terça-feira, 26 de março de 2019

Camões lírico - 2 poemas

Pastora da Serra


CANTIGA ALHEIA
Pastora da serra,
da serra da Estrela,
perco-me por ela.

VOLTA
Nos seus olhos belos
tanto Amor se atreve
que abrasa entre a neve
quantos ousam vê-los.
Não solta os cabelos
Aurora mais bela:
perco-me por ela.

Não teve esta serra,
no meio da altura,
mais que a fermosura
que nela se encerra.
Bem céu fica a terra
que tem tal estrela:
perco-me por ela.

Sendo entre pastores
causa de mil males,
não se ouvem nos vales
senão seus louvores.
Eu só por amores
não sei falar nela:
sei morrer por ela.

De alguns que, sentindo,
seu mal vão mostrando,
se ri, não cuidando
que inda paga, rindo.
Eu, triste, encobrindo
só meus males dela,
perco-me por ela.

Se flores deseja,
(por ventura delas)
das que colhe, belas,
mil morrem de enveja.
Não há quem não veja
todo o milhor nela:
perco-me por ela.

Se na água corrente
seus olhos inclina,
faz luz cristalina
parar a corrente.
Tal se vê que sente
por ver-se água nela:
perco-me por ela.
 




Ondados fios de ouro reluzente

Ondados fios de ouro reluzente,
Que agora da mão bela recolhidos,
Agora sobre as rosas esparzidos (1)
Fazeis que a sua graça se acrescente;

Olhos, que vos moveis tão docemente,
Em mil divinos raios incendidos,
Se de cá me levais a alma e sentidos,
Que fora, se eu de vós não fora ausente?

Honesto riso, que entre a mor fineza
De perlas e corais nasce e aparece;
Se na alma em doces ecos não o ouvisse!

Se imaginando só tanta beleza,
De si com nova glória a alma se esquece,
Que será quando a vir? Ah quem a visse!


(1) o mesmo que 'espargidos' - derramados, estendidos, espalhados.

Imagem| Retrato de Simonetta Vespucci, pintura de Sandro Botticelli (1445-1510), considerado um dos maiores pintores do Renascimento italiano e europeu.


Outros poemas de Camões 

domingo, 24 de março de 2019

LER+|Projeto de Leitura



PROJETO DE LEITURA
Identificação
Bibliográfica

Nomes do(s) aluno(s) leitor(es) deste livro

Género/Subgénero

Registo (sério, cómico, mordaz, crítico...)


Breve síntese do livro (não exceder 10 linhas)





Tema/problema/situação humana sobre a qual se reflete



Aspetos/pontos geradores de possíveis diferenças de opinião ou controvérsia interpretativa







Frases/passagens lapidares [indicar página(s) ]









Contributo do livro para a compreensão da vida/das pessoas/do mundo





Aspeto menos apreciado



Informações com interesse sobre o autor e a fortuna do livro
(edições, receção do público/da crítica, possível adaptação ao cinema/teatro...)
Fase II
Agora que já apresentaram o livro e registaram as vossas conclusões, está na altura de pensarem no TEXTO CRÍTICO. 


Ex.
«A Magia das Estrelas» conta a história
do pai da ciência espacial russa[1]

A Magia das Estrelas, do escritor galês Tom Bullough, editado pela Materia-Prima Edições, é um livro que conta a história do pai da ciência espacial russa, Konstantin Tsiolkovsky.

Sobre o livro: «Estamos no Inverno de 1867, em Ryazan, uma cidade nas margens do rio Oka, na Rússia Central. Konstantin tem dez anos e os dias cheios de sonhos de voo — até Moscovo, até às estrelas distantes. Um dia, apanha uma constipação nos bosques gelados, perto de casa, e todo o seu mundo se torna silencioso. Surdo depois da escarlatina, as perspetivas de futuro parecem desesperadas. Apenas o seu encantamento pela nova era de mecanização e as suas extraordinárias visões acerca do futuro da humanidade parecem fazer chegar-lhe alguma esperança.
Para fugir à Terra, Konstantin aprende que tem de viajar a uma velocidade dez vezes superior à de uma bala de espingarda, e oitocentas vezes maior do que a de um comboio expresso. Mas como atingir tão incrível velocidade?
Tom Bullough dá-nos a conhecer o ambiente de um país no final do século XIX. Das florestas infestadas de lobos, aos bordéis de Moscovo, dos confins da vida na aldeia, ao deslumbramento da Era do Vapor, de uma terrível tragédia à maravilhosa descoberta de um grande amor.  A Magia das Estrelas, o brilhante e inspirador romance de Tom Bullough, conta-nos a história extraordinária e real de Konstantin Tsiolkovsky, o primeiro homem a acreditar que viajar no espaço iria ser uma realidade. A história de um homem, da natureza e do ilimitado poder da imaginação.»




[1] Porta-Livros|Publicado em 12/10/2012, http://portalivros.wordpress.com/2012/10/12/a-magia-das-estrelas-conta-a-historia-do-pai-da-ciencia-espacial-russa/ . Reproduzido com adaptações.