quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Ler nas linhas e nas entrelinhas


Tal como prometido, deixo a correcção das

versões A e B do exercício.

Somos a memória que temos, sem memória não saberíamos quem somos. Esta frase, brotada da minha cabeça há muitos anos, no fervor de uma das múltiplas conferências e entrevistas a que o meu trabalho de escritor me obrigou, além de me parecer, imediatamente, uma verdade primeira, daquelas que não admitem discussão, reveste-se de um equilíbrio formal, de uma harmonia entre os seus elementos que, pensava eu, contribuiria em muito para uma fácil memorização por parte de ouvintes e leitores. Até onde o meu orgulho vai, e apraz-me declarar que não chega muito longe, envaidecia-me ser o autor da frase, embora, por outro lado, a modéstia, que também não me falta de todo, me sussurrasse de vez em quando ao ouvido que tão certa era ela como afirmar com toda a seriedade que o sol nasce a oriente. Isto é, uma obviedade.

(Excerto do texto de José Saramago)


A resposta assinalada a negrito é a correcta

VERSÃO A

Registe a versão do seu exercício e responda ao questionário seguinte.

1. Para responder aos itens 1 a 6, seleccione, em cada um dos itens, a única alternativa que permite obter uma afirmação adequada ao sentido do texto. Escreva, na folha de respostas, o número de cada item, seguido da letra que identifica a alternativa correcta.

1.1. O sentido da frase “Somos a memória que temos, sem memória não saberíamos quem somos.” é o de que:

A. sem memória perderíamos a qualidade de humanos.

B. sem memória seríamos incapazes de viver.

C. é a memória que nos define.

D. é a memória que nos dá equilíbrio formal e harmonia.

1.2. Segundo o autor, a referida frase - “Somos a memória (…) não saberíamos quem somos”:

A. constitui uma verdade que, de vez em quando, alguém lhe sussurra ao ouvido.

B. anda na cabeça do escritor há muitos anos.

C. refere-se ao fervor próprio de uma das suas múltiplas conferências.

D. traduz uma sentença insofismável.

1.3. O autor apresenta-se como:

A. muito orgulhoso e muito modesto.

B. limitado no orgulho e modesto.

C. nem orgulhoso nem modesto.

D. bastante orgulhoso, embora limitadamente modesto.

1.4. A palavra «seriedade» (l. 10) é formada por:

A. um processo morfológico que consiste em associar duas formas de base.

B. um processo analógico de associação entre um sufixo a uma forma de base.

C. um processo morfológico que consiste em associar um prefixo a uma forma de base.

D. um processo morfológico que consiste em associar um sufixo a uma forma de base.

1.5. Com a frase “[a]nossa memória [integra-se] por assim dizer, no grupo das espécies em vias de extinção”, o autor refere-se à descoberta:

A. de uma molécula com capacidade de apagar as memórias.

B. da sua própria perda de memória, devido à idade avançada.

C. de uma molécula que deixa o cérebro livre da carga recordatória à nascença.

D. da inexistência de capacidade de memória nos bebés.

1.6. Em relação à publicação da referida descoberta, o autor:

A. considera este avanço da ciência uma barbaridade.

B. não a deseja, porque se habituou a ser o que a memória fez de si.

C. não a deseja, porque os seus actos nem sempre foram os mais merecedores.

D. não está de todo descontente com o resultado da investigação.



VERSÃO B

Registe a versão do seu exercício e responda ao questionário seguinte.

1. Para responder aos itens 1 a 6, seleccione, em cada um dos itens, a única alternativa que permite obter uma afirmação adequada ao sentido do texto. Escreva, na folha de respostas, o número de cada item, seguido da letra que identifica a alternativa correcta.

1.1. O sentido da frase “Somos a memória que temos, sem memória não saberíamos quem somos.” é o de que:

A. é a memória que nos dá equilíbrio formal e harmonia.

B. sem memória seríamos incapazes de viver.

C. é a memória que nos define.

D. sem memória perderíamos a qualidade de humanos.

1.2. Segundo o autor, a referida frase - “Somos a memória (…) não saberíamos quem somos”:

A. traduz uma sentença insofismável.

B. refere-se ao fervor próprio de uma das suas múltiplas conferências.

C. constitui uma verdade que, de vez em quando, alguém lhe sussurra ao ouvido.

D. anda na cabeça do escritor há muitos anos.

1.3. A palavra «seriedade» (l. 10) é formada por:

A. um processo morfológico que consiste em associar um prefixo a uma forma de base.

B. um processo morfológico que consiste em associar um sufixo a uma forma de base.

C. um processo analógico de associação entre um sufixo a uma forma de base.

D. um processo morfológico que consiste em associar duas formas de base.

1.4. O autor apresenta-se como:

A. nem orgulhoso nem modesto.

B. bastante orgulhoso, embora limitadamente modesto.

C. limitado no orgulho e modesto.

D. muito orgulhoso e muito modesto.

1.5. Com a frase “[a]nossa memória [integra-se] por assim dizer, no grupo das espécies em vias de extinção”, o autor refere-se à descoberta:

A. da inexistência de capacidade de memória nos bebés.

B. de uma molécula com capacidade de apagar as memórias.

C. da sua própria perda de memória, devido à idade avançada.

D. de uma molécula que deixa o cérebro livre da carga recordatória à nascença.

1.6. Em relação à publicação da referida descoberta, o autor:

A. não a deseja, porque os seus actos nem sempre foram os mais merecedores.

B. considera este avanço da ciência uma barbaridade.

C. não está de todo descontente com o resultado da investigação.

D. não a deseja, porque se habituou a ser o que a memória fez de si.


Mais notícias na próxima edição.


terça-feira, 30 de novembro de 2010

A Rapariga que Roubava Livros


Música «Searching»

Revisitação das cenas de Liesel e Max: quando este está escondido na cave dos seus pais adoptivos,quando desaparece, quando vai a caminho do campo de concentração de Dachau e Liesel o reencontra por entre a multidão de judeus.


A palavra ao autor


Markus Zusak

A Rapariga que Roubava Livros


No blogue do 11º - deve-e-haver - há mais informação sobre os livros do contrato de leitura/do Concurso Nacional de Leitura.
  • Uma rapariga
  • Algumas palavras
  • Um acordeonista
  • Alguns alemães fanáticos
  • Um pugilista judeu
  • E uma boa dose de furtos
Não podes perder o romance:

A Rapariga que Roubava Livros

Num tempo em que alguns homens os queimavam!




segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Sinopse do livro de Markus Zusak



Quando a morte nos conta uma história
temos todo o interesse em escutá-la.

Assumindo o papel de narrador em A Rapariga Que Roubava Livros, vamos ao seu encontro na Alemanha, por ocasião da segunda guerra mundial, onde ela tem uma função muito activa na recolha de almas vítimas do conflito.

E é por esta altura que se cruza pela segunda vez com Liesel, uma menina de nove anos de idade, entregue para adopção, que já tinha passado pelos olhos da morte no funeral do seu pequeno irmão. Foi aí que Liesel roubou o seu primeiro livro, o primeiro de muitos pelos quais se apaixonará e que a ajudarão a superar as dificuldades da vida, dando um sentido à sua existência. Quando o roubou, ainda não sabia ler, será com a ajuda do seu pai, um perfeito intérprete de acordeão que passará a saber percorrer o caminho das letras, exorcizando fantasmas do passado.

Ao longo dos anos, Liesel continuará a dedicar-se à prática de roubar livros e a encontrar-se com a morte, que irá sempre utilizar um registo pouco sentimental embora humano e poético, atraindo a atenção de quem a lê para cada frase, cada sentido, cada palavra. Um livro soberbo que prima pela originalidade e que nos devolve um outro olhar sobre os dias da guerra no coração da Alemanha e acima de tudo pelo amor à literatura.

Informação fornecida pela editorial Presença


quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Leituras - As Intermitências da Morte

E se a morte deixasse de matar?


"Todos os meus livros partem de uma situação improvável ou impossível, sem excepções.”José Saramago


"Se algum talento tenho, é transformar o improvável e o impossível em algo provável e possível. Quero que gostem desse livro por duas razões porque el e merece e porque eu mereço", disse Saramago.

O romance mostra como a agitação e alegria provocadas num país imaginário pela reforma da Morte se convertem logo a seguir num motivo de preocupação, pelo impacto político, económico, social e até religioso da nova situação.

O escritor português avançou que seu novo romance é "extremamente divertido" e que fala sobre a morte "e, portanto, é um livro sobre a vida".

A ausência de mortes de um dia para o outro, sonho milenar da Humanidade, como explicou José Saramago, converte-se repentinamente numa dor de cabeça para governantes e cidadãos.

"Como o tempo não pararia, as pessoas envelheceriam e ficariam numa situação de velhice eterna", afirmou o escritor no lançamento da sua obra.

Com uma população envelhecida, o governo desse país imaginário não sabe como resolver o problema da Segurança Social, as pessoas deixam de saber o que fazer com uma existência imortal e até a fé cristã fica em xeque, pois sem morte não há ressurreição nem vida eterna, comentou José Saramago.


O escritor revelou que teve a ideia de escrever esta obra ao ler um livro que relatava a morte de um pessoa e começou a pensar no que aconteceria se os homens não morressem. "O ser humano alimentou sempre a esperança de conseguir a imortalidade, mas sem a Morte a Vida seria um caos", comentou.


"Quando nasci, a esperança de vida na minha aldeia era de 35 anos e dentro de três semanas faço 83 anos, por isso já me sinto um bocado a entrar na eternidade", gracejou.

Lê a entrevista completa em:

domingo, 17 de outubro de 2010

O que o André mudava



A minha aldeia é uma das aldeias mais desenvolvidas do concelho de Torres Vedras, devido a proximidade com a cidade.
Porem é uma aldeia constituída por população envelhecida.

Se eu tivesse a possibilidade de a mudar, construiria um espaço dinâmico para as diferentes classes sociais e para todas as idades.
Ajudava no desenvolvimento e crescimento da minha aldeia, para conseguir atrair mais população jovem, turismo e comércio.


26 de Setembro de 2010 13:29
André Brito

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Hipocrisia

As pequenas mentiras, simulações e devoções fingidas nascem da desvontade de enfrentar situações desagradáveis. Todos estes actos, para nós, seres sociáveis, são inaceitáveis.

Mas não seremos nós hipócritas, exigindo honestidade dos outros - colegas, amigos, familiares e conhecidos - quando, na verdade, nós mesmos não somos verdadeiros na intimidade da nossa alma.

Se pudesse, mudava muita coisa, mas começava pelas pessoas.


Ana Catarina Valentim, 10º


Lê o poema de F
ernando Pessoa sobre "escutar o coração"; na mesma página, por ordem alfabética, estão arquivados muitos outros poemas deste poeta.
Boas leituras!

Na terra onde vivemos

Na terra onde vivemos, vemos sempre coisas más. Pelo mundo inteiro há pobreza, racismo, venda de drogas, violação e muitas coisas que não deviam existir - Eu mudaria isso, definitivamente.Temos todos que viver, uma "vida que é vivida e a outra que é pensada". É a única vida que temos e é dividida entre o bem e o mal. Qual é boa ou má - ninguém nos saberá explicar. E "vivemos da maneira que a vida que a gente tem, é a que tem que pensar"...

Lyubomyra Vaslavska 10ºA
22 de Setembro de 2010 14:35


A Lyubomyra fez uma adaptação do poema de Fernando Pessoa, que aqui vos deixo.

Tenho tanto sentimento
Que é frequente persuadir-me
De que sou sentimental,
Mas reconheço, ao medir-me,
Que tudo isso é pensamento,
Que não senti afinal.

Temos, todos que vivemos,
Uma vida que é vivida
E outra vida que é pensada,
E a única vida que temos
É essa que é dividida
Entre a verdadeira e a errada.

Qual porém é verdadeira
E qual errada, ninguém
Nos saberá explicar;

E vivemos de maneira
Que a vida que a gente tem
É a que tem que p
ensar.
***Fernando Pessoa***




Nota: Quando usamos palavras retiradas de algum autor, temos sempre que fazer essa referência.

Na minha terra


Na minha terr
a, há várias coisas que eu mudava, por exemplo: os transportes públicos que lá passam.
Nós, se queremos ir para Torres Vedras, ou vamos de manhã cedo ou a meio da tarde. Só quando é tempo de aulas existem mais autocarros de manhã e à tarde.
Na minha terra, também há poucos sítios onde os jovens se podem divertir: só há um café que normalmente é frequentado por pessoas mais velhas. Devia haver um local onde os jovens se pudessem reunir para conviver.
Cláudia Estêvão 10º A
21 de Setembro de 2010 20:19

Algo que mudaria

O que eu mudaria, se pudesse, seria algo muito comum na nossa sociedade actual: discriminação.

Como podemos ver todos os dias, à nossa volta, muitas pessoas são discriminadas, pelo mais fúteis motivos, desde o facto de não terem certa roupa até à sua aparência geral, seja pelo estilo como se apresentam ou pela maneira de ser.
A discriminação é apenas um dos pontos “por limar” da nossa sociedade, e seria uma coisa que eu mudaria, com toda a certeza.

João Desidério
20 de Setembro de 2010 13:36

Opinião


Se fosse eu a mandar…

Se fosse eu a mandar, punha os meus trabalhadores a limparem a praia da Foz do Sizandro porque de Inverno, mais do que no verão, há muito lixo não só à beira do rio, como também na beira do mar e dentro dele. Limpava principalmente essa praia, porque quando estou a surfar, por vezes estou a arredar copos de iogurte, plásticos, tampas de latas, e isso por vezes tornasse muito cómodo quando nos estamos a tentar divertir, neste caso praticando o BodyBoard.

Mário Carvalho

Imagem em: paginas-e-momentos-soltos.blogspot.com

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Inteligência artificial


Ele não era um verdadeiro humano...mas amava como se fosse.




Metroplis - a desumanização - http://www.youtube.com/watch?v=4x_37i79QGg&feature=related

sábado, 11 de setembro de 2010

Bem vindo ao 10º Ano


N.S., Ilha Palmaria, Itália
Caros alunos do 10º A

Espero que tenham tido uma boas férias; junto ao mar ou no campo ou na cidade, isso não importa.

O que vale, mesmo, é a vontade de viver intensamente este novo ano escolar.


Neste espaço - cujos conteúdos serão construídos e partilhados por todos nós - vamos ler, escrever, reescrever, inserir vídeos e fotos criados por nós, partilhar ideias, desenvolver a expressão e a imaginação, consultar sítios e documentos de apoio ao estudo, relacionar textos e imagens...

As possibilidades são inimagináveis. Por isso, os vossos colegas que agora estão no 11º ano (turmas A e o B) chamaram a este blogue «Asas da Fantasia».


Para começar, cada grupo carrega em "Comentários" e escreve o texto que retrata o problema e a potencialidade que observou e sobre os quais reflectiu.

Os que tenham feito filme com o telemóvel, combinam comigo a forma de incluir as imagens.



Para já, vê o vídeo e regista no caderno outros exemplos semelhantes, e  a respectiva regra.


Bom ano!

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Nascimento


Berço estelar. NASA

Não devemos ter medo dos confrontos. Até os planetas se chocam, e do caos nascem as estrelas.

Charles Chaplin


Sou homem: duro pouco

e é enorme a noite.

Mas olho para cima:

as estrelas escrevem.

Sem entender compreendo:

Também sou escritura

e neste mesmo instante

alguém me soletra.

Octavio Paz




Já vos deixei descansar algum tempo. Preparem-se pois, dentro de dias, começo a enviar ideias e sugestões, sobretudo para aqueles que irão cumprir o programa de melhoria de texto.

Aproveitem bem estes dias. Olhem para as estrelas, alarguem horizontes.

Até breve.


sexta-feira, 11 de junho de 2010

Diário de Viagem (Filipe)



O meu dia começou às 6:10.


Hoje é dia 5 de Maio e tenho intermédio de matemática. Sinto-me preparado para o fazer mas há sempre um “bichinho na barriga”.

07:00h – Saí de casa e vou a caminho da estação. Parece-me que hoje vai estar um dia agradável.

Questiono-me, durante todo o ano, por que razão tenho de apanhar o comboio a esta hora? Bem sei que os meus pais não têm possibilidade de me levar todos os dias à escola, mas o problema também não é deles, muito menos meu.

A falta de condições e de acessibilidade horária dos comboios portugueses da zona oeste, à qual pertenço, fez com que hoje, depois das 12:00h (hora a que acaba o teste intermédio de matemática do décimo ano), me juntasse com outras pessoas e lutassemos pela melhoria das linhas do oeste.

12:16h – Finalmente , cheguei à estação de Torres Vedras e logo apontei as horas. Nem acredito que vou passar o dia a escrever e a olhar para o relógio. Até pode ser bastante recreativo.
(...)

12:31h – Entregaram-nos um poster e um calendário relacionados com a campanha “PARE ESCUTE OLHE” – tem como objectivo central a sensibilização da sociedade para a problemática da sinistralidade nas passagens de nível, o envolvimento de outras entidades e a consciencialização dos utilizadores destes atravessamentos para a importância do cumprimento escrupuloso das regras de segurança.

12:32h – Como se não bastasse, no minuto seguinte, ainda me oferecem dois livros:

• RINEHART, Mary Roberts. A Cicatriz Reveladora. Lisboa: Edição “Livros do Brasil”.

• CHAMOISEAU, Patrick. Texaco. Lisboa: ASA Edições, 1ª edição: Maio 2000.




(...)
A diversão, as visitas acabaram. Em direcção à estação, novamente, os sorrisos do início do dia passam a caras sujas de cansaço, sujas do desespero de chagar a casa.



Hoje em dia os autocarros e os carros próprios ultrapassaram o comboio. As estações, os comboios os apeadeiros estão vazios. Mas de quem será a culpa?


O transporte ferroviário é, sem dúvida, aquele cuja pegada de carbono é menor, devendo ser olhado como um excelente meio de transporte de passageiros ou de mercadorias, sejas nas linhas urbanas, suburbana ou de longo curso, o comboio apresenta-se cada vez mais como uma solução eficaz para ligar não só os vários pontos da cidade mas também as cidades.

Os comboios têm vantagem sobre os carros na medida em que podem transportar passageiros a velocidades muito superiores, evitando congestionamentos. Em viagens que liguem os centros de duas cidades, os comboios podem ser três vezes mais rápidos que um carro. Em geral, quanto maior a viagem, maior a vantagem do comboio.

Volto a questionar-me. Com vantagens tão explícitas e benéficas será possível que, não só as linhas do oeste mas, todas as linhas ferroviárias não tenham o apoio que hoje, nós jovens torrienses hoje tentámos demonstrar?
Crónica





Excerto


«Toda a gente está convencida de que o IKEA vende móveis baratos, o que não é exactamente verdadeiro. O IKEA vende pilhas de tábuas e molhos de parafusos que, se tudo correr bem e Deus ajudar, depois de algum esforço hão-de transformar-se em móveis baratos. É uma espécie de Lego para adultos. Não digo que os móveis do IKEA não sejam baratos. O que digo é que não são móveis. Na altura em que os compramos, são um puzzle. A questão, portanto, é saber se o IKEA vende móveis baratos ou puzzles caros. Há dias, comprei no IKEA um móvel chamado Besta. Achei que combinava bem com a minha personalidade. Todo o material de que eu precisava e que tinha de levar até à caixa de pagamento pesava 600 quilos. Percebi melhor o nome do móvel. É preciso vir ao IKEA com uma besta de carga para carregar a tralha toda até à registadora. Este é um dos meus conselhos aos clientes do IKEA: não vá para lá sem duas ou três mulas. Eu alombei com a meia tonelada. O que poupei nos móveis, gastei no ortopedista. Neste momento, tenho 12 estantes e três hérnias.»



Crítica/Comentário

Na minha opinião o livro da autoria de Ricardo Araújo Pereira intitulado por “Boca do Inferno” é muito interessante, pois através do seu lado humorista, o autor expõe diversos assuntos actuais, com os quais nos deparamos nas redes sociais.

Gostei muito de ler esta obra, pois permiti-nos rir um pouco, com assuntos que interpretados de outra forma não tinham tanto interesse para o público-alvo.

Ricardo Araújo Pereira aborda todos estes temas de uma forma natural, mas particularmente cómica.

Pessoalmente, gostei muito da crónica do ikea, pois retrata uma situação que acontece, ou seja é realista, mas de uma forma espontânea e associada ao riso, permitindo que o público encare a realidade de uma forma mais suave.



Conselho:

Não percam esta obra, pois estamos a falar de um livro excelente, recente e que nesta altura já é bem procurado.

Creio que todas as pessoas fiquem fãs, pois o autor através da sua forma de escrever, do modo como trata os problemas e expõe os diversos assuntos desperta à atenção de quem lê.

No meu caso, demorei muito pouco tempo a ler a obra na sua totalidade, pois a cada crónica que lia ia crescendo a curiosidade e a vontade de saber mais e mais.

Inês Pereira, 10º B, Junho 2010

quinta-feira, 10 de junho de 2010

A propósito da sugestão das colegas que leram Ilse Losa e do vosso trabalho sobre os retratos, deixo este excerto da autora:



Nós somos feitos uns dos outros (...). Formamo-nos pela vida fora das parcelas que são os outros e somos, por nossa vez, uma parcela desses mesmos outros. É assim a comunicação humana, muito mais funda do que se supõe, por não se fazer dum jacto, mas lenta e persistentemente. Eu seria diferente sem os fanáticos desumanizados que me agrediram num tranquilo dia de Primavera. A sua brutalidade vive em mim, viverá sempre em mim, mas a minha inocência daquele momento, a dor e a minha solidão, por sua vez, vivem neles, por mais rudes e duros que possam ser.



Ilse Losa (1987). Sob Céus Estranhos. Porto: Afrontamento. p.17.

Imagem: Steven Kenny (2008). The Accessory.

Reproduzido do blogue «Bicho-carpinteiro»






**********************

terça-feira, 25 de maio de 2010

Ler nas Entrelinhas

Ler - os livros,os rostos, as paisagens.

Ler-se, ler o outro.

Ler é estar no mundo de olhos bem abertos!




Comboio de Leituras

5 de Maio - Ler nas Entrelinhas


Em breve publicaremos excertos dos Diários de Viagem. Para já ficam algumas das imagens. Creio que não esqueceremos este diatão especial.







segunda-feira, 12 de abril de 2010

O mundo em que vivi, Ilse Losa

Aqui fica um bom desafio
(...) gostaria que no início do terceiro período eu e as restantes alunas que leram este mesmo livro fizéssemos à mesma uma exposição à turma, pois adorei ler este livro e acho que a turma só tem a beneficiar com isto, até porque acho que será bastante interessante para todos.


Identificação bibliográfica O mundo em que vivi, Ilse Losa

Género/Sub-género Narrativa autobiográfica/ Romance

Registo Histórico, autobiográfico.

Espacialmente e temporalmente podemos situar esta história na Alemanha, durante os finais da primeira Guerra Mundial (1914 - 1918) estendendo-se até à ascensão do nazismo – início da segunda Guerra Mundial (1939 - 1945). A narrativa é escrita na primeira pessoa, sendo o “eu” Rose Frankfurter, uma judia que se viu forçada a deixar o seu país ao ser procurada pela GESTAPO (polícia secreta do estado alemão, no tempo da 2ª Guerra Mundial). Toda esta história é escrita posteriormente a estes acontecimentos – em retrospectiva, pelo que há uma evocação autobiográfica de Rose que remonta à sua infância, que primeiramente foi passada na casa dos avós paternos (avó Ester- Kleine Oma e avô Markus), na pequena aldeia; mais tarde Rose vai viver com os pais e com os outros dois irmãos (Bruno – o mais velho e Rudi – o mais novo).

O pai é um negociante de cavalos, pouco dado à religião, mais tarde, falecido por cancro, o que deixa a mãe, uma simples governante de casa, numa situação difícil visto que tem de ganhar sustento para os seus três filhos sozinha. Havia falta de amor entre Rose e os seus pais (pai “Leo” e mãe “Selma”), tendo em conta que passou a maioria da sua infância com os seus avós, estando muito ligada a eles, portanto nunca conseguiu ter uma relação de intimidade com o seu pai, como tinha com o seu avô Markus.

Após a morte dos avós paternos, do pai e de outros familiares e amigos, desfeito o sonho de poder tirar um curso, tendo em conta que as suas qualidades financeiras não o permitiam, Rose vai trabalhar para Berlim, onde consegue uma colocação modesta numa companhia de seguros, mantendo viva a lembrança daquele que foi o seu primeiro grande amor - “Paul”. E é aqui que Rose é procurada por dois polícias da GESTAPO e é-lhe dada a possibilidade de fuga, que esta acaba por aceitar, pois caso contrário seria presa ou mesmo morta, como acontecia com os judeus na época.

Considerando o enquadramento temporal e espacial desta história podemos verificar que assenta sobre uma complicada realidade que era a vida dos judeus (facto que está intimamente ligado à segunda Guerra Mundial). Esta terrível época ficou marcada na história do mundo que, como podemos evidenciar, foi um mundo de injustiças ligadas à descriminação das quais resultaram grandes crueldades. Nesta fase os judeus foram considerados como os culpados pela crise social e económica que se tinha desenvolvido em alguns grandes países, contudo a raiz de todo este desentendimento não era a crise mas sim um racismo de carácter anti-semita. Este conflito entre ideais gerou um ambiente conflituoso e cruel – a Guerra. Rose via as guerras como jogos para onde os soldados eram obrigados a ir, onde se podia matar sem se ser castigado. Mais tarde, ainda reforçou mais a ideia que já tinha anteriormente, associando as guerras a um jogo por se poder ganhar ou perder.

“Só consegue melhorar as coisas aquele que sabe sentir: «isto não está bem».”

Relativamente à relação entre a personagem Rose e a autora, Ilse Losa, há uma proximidade pois são ambas judias e foram, por isso, forçadas a tomar um mesmo rumo de vida: abandonar o seu país para que não fossem encontradas pelos anti-semitas. Ilse Losa refugiou-se em Portugal, onde casou adquirindo assim nacionalidade portuguesa, morreu na cidade do Porto no passado ano de 2006; quanto a Rose não se sabe bem, pois o final do livro é deixado em aberto e por isso não se pode inferir qual o caminho que forçosamente acabou por escolher, o que nos possibilita fantasiar um final ao nosso gosto.


Inês Andrade Vieira/ Ano 10º/ Turma B/ Aluno nº8/