolvente e, acima de tudo, pela forma como nos desperta e agita, não nos deixando passivos e indiferentes à realidade. Diria até o "must-read" número 502! [alusão ao livro apreciado em aula 501 MUST-READ BOOK.


Texto de Lisa Hartje Moura