domingo, 15 de novembro de 2015

Trovadoresca

Começamos hoje a publicação das 
CANTIGAS dos NOVOS TROVADORES

Pode ser que vos leiam em 2815...e achem interessante a maneira como pensaram, escreveram e deram a conhecer a vida e a História de 2015, neste lugar do Planeta Terra, então chamado Portugal.




Cantiga de Maldizer
A vida dum estudante
confusa e estranha está!

O Paulo bate c’as portas
Coelho diz que não dá.

Costa não gostou,
Catarina bloqueou
e Jerónimo concordou.

Bióloga quero ser
mas que raio hei de fazer?

Seas
14 de novembro de 2015 às 11:10




 Ontem, como hoje, o humor é uma forma de participação crítica 
no mundo que nos rodeia





sábado, 14 de novembro de 2015

Autoajuda

PONTUAÇÃO
A pedido de colegas que identificaram problemas e dúvidas nesta área, aqui ficam revisões da pontuação; só os casos mais comuns e em que alguns alunos erraram.

SINAIS DE PONTUAÇÃO

1.º Ponto final (.)

2.º Vírgula (,)

3.º Ponto e vírgula (;)

4º Dois pontos (:)



Quanto ao ponto:

O ferro é um dos metais mais úteis. Os factos devem narrar-se na sua ordem natural. O ar das montanhas tonifica.

O ponto final indica o fim duma frase ou o fecho dum pensamento.
Emprega-se ainda nas abreviaturas:
Ex.: Sr. (por Senhor); Dr. (por Doutor); D. (por Dom ou Dona); V. Ex.ª (por Vossa Excelência); m.to (por muito).
Quanto à vírgula (casos mais frequentes):
Antes de mais:
- nunca se emprega a vírgula entre o sujeito e o predicado, e entre o verbo e os seus complementos diretos ou indiretos:
O Pedro vai acampar para o Gerês.
A Ana deu o livro ao irmão.
- nunca se separam por vírgulas orações substantivas: A Rita disse que ia a casa.
1.º — 
Manuel, vai abrir a porta. 
Posso afirmar-lhe, minha Senhora, que o seu irmão não passou por aqui. 
Vem cá, João.


O vocativo é sempre separado por vírgula.


2.º 
O ouro, a prata, o ferro, o chumbo, são metais. 
Afonso Henriques conquistou Lisboa, Santarém, Almada e Sintra.
Separam-se por vírgula todos os membros de uma oração que não sejam ligados por conjunção.
3.º  
Eu sou, efectivamente, crédulo. 
Estes campos são, com efeito, muito bonitos.
Amar as árvores, disse um grande homem, é amar a terra.

Fica entre vírgulas qualquer palavra, expressão ou frase intercalada numa oração.
4.º 
Não, é impossível satisfazer o seu desejo. 
Não, isso é inacreditável.
Emprega-se a vírgula depois da partícula não, quando ela, no princípio da oração, se refere a outra.
5.º  
Sim, depois resolveremos o caso.  
Sim, vou passear.
Emprega-se igualmente a vírgula depois de sim, no princípio de qualquer oração.
Antes do relativo que, apenas se coloca vírgula se este introduz uma oração explicativa.
6.º 
Os animais domésticos prestam excelentes serviços ao homem. 
As pessoas mal-educadas não podem merecer a estima de ninguém. 
Emprestei o livro de Geografia ao Mário.

Nos três casos acima não há nenhuma oração, frase ou expressão intercalada que deva ser precedida ou seguida de vírgula. Assim, NUNCA se emprega a vírgula entre o sujeito e o predicado, e entre o verbo e os seus complementos diretos ou indiretos.
Quanto ao ponto e vírgula:
1.º 
 Para marcar pausas entre orações, quando se intercala alguma conjunção entre as mesmas.
Exemplo:
Eles sabiam de tudo o que se passava no colégio interno; mas, como já era de se esperar, nunca fizeram nada.
Amanhã é dia de prova; porém, ainda não começaste a estudar.
 
Em casos de enumeração de itens, ou em caso de uma explicação que contém itens.
Na reunião foram abordados os seguintes assuntos:
a) objetivos a serem atingidos;
b) metodologia de ensino e recursos audiovisuais;
c) verba necessária.
Quanto aos dois pontos - emprega-se geralmente, antes de citações, enumerações ou orações que explicam o enunciado anterior.

Fonte:  Gramática Priberam (adaptado)
EXERCÍCIOS
(carrega na imagem, para editar no tamanho normal)
I

II
 III


sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Cantigas

Muitos séculos passaram. Venham agora os vossos POEMAS À MANEIRA MEDIEVAL e as vossas escolhas musicais contemporâneas

Entretanto, ficam alguns breves exemplos do lugar da dança e da música nas nossas vidas, desde os tempos medievais até agora. Encontrem diferenças e  permanências, porque o mundo é já outro...mas o coração e as preocupações humanas não mudaram assim tanto.




Música Medieval com instrumentos da época


A dança de rua - espaço de encontro e convívio
 

A dança palaciana



CANTIGAS...HOJE


quinta-feira, 12 de novembro de 2015

O Canto do Príncipe Igor

Pela voz do Victor.

No final, ele também leu poemas em Português e nós ensaiámos 4 versos em ucraniano.

Europa

História, Vida, Poesia

Temos lido e apreciado as nossas primeiras «Cantigas», dos séculos XII, XIII e XIV.

Na sexta-feira, vamos ouvir outra voz, outra língua, outro poema: o Viktor vai trazer-nos um cantar eslavo escrito na mesma época, na outra ponta da Europa. 

Vejamos como era a Europa no século XII e como é agora.


O Viktor vai ler um excerto dum poema fundador das literaturas eslavas   
O CANTO DO PRÍNCIPE IGOR, de autor anónimo. 

Entre o ucraniano, o inglês e o português havemos de nos entender.  
 
 O CANTO DO PRÍNCIPE IGOR (eslavo antigo: Слово о плъку Игоревѣ, Slovo o plŭku Ígorevě; ucraniano moderno: Слово о полку Ігоревім, Slovo o polku Íhorevim; russo moderno: Слово о полку Игореве, Slovo o polkú Ígoreve) é uma obra anónima da literatura eslava oriental escrita em eslavo antigo, que se presume datar do final do século XII, como as nossas Cantigas de Amigo.

Como acontece com muitas das nossas  cantigas, chegou aos nossos dias com base em manuscritos posteriores. Neste caso, o  único manuscrito do Cantar, datado do século XIV, foi descoberto em 1795, na Biblioteca do Mosteiro de Yaroslavl, onde tinha sido fundada a primeira escola da Rússia, logo no século XII.

Este canto épico foi adaptado a uma ÓPERA do compositor russo do século XIX ALEXANDER BORODIN, estreada em 1890, mas que ainda hoje se pode ver em famosos palcos de todo o mundo.


Danças polovetsianas, da ópera Príncipe Igor, de Borodine 
(numa versão atual)
 
«Igor, um príncipe russo na cidade de Putivl, junta o seu exército para atacar os polovetsianos. É derrotado e, juntamente com o filho Vladimir, é feito prisioneiro. Galitsky, irmão de Yaroslavna, mulher de Igor, tenta ser eleito novo príncipe. Vladimir apaixona-se por Konchakova, a filha do Khan Konchak, líder dos polovestianos, que procura no seu prisioneiro um aliado potencial, desde que este prometa que não volta a pegar em armas contra os polovestianos. Igor recusa e foge para a sua cidade. Putvil é atacada e cai. Igor regressa à cidade em ruínas mas, ainda assim, é aclamado pelo povo.»



Danças polovetsianas, da ópera Príncipe Igor, de Borodine 
(numa versão clássica, com legendas em inglês)

« Igor, a Russian prince in the city of Putivl, joins his army to attack the polovetsians .He is defeated and  together with his son Vladimir is made prisoner. Galitsky, Yaroslava´s brother (Yaroslava is the Igor’s wife), attempts to be elected new prince. Vladimir falls in love for Konchakova, the daughter of Khan Konchak, leader of polovestians, that looks at his prisoner as a potential ally, since he promise him that he will not fight again against the polovestians. Igor refuses, and runs away to his city. Putvil is attacked and falls. Igor returns to the city in ruins but is still acclaimed by the people.»
In Fanáticos da Ópera



Aqui fica a primeira parte. O título abre com «Слово» que quer dizer «Canto» ou «palavra».
Logo no 1º verso encontramos a palavra  « браття» /irmãos (do latim «frater» - irmão)

Слово о полку Ігоревім

                                                              
Чи не гоже було б нам, браття,
Розпочати давніми словами
Скорбну повість про Ігорів похід,
Ігоря Святославовича?
А зачати нам отую пісню
По сьогоденних бувальщинах,
Не по намислу Бояновім,
Боян-бо наш віщий,
Як хотів кому пісню творити,
Розтікався мислю по дереву,
Сірим вовком по землі,
Сизим орлом попід хмарами.
Спогадає перших днів усобиці —
Випускає він десять соколів
А на зграю лебединую:
Котру сокіл доганяє,
Та перша і пісню зачинає —
Чи старому князю Ярославові,
Чи Мстиславові хороброму,
Що зарізав Редедю
Перед полками касозькими,
А чи красному Роману Святославовичу.
Боян же, браття, не десять соколів
Напускав на зграю лебединую, —
Накладав він на живі струни
Віщі персти свої,
І самі вони славу князям рокотали.
Зачнемо ж ми, браття,
Від старого Володимира
До Ігоря сьогоденного.
Ігор сей, славен князь,
Міццю розуму оперезав,
Мужністю сердечною нагострив,
Ратного духу виповнився
Та й повів полки свої хоробрі
На землю Половецьку,
За землю Руську.
О Бояне, солов’ю наш давній!
Тобі б сей похід ощебетати,
По дереву мислі пурхаючи,
Розумом ширяючи під хмарами,
Давню славу звиваючи з новою,
Летючи тропою Трояновою
Через степи на море.
Тобі б співати пісню Ігореві,
Ігореві, Олега внукові:
«Не буря ясних соколів
Занесла через поля широкі, —
Галич лине зграями
К Дону великому».
А чи так би заспівати тут,
Віщий Бояне, внуче Велесів:
«Іржуть коні за Сулою,
Слава дзвенить у Києві,
Сурми сурмлять в Новгороді,
Стяги мають у Путивлі-граді,
Дожидає Ігор брата Всеволода.
Каже йому буй-тур Всеволод:
«Один брат, один світ світлий, Ігорю,
Обидва ми Святославовичі.
Сідлай, брате, свої коні бистрі,
Мої-бо вже готові стоять,
Під Курськом осідлані.
А мої куряни — вправні воїни,
Під сурмами сповиті,
Під шоломом викохані,
З кінця списа годовані.
Всі путі їм відомі,
Яруги їм знайомі,
Луки в них напружені,
Сагайдаки відкриті,
Шаблі нагострені;
Самі скачуть, як вовки сірі в полі,
Шукаючи собі честі,
А князеві слави».




3 imagens da Ucrânia, hoje

Turismo da Ucrânia 

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Cantigas de Escárnio e Maldizer

 Cantiga de Escárnio | a sátira é realizada indiretamente, por meio da paródia, da ironia e do sarcasmo, com recurso a "palavras cobertas, que hajam dois entendimentos para lhe lo não entende rem".

Cantiga de Maldizer| a sátira é feita de forma direta, por vezes com bastante agressividade, "mais descobertamente", com "palavras que querem dizer mal e não haverão outro entendimento senão aquele que querem dizer chãmente" (literalmente).


TEMÁTICAS DAS CANTIGAS DE ESCÁRNIO E DE MALDIZER
(entre outros que podes consultar aqui)

Aspeto físico das mulheres, Adultério, Arte de trovar, Casamentos, Cobardia, Comportamentos políticos, Comportamentos sexuais, Duplicidade ou mentira, Estupidez, Falta de escrúpulos ou corrupção, Falta de palavra, Impostos, Incompetência profissional, Maus tratos domésticos, Modas e vestuário, Paródias ao amor cortês
 
 Gravura satírica medieval (o louco). British Library)

Como prometido, fica a cantiga "Roi Queimado morreu com amor/em seus cantares" completa, tal como o R. a leu em aula.

Dirigida ao trovador Rui Queimado, esta composição é uma das mais conhecidas sátiras ao motivo da morte de amor, muito presente nas juras dos trovadores, nas cantigas de amor galego-portuguesas (como vimos no refrão "ai, mia senhor, assi moir'eu!", da cantiga de amor "Como morreu quem nunca bem/houve da rem que mais amou").
 


                                            Roi Queimado morreu com amor

                                            em seus cantares, par Santa Maria,
                                            por ũa dona que gram bem queria;
                                            e por se meter por mais trobador,
                                            porque lh'ela nom quis[o] bem fazer,
                                            feze-s'el em seus cantares morrer;
                                            mais ressurgiu depois ao tercer dia.
 
                                            Esto fez el por ũa sa senhor
                                            que quer gram bem; e mais vos en diria:
                                            porque cuida que faz i maestria*,
                                            enos cantares que fez há sabor
                                            de morrer i e des i d'ar viver**.
                                            Esto faz el, que x'o pode fazer,
                                            mais outr'homem per rem non'o faria.
 
                                            E nom há já de sa morte pavor,
                                            senom sa morte mais la temeria,
                                            mais sabe bem, per sa sabedoria,
                                            que viverá, des quando morto for;
                                            e faz-[s'] em seu cantar morte prender,
                                            des i ar vive: vedes que poder
                                            que lhi Deus deu - mais quen'o cuidaria!
 
                                            E se mi Deus a mi desse poder
                                            qual hoj'el há, pois morrer, de viver,
                                            jamais [eu] morte nunca temeria.

Pero Garcia Burgalês


 *O termo tem neste contexto o sentido geral de "mestria" (obra de mestre) e também o sentido que assume na Arte de Trovar (cantiga sem refrão; estas cantigas eram consideradas mais elaboradas e engenhosas e, por isso, eram as mais consideradas entre os trovadores)

** de morrer aí e depois de voltar a viver