quarta-feira, 17 de março de 2010

Diários - escritos e gráficos









Deixo-vos três exemplos de Diários Gráficos, o primeiro dos quais é de Eduardo Salavisa, o responsável pelas exposições e workshops que têm decorrido em T. Vedras. Os outros dois exemplos são de outros autores, mas foram recolhidos no seu site


  • Ao 10º B - 2ª feira iremos visitar a exposição, nos Paços do Concelho. O DT está avisado.

  • Ao 10º A - não consegui arranjar-vos hora. Talvez na última semana, num intervalo grande - aproveitem  para lá ir. Ou nas férias. Termina no fim de Março.

Mandem para aqui os vossos textos - retratos e auto-retratos!








sábado, 27 de fevereiro de 2010

Escritor na 1ª pessoa

Dentro do grande tema que estamos a conhecer - Textos autobiográficos - vejam com atenção estas passagens dos Cadernos de Lanzarote, diário que leva o nome da ilha.
(ver vídeo Ilha de Lanzarote)


CRIAÇÃO



20 de Abril
Esta manhã, quando acordei, veio-me a ideia do Ensaio sobre a cegueira, e durante uns minutos tudo me pareceu claro - excepto que do tema possa vir a sair alguma vez um romance, no sentido mais ou menos consensual da palavra e do objecto. Por exemplo: como meter no relato personagens que durem o dilatadíssimo lapso de tempo narrativo de que vou necessitar? Quantos serão precisos para que se encontrem substituídas, por outras, todas as pessoas vivas num momento dado? Um século, digamos que um pouco mais, creio que será bastante. Mas, neste meu Ensaio, todos os videntes terão que ser substituídos, por cegos, e estes, todos, outra vez, por videntes... As pessoas, todas elas, vão começar por nascer cegas, viverão e morreram cegas, a seguir virão outras que serão sãs da vista e assim vão permanecer até a morte. Quanto tempo requer isto? Penso que poderia utilizar, adaptando a esta época, o modelo “clássico” do “conto filosófico”, inserindo nele, para servir as diferentes situações, personagens temporárias, rapidamente substituíveis por outras no caso de não apresentarem consistência suficiente para uma duração maior da história.



21 de Junho
Dificuldade resolvida. Não é preciso que as personagens do Ensaio sobre a Cegueira tenham que ir nascendo cegas, uma após a outra, até substituírem, por completo, as que tem visão: podem cegar em qualquer momento. Desta maneira ficará encurtado o tempo narrativo.



2 de Agosto
Escrevi as primeiras linhas do Ensaio sobre a Cegueira.


15 de Agosto
Continuo a trabalhar no Ensaio sobre a Cegueira. Após um princípio hesitante, sem norte nem estilo, à procura das palavras como o pior dos aprendizes, as coisas parecem querer melhorar. Como aconteceu em todos os meus romances anteriores, de cada vez que pego neste, tenho que voltar a primeira linha, releio e emendo, emendo e releio, com uma exigência intratável que se modera na continuação. É por isso que o primeiro capítulo de um livro é sempre aquele que me ocupa mais tempo. Enquanto essas poucas páginas iniciais não me satisfizerem, sou incapaz de continuar. Tomo como um bom sinal a repetição desta cisma. Ah, se as pessoas soubessem o trabalho que me deu a página de abertura do Ricardo Reis, o primeiro parágrafo do Memorial, quanto eu tive que penar por causa do que veio a tornar-se o segundo capítulo da História do Cerco, antes de perceber que teria de principiar com um diálogo entre Raimundo Silva e o historiador... E um outro segundo capítulo, o do Evangelho, aquela noite que ainda tinha muito para durar, aquela candeia, aquela frincha da porta...




In CADERNOS DE LANZAROTE
 
Acedido em 27 de fevereiro de 2010.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Exercício 10ºB - resultados

Anne Frank

Bruno em O Rapaz do Pijama às Riscas



Aqui vão os resultados (procura nos comentários).

NS

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Leituras em dia...

Porque ler é uma alegria!




Quero dar os parabéns pela participação da Jessica, da Mariana e do Filipe no Concurso Municipal Linhas de Leitura

Aproveito também para publicamente congratular os vencedores da prova de escola do Concurso Nacional de Leitura, desejando que tenham muita sorte na prova Distrital que este ano é na Biblioteca de Sintra: Ana Marta, Tiago, Mariana, Susana (efectivos) + Mariana Santos (suplente).


Boas leituras!



E, claro, BOM CARNAVAL!

Foto: Noémia Santos. 2007

Concurso Nacional de Leitura - Fase Distrital

Aos concorrentes

Aqui ficam os livros escolhidos para as provas (em Sintra, de 12  17 de Abril).

Boas notícias - só têm de ler dois, a saber:



Antonio Skármeta: O Carteiro de Pablo Neruda




 

Sobre a METÁFORA! (só tenho em italiano; vale a pena!)

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Metáforas para definir “memória”

No nosso manual de português, na página 159, encontra-se um excerto de um texto do livro “Cadernos de Lanzarote”, da autoria de José Saramago, no qual o escritor descreve várias metáforas para definir “memória”. Na aula de Língua Portuguesa, a professora decidiu lançar-nos o desafio, propondo-nos que pensássemos e descobrissemos novas metáforas, para definir a mesma palavra, portanto, aqui deixo a minha contribuíção:



 A memória é como pegadas deixadas na areia, é uma prova da nossa existência e passagem pelos desafios da vida, dos quais apenas retiramos as lembranças que mais nos marcaram. No entanto, com a erosão do tempo, essas pegadas vão deixando de ser visíveis, sendo contínuamente substitúidas por outras.

 

Foto: Noémia Santos. 2009
 A memória também pode ser comparada a um álbum de fotografias, pois lá se encontram todas as nossas lembranças passadas e vamos sempre repondo novas. Contudo, com o passar do tempo, as fotografias vão perdendo a sua cor e definição inicial, bem como o papel vai ficando desgastado.



Estes são exemplos de metáforas para definir “memória”, todavia existem muitos mais. Em suma, a memória pode ser comparada com algo que seja como as nossas lembranças, aquelas que nos marcaram mais no passado e que podem e são contínuamente alteradas, esquecidas ou substituídas.



Disciplina: Língua Portuguesa
Docente: Noémia Santos
Aluna: Susana Ribeiro
10ºB nº22

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

O Rapaz do Pijama às Riscas



A Equipa do Plano Nacional de Leitura da nossa escola vai proporcionar aos alunos, em particular do 10º ano, a possibilidade de ver, analisar e reflectir sobre este filme que nos interpela, nos comove e nos faz pensar.
Esta iniciativa insere-se na promoção da leitura e corresponde aos seguintes pontos do Programa de 10º ano:

  • Descrever e interpretar imagens

  • Relatar vivências e experiências

  • Exprimir sentimentos e emoções

  • Desenvolver a capacidade de análise, de  auto-análise, conhecimento e aceitação do outro

A referida equipa elaborou um guião de análise do filme e da linguagem/gramática fílmica, que aqui se reproduz (também está no moodle).

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Textos auto-biográficos (III)

28 de Janeiro de 2010 16:59

A minha memória é pouco nítida, não há muito que contar ao contrário do que as pessoas podem pensar, visto que sou estrangeiro.

Nasci na Russia na cidade Ijevsk. Acho que as primeiras imagens foram de mim à andar numa canoa familiar com os meus pais e outros amigos deles nos rios daquela região, que nascem dos montes Urais. Aproximadamente naquela idade (4 ou 5 anos) lembro-me de ter um gato espertíssimo, que brincava e até dormia comigo.
Lembro os anos em que andei no jardim de infância a aprender a ler e escrever lá,  as a pessoa que me ensinou essas coisas foi, na verdade a minha irmã.
A escola lembro ainda melhor, aqueles corredores gigantes para mim naquela altura, e a iniciação à matematica e russo (entre outras disciplinas).

Lembro-me  de o pai  me comprar algum doce ou gelado ao levar me para a casa entre suas viagens à Europa. Portanto, na Russia vivi com a minha mãe e irmã.

Penso que naquela altura o meu pai foi para Portugal, e  não conseguiu habituar-se à Russia novamente (já que tinha vindo de Israel, e muito na hora, porque meio ano mais tarde tinha começado a guerra alí).

Entre o Infantário e a escola a mãe comprou um gato muito original que apareceu da cruzagem da espécie Persa com angorá. Foi um gato grande e todo branco, selvagem (até os cães tinham medo dele), mas respeitava a família.
Aproximadamente no final do 2º ano escolar fomos para Portugal. Primeiro para Santarém, mais tarde para Torres Vedras. Naquele tempo a vida para mim não mudou muito, como se diz em russo “o jarro é vazio”, portanto foi fácil de habituar, mas os meus pais achavam que a vida era muito diferente. Só começei a perceber mais tarde e a notar os aspectos positivos e negativos.

Entretanto a quantidade de acontecimentos tem aumentado com o passar o tempo. Parece que apenas nos últimos anos houve mais eventos/acontecimentos que no resto da vida.

Alexander R 10A nº1







Crédito das imagens:
worldpictures.wordpress.com
citycatalogue.fr
Arquivo da profª/ESHN
belohorizonte.olx.com.br

Textos autobiográficos (II)

As importância das minhas irmãs na minha infância


Há grandes pormenores que me influenciaram e me marcaram na minha infância e que eu provavelmente nunca esquecerei.

Eu tenho três irmãs mais velhas e elas ajudaram-me muito em pequeno, e em toda a minha vida. A minha irmã mais velha era como se fosse minha mãe, cuidava muito bem de mim e preocupava-se muito comigo.

Lembro-me muito bem de uma vez - quando tinha por volta dos 6 anos - estar em casa com muita febre e estar só com a minha irmã mais nova e ela tratou de mim e estava só a tentar que eu ficasse melhor até que a nossa mãe pudesse chegar e levar-me ao hospital. Também me lembro de no verão as minhas irmãs quererem ir para a praia com os amigos e eu convencê-las sempre a levarem-me com elas, e eu gostava muito, divertia-me imenso.

As minhas irmãs foram muito importantes para mim na minha infância, e sempre serão.

Luís Henriqueta Gomes, nº15, 10ºC



31 de Janeiro de 2010 15:27

Lembro-me vagamente da minha infância mas como acontece com a maior parte das pessoas, houve lugares, nomes, caras que me marcaram e será bastante complicado esquecê-los.


Recordo aquelas manhãs que passava a brincar com a linda cadela castanha do meu avô. Adorava meter-me em cima dela como se de um cavalo se tratasse, fingindo que era um cowboy como aqueles que via na televisão.

Relembro hoje as feições de um humilde agricultor, e sempre que este me via brincar sorria; nunca irei esquecer aquela pessoa que marcou a minha infância e a minha vida.

Outra das coisas que mais amava fazer era ir à Serra da Estrela, andar de trenó com o meu pai, eram sem dúvida momentos excelentes que irei relembrar para toda a minha eternidade.


São estes pequenos grandes pormenores que nos ajudam a crescer por isso é muito bom viver uma infância feliz e disfrutar ao máximo.



Bernardo Brasil

10ºA, nº5



Crédito das imagens:
three-sisters-vineyard.co.uk
ana-alfa.blogspot.com
prof.ª Noémia Santos

Textos auto-biográficos

Entre 26 de Janeiro e 1 de Fevereiro recebi vários contributos relativos aos textos auto-biográficos.
Porque talvez corram um pouco o risco de ser "perderem", aqui os deixo, com ligeiras correcções.

Espero que vos agradem tanto como a mim me agradaram.
Obrigada aos que escreveram, por me/nos deixarem partilhar convosco tais memórias.



Voltando atrás e relembrando a minha infância… as vozes mais marcantes foram de algum modo as vozes dos meus familiares e amigos como é natural. Não me recordo o que me diziam mas ainda consigo lembrar-me das suas vozes naquela altura como se fossem momentos recentes, e posso ainda acrescentar que grande parte do que sou hoje foi graças a elas, que me conduziram.

As caras e os lugares… estão relacionados com o mesmo espaço e tempo visto que a passei a minha infância inteira, infantário e escola primária, no mesmo local e com os mesmos amigos. O pormenor mais marcante de que me consigo lembrar agora foi no dia em que aprendi definitivamente a andar de bicicleta. Tinha descido uma estrada bastante inclinada que por sua vez continuava por uma rua ainda um pouco inclinada, e, não tinha travões, logo, com uma idade infantil e sem dominar por completo a habilidade, não tinha controlo sobre a bicicleta. Continuei pela rua abaixo e só não parei no chão, penso eu, porque me ouviram gritar rua abaixo e se puseram à frente da bicicleta e parar-me de vez. Foi um grande susto… mas aprendi a andar de bicicleta.

Luís G. Gomes 10ºA


Passei praticamente toda a minha infância na creche, com os meus colegas e com as minhas educadoras. Adorei. Foram sem dúvida os melhores anos da minha vida. Lembro-me das caras deles, exactamente como eram, e como são agora, poucas foram as que mudaram, até o sorriso do nosso motorista ficou gravado no meu pensamento!

Relembro o toque e a maneira carinhosa como todas as educadoras me trataram. Tal como os meus colegas, são nomes e caras que nunca esquecerei.

É engraçado, olhar para o passado e recordar-me dos espaços: a casinha das bonecas, o canto das trapalhadas, o cabeleireiro, o hospital, o parque infantil, no fundo o mundo de fantasia que nos foi criado para proporcionar um crescimento saudável. Tenho bastante presente na memória as traquinices que fiz e os avisos que recebi nos últimos anos de creche, marcaram-me no bom sentido!

Na creche aprendi a escrever o meu nome, a fazer o primeiro laço (que daria nos meus sapatinhos!), a realizar as tarefas de sala, a ter espírito de equipa, a tomar conta de animais, mas essencialmente fui ensinada a respeitar os outros. Todos os que permanecem nas minhas memórias são importantes.

Patrícia 10ºA Nº18 TPC para 27-01-2010



26 de Janeiro de 2010 23:11  

Tive uma infância normal como todas as crianças. Brinquei e fiz as traquinices como toda a gente. Mas do que me recordo melhor da minha infância, quando tinha 4 ou 5 anos é de estar em casa dos meus avós e irem lá senhores falar com o meu avô. Eu punha sempre conversa e achavam muito engraçada a forma como eu me dirigia a eles. Lembro-me bem das vozes deles e das suas feições. Provavelmente ainda consigo reconhecer alguns ainda hoje. Quando lá iam várias vezes e eu não sabia os seus nome, inventava-os. Eles achavam muita graça e até chegaram a dar-me presentes pelo Natal.

Emanuel Antunes Nº9 10ºA



sábado, 30 de janeiro de 2010

Concurso Linhas de Leitura


CONCURSO MUNICIPAL
 LINHAS DE LEITURA



REGULAMENTO
Artº 6º - Provas de selecção

Trata-se de uma prova pública, a ser efectuada durante o dia 3 de Fevereiro de 2010, pelas 10h30, no auditório da Câmara Municipal de Torres Vedras.

Na prova participarão os concorrentes inscritos pelas escolas do concelho.

As provas serão concebidas e organizadas pelo Júri.

Como princípio geral orientador do Concurso Municipal de Leitura está o prazer de ler, pretendendo-se estimular nos concorrentes o gosto pela leitura e o contacto com os livros. Assim, as provas serão escritas e avaliarão os conhecimentos dos concorrentes sobre as obras seleccionadas, podendo constar de questionários de escolha múltipla, questões abertas e comentário pessoal redigido pelo participante.
 
 

Auditório da Câmara
 
 

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010


"MORTE AOS FRANCESES, C.(Cecil) S. (Scot) Forester. Publicações Europa-América, col. Livros de Bolso Europa-América, nº 343, Lisboa,s/d. 147 p. « A última invasão francesa de Portugal em 1810 encurralou Wellington nas Linhas de Torres Vedras. O atirador Dodd do 95º ficou separado do seu regimento e decidiu organizar sozinho um bando de guerrilheiros portugueses que irá atormentar os franceses durante vários meses...» (da contra-capa). C.S. Forester foi um autor muito popular na primeira metade do séc.XX. Escreveu muitos romances históricos, de que se destacam os que situou na Guerra Peninsular, como este pequeno livro que evoca acontecimentos ligados que estamos a lembrar no Bicentenário das Guerras Napoleónicas em Portugal."
In: http://linhasdetorres.blogspot.com/2009/08/bicentenario-das-invasoes-francesas.html

Esta obra em inglês tem o mesmo título - Death to the French, mas a versão americana saiu com o título RIFLEMAN DODD .

C.S. Forrester. Death to the French The novel that inspired Bernard Cornwell's Sharpe series. It is 1810, and the last French invasion of Portugal has penned Wellington's army behind the river Tagus with their backs to the sea. Separated from his regiment, Rifleman Dodd of the Ninety-Fifth stumbles on a band of undisciplined Portuguese peasants. With rough inventiveness he transforms this ramshackle group into an organised fighting force, continually harrying French as Dodd fights his way back to his own lines. Written by the author of the Hornblower series, Death to the French is a classic novel of the Peninsular War. http://british-cemetery-elvas.org/reading.html

Imagens do filme sobre as Aventuas de Sharpe, baseada nos livros de B. Cornwell


Ver excertos do filme baseado em Sharpe e o Ouro (Sharpe's Gold)
Início
Sir Artur Welligton
Sharpe encontra o ouro. Final

Nas obras de Bernard Cornwell relacionadas com este tema, há uma clara inspiração nesta obra de Forester, em particular em Sharpe e o Ouro e no mais recente A Fuga deSharpe:

In "Sharpe's Escape" (2004) one of Bernard Cornwell's Richard Sharpe novels (which were partly inspired by Death to the French), a Rifleman named Matthew Dodd is separated from Sharpe's company during a skirmish during the Peninsular Campaign in 1810. Cornwell has acknowledged on his website that this character is intended to be the same individual depicted by Forester in "Death to the French." [1]http://www.answers.com/topic/death-to-the-french

Visita os sítios de:
Bernard Cornwell

Perguntas e respostas aos leitores. Podes colocar perguntas ao autor aqui.

Admiradores de Sharpe têm um sítio com filmes, excertos das obras, informações sobre os temas e muito mais em:
http://bernardcornwellbr2.vilabol.uol.com.br/sharpedownloads/gold.htm
http://bernardcornwellbr.vilabol.uol.com.br/obras/todas_serie.htm








Whoever forgets history is doomed to relive it.               
Celui qui ne se souvient pas du passé est condamné à le revivre.
Quem esquec a História, está condenado a revivê-la.




George Santayana 1863-1952





Aprende mais sobre as Linhas de Torres e o sistema de semáforos usados durante a Guerra Peninsular em:



"A memória é a história do mundo"


Imagem*: René Magritte, O Falso Espelho, 1928

A memória é uma imagem do passado menos nítida do que a verdade
Bruno 10ºA

A memória é desgastada, erodida e desfaz-se, transformando o que era outrora uma rocha sólida , em pequenos grãos de areia que, a pouco e pouco, formarão novas rochas, tendo estas diferentes recordações, mas ainda pequenas partículas das anteriores, as quais não podem ser destruídas...


Maria Silva .10ºA

A memória é um vulcão, que a partir do momento em que explode deixa para sempre vestígios de cinzas.
Patrícia 10ºA

A memória é como uma agulha no palheiro: está lá, mas poderemos nunca a encontar

Luís G. Gomes 10ºA


A memória é tal como um hotel, no qual as pessoas se alojam, umas só por uma noite e outras por meses, acabando todas por sair um dia.

Gonçalo Arsénio 10ºA


A memória é uma estação de via-férrea inactiva, pois o comboio passa mas nós não o conseguimos apanhar.

Sebastião 10ºA


A memória é uma praia deserta. Os ventos do esquecimento diariamente varrem os grãos de areia das dunas, substituindo-os por novos. Torna-se um ciclo vicioso, entre o esquecimento... e o aparecimento de novas memórias.

Tiago Henrique Rosado nº24 10ºB


Memórias ... as nítidas, as que marcam... permanecem, são guardadas e recordadas de forma a que o tempo passe e não destrua a imagem a cores que são e que as mantêm acesas como fogo e firmes e sólidas em mim.

Memórias ... as a preto e branco ... essas já marcaram, mas sem querer, mesmo sem querer ... deixei que o tempo as levasse. Deixei que passassem de perto a longe. Mas não as esqueço facilmente: são estações de ano em mim, voltam em períodos, de tempo em tempo ... ou simplesmente, voltam, quando toco na ferida que não sarou.

Memórias ... outras já esquecidas ... sem porto de abrigo. Já não me lembro de quais eram, nem sei se eram ... ou se vieram! São enigmas não descifráveis. Já não as reconheço.

Mariana Viola 10ºB nº16



Salvador Dali, Persistência da memória (1954)

A memória é um computador. Os ficheiros são guardados e só se perdem quando são apagados de propósito ou sem ele.
Mariana Freitas 10ºB nº17


A memória é um livro. Contém muita informação, mas para a conseguir tem que se estar na página correcta.

A memória é a história do mundo. Apenas consegue registar o passado e o presente, mas nunca o futuro, acentuando em si os episódios mais importantes.
José Freitas, 10ºB

A memória é um armário desarrumado que tem camisolas velhas e novas, umas já com buracos, outras ainda com etiquetas.

Inês Vieira, 10ºB, nº8




MEMÓRIA (S)
Estes contributos foram dados entre 12 de 24 de Janeiro de 2010.
 
Quem desejar pensar e escever outras sugestões, pode fazê-lo. A memória tem sempre uma porta berta para novas entradas...
 
 


domingo, 10 de janeiro de 2010

Sento-me aqui nesta sala vazia e relembro.

Narciso*

Nas histórias autobiográficas (romances, novelas, contos…), o narrador recorre frequentemente a verbos como lembrar, relembrar, recordar, , evocar ou outros que dêem conta desse exercício da «trazer à memória».

Vou apresentar-vos o exemplo do romance de Vergílio Ferreira, Aparição, que começa, como vos disse, assim:

Sento-me aqui nesta sala vazia e relembro. Uma lua quente de Verão entra pela varanda, ilumina uma jarra de flores sobre a mesa. Olho essa jarra, essas flores, e escuto o indício de um rumor de vida, o sinal obscuro de uma memória de origens.
(...)

Pelas nove da manhã deste dia de Setembro cheguei enfim à estação de Évora. Nos meus membros espessos, no crânio embrutecido, trago ainda o peso de uma noite de viagem. E agora, que escrevo esta história à distância de alguns anos, exactamente neste mesmo casarão em que tudo se passou, relembro vivamente [essa] manhã de Setembro.


Aparição de Vergílio Ferreira.


Repara que o narrador mostra-nos desde o início o espaço da narração: através do advérbio aqui, do  esta e do verbo relembrar no presente do indicativo - relembro.
O espaço da narração é a sala vazia em que o narrador está e no qual relembra a história que se passou consigo, em Évora, que é o espaço em que decorre a história que vai contar/a narrativa.

 
E este autor é tão original ao fazê-lo, trabalha a linguagem de tal forma que muitos colegas vossos quando falam deste texto referem, frequentemente, "o poeta" para se referir ao romancista. Aprecia:
 
(...)  Sinto, sinto nas vísceras a aparição fantástica das coisas, das ideias, de mim, e uma palavra que o diga coalha-me logo em pedra. Nada mais há na vida do que o sentir original, aí onde mal se instalam as palavras, como cinturões de ferro, aonde não chega o comércio das ideias cunhadas que circulam, se guardam nas algibeiras. Eu te odeio, meu irmão das palavras que já sabes um vocábulo para este alarme de vísceras e dormes depois tranquilo e me apontas a cartilha onde tudo já vinha escrito... E eu te digo que nada estava ainda escrito, porque é novo e fugaz e invenção de cada hora o que nos vibra nos ossos e nos escorre de suor quando se ergue à nossa face.
 
VF
 

Para saber mais: http://cvc.instituto-camoes.pt/filosofia/1910j.html

* Créditos da imagem de Narciso (sítio acedido em 10 Jan.2010):
http://media.photobucket.com/image/imagens%20narciso/RIPyEnus/Narciso_2.jpg

Bocage e Florbela


Nunca se pode pensar, como vimos no texto da Profª Clara Rocha e nas nossas reflexões que um texto - mesmo que autobiográfico ou com marcas mais evidentes da vida do seu autor - é uma cópia, uma reprodução fiel. A escrita cria, sempre e obrigatoriamente, distância.


Para voltarmos à aula anterior o espelho reflecte o real, mas não é uma projecção.


Deixo-vos, no entanto, com versos de dois poetas portugueses, cuja escrita é mais marcadamente autobiográfica: Bocage e Florbela Espanca.




Bocage (1765 -1805)
 
 

Já Bocage não sou!... À cova escura

Meu estro vai parar desfeito em vento...
Eu aos céus ultrajei! O meu tormento
Leve me torne sempre a terra dura.

Conheço agora já quão vã figura
Em prosa e verso fez meu louco intento.
Musa!... Tivera algum merecimento,
Se um raio da razão seguisse, pura!


Eu me arrependo (…)

Oh! Se me creste, gente ímpia,
Rasga meus versos, crê na eternidade!

Bocage

 
Flobela Espanca (1894-1930)

Falo de ti às pedras das estradas,

E ao sol que e louro como o teu olhar,
Falo ao rio, que desdobra a faiscar,
Vestidos de princesas e de fadas;

Falo às gaivotas de asas desdobradas,
Lembrando lenços brancos a acenar,
E aos mastros que apunhalam o luar
Na solidão das noites consteladas;


Digo os anseios, os sonhos, os desejos
Donde a tua alma, tonta de vitória,
Levanta ao céu a torre dos meus beijos!

E os meus gritos de amor, cruzando o espaço,
Sobre os brocados fúlgidos da glória,
São astros que me tombam do regaço!
Florbela Espanca, in "A Mensageira das Violetas"
 
 

 

Para ouvir:   Ser Poeta - Florbela Espanca - Cantado por Luís Represas (acedido em 10 Jan/10)

Para saber mais:
Flobela - http://www.vidaslusofonas.pt/florbela_espanca.htm
Bocage - http://alfarrabio.di.uminho.pt/vercial/bocage.htm