quinta-feira, 26 de setembro de 2019

António Vieira - um homem de ação

Sigamos, pois, o ensinamento de António Vieira! 
Se somos o que fazemos, publicamos um conjunto de vídeos, textos e ligações que vos permitem selecionar o que precisam para criar, em aula, os vossos textos - entrevistas e autobiografias.

Imagem:ncultura

Série "Grandes Livros" - Sermão de Santo António aos Peixes de Padre Ant...


Padre António Vieira - o imperador da Língua Portuguesa

António Vieira no Ensina RTP

Processo Inquisitorial do padre António Vieira. 1659-04-29 / 1668-06-30.  
Portugal, Torre do Tombo, Tribunal do Santo Ofício, Inquisição de Lisboa, proc. 1664.


António Vieira - criação de Biografias e Entrevistas


Como  prometido, fica informação  suplementar para servir de base às autobiografias e entrevistas que irão criar em aula. Selecionem, como combinado.

I

"Nasceu em Lisboa a 6 de fevereiro de 1608, sendo baptizado no dia 15 desse mês na sé [...] da mesma cidade; faleceu na Baía a 18 de julho de 1697. Era filho de Cristóvão Vieira Ravasco, fidalgo de nobre ascendência, e de D. Maria de Azevedo.
Nos fins de 1615 partiu com a sua família para a Baía, não se sabe bem, porque motivo […] A 20 de janeiro de 1616 iam naufragando nos baixos da Paraíba, e quase milagrosamente se salvaram. Ainda depois teve António Vieira uma gravíssima doença, de que escapou para glória do seu nome e da sua pátria, que tanto havia de ilustrar com o seu maravilhoso engenho."

«... aos dezassete anos de idade já era encarregado de escrever em latim as anuas que eram enviadas da província ao geral de Roma, e aos dezoito era mandado lecionar retórica no colégio de Olinda, e depois filosofia dialéctica.» (Ler artigo completo)

II
O Mundo de António Vieira - Vieira, um homem moderno
(autoria - Pedro Calafate; fonte: Instituto Camões)


III

"Notável prosador e o mais conhecido orador religioso português, o Padre António Vieira nasceu a 6 de fevereiro de 1608, em Lisboa, filho primogénito de um modesto casal burguês, e faleceu na Baía, Brasil, em 1697.

Quando tinha apenas seis anos, os seus pais mudaram-se para a Baía, no Brasil, tendo iniciado os seus estudos. Os jesuítas tinham sido desde sempre os portadores da cultura e civilização no Brasil, com relevo especial para os Padres José de Anchieta e Manuel de Nóbrega. Assim sendo, cursou Humanidades no colégio da Companhia de Jesus, onde revelou bem cedo dotes excecionais.

 Aos 15 anos, motivado pela sua na Virgem das Maravilhas na baiana e por um sermão que ouviu sobre as torturas do Inferno, Vieira teve o seu famoso "estalo" e decidiu ingressar na Companhia de Jesus. Ante a oposição dos pais, Vieira fugiu de casa e prosseguiu a sua formação, em que predominavam as Humanidades Clássicas (principalmente o latim), a Filosofia e a Teologia, com especial relevo para a Sagrada Escritura.
Em 1625 António Vieira fez votos de pobreza, castidade e obediência e, propondo-se missionar entre os ameríndios e escravos negros, estudou a "língua geral" (tupi-guarani) e o quimbundo. Foi nomeado professor de Retórica no colégio dos Padres em Olinda, onde permaneceu dois ou três anos, tendo depois voltado à Baía com o fito de seguir os cursos de Filosofia e Teologia.


Ordenado padre em dezembro de 1634, depressa se avolumou a sua fama de orador e se celebrizaram os seus sermões que refletiam as vicissitudes da Baía, em luta contra os holandeses, e criticavam a ganância, a injustiça e a corrupção.

Em 1641, restaurada a independência, Vieira acompanhou o filho do governador, que vinha trazer a adesão do Brasil a D. João IV, à Metrópole. Em Lisboa, começou a pregar em S. Roque e logo o seu talento se espalhou pela cidade. Segundo o testemunho de D. Francisco Manuel de Melo, a afluência às pregações era tal que, como se de provérbio se tratara, corria a frase: "Manda lançar tapete de madrugada em S. Roque para ouvir o Padre António Vieira".
Cativa o favor de D. João IV, que não tardou em convidá-lo a pregar na capela real, onde ele proferiu o seu primeiro sermão no dia 1 de janeiro de 1642. Dois anos depois foi nomeado pregador régio.

[…] Voltou ao Brasil em 1653, para o estado do Maranhão e aí assumiu um papel muito ativo nos conflitos entre jesuítas e colonos, como paladino dos direitos humanos, a propósito da exploração dos indígenas.
No ano seguinte pregou o Sermão de Santo António aos Peixes. Foi expulso do Maranhão pelos colonos, em 1661, e regressou a Lisboa. De novo na capital, D. João IV, seu protetor, havia falecido e D. Afonso VI, instigado pelos inimigos do orador, desterrou-o para o Porto e, mais tarde, para Coimbra.

Perfilhando as novas expectativas sebastianistas que encontrou no reino [...] escreveu o Sermão dos Bons Anos, em 1642. Foi nesta altura que a Inquisição o prendeu sob a acusação de que tomava a defesa dos judeus, acreditava nas possibilidades de um Quinto Império e nas profecias de Bandarra.

Entretanto, a situação política alterou-se. Destituído D. Afonso, subiu ao trono D. Pedro II. António Vieira foi amnistiado e retomou as pregações em Lisboa. Em 1669 parte para Roma como diplomata e obtém grande sucesso como pregador, combatendo o Tribunal do Santo Ofício. Na Cidade Eterna, continuou a defesa acérrima dos judeus e ganhou grande reputação, encantando com a sua eloquência o Papa Clemente X e a rainha Cristina da Suécia.

Regressou a Portugal em 1675; mas, agora sem apoios políticos e desiludido pela perseguição aos cristãos-novos (que tanto defendera), retirou-se de vez para a Baía em 1681 onde se entregou ao trabalho de compor e editar os seus Sermões.

A sua prosa é vista como um modelo de estilo vigoroso e lógico, onde a construção frásica ultrapassa o mero virtuosismo barroco. A sua riqueza e propriedade verbais, os paradoxos e os efeitos persuasivos que ainda hoje exercem influência no leitor, a sedução dos seus raciocínios, o tom por vezes combativo, e ainda certas subtilezas irónicas, tornaram a arte de Vieira admirável.

As obras Sermões, Cartas e História do Futuro ficam como testemunho dessa arte."

Padre António Vieira in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-09-26]. Disponível na Internet: https://www.infopedia.pt/apoio/artigos/$padre-antonio-vieira

segunda-feira, 23 de setembro de 2019

A Síntese

Série| Preocupações ou Fascínios do Mundo Atual

Começamos hoje a publicar textos escritos pelos alunos das turmas 10º A, B e C. O primeiro contributo corresponde a uma das sínteses breves apresentadas oralmente em aula (1-2 minutos).
No final desta edição, encontram alguns regras a ter em conta, para além do material de apoio do Manual.

«Hoje vim apresentar-vos, em síntese, uma notícia do jornal Correio da Manhã, de 15 de setembro de 2018, cujo título é "Furacão Florence semeia destruição". 
Este furacão teve início no Oceano Pacífico, junto à Carolina do Norte e do Sul, nos EUA. O Furacão Florence fez quatro mortes, destruiu casas, hotéis, armazéns... E para além disso desalojou cerca de 600 mil pessoas, devido à não existência de água e de eletricidade.
Para além dos ventos fortes formados pelo furacão, este causou graves inundações que chegaram aos três metros de altura. De momento, o furacão já terminou, mas deixou um rasto de graves danos pela região. 
Portugal, não é um país que sofra muitos furacões, porque os furacões são formados pela evaporação de águas quentes, [...] que Portugal não tem. Mundialmente, as regiões onde existem mais furacões são a América Central, o Sul da Ásia e a Oceânia.»

Ema Conceição, 10º A
Créditos da imagem|https://radioregional.pt/furacao-florence-webcams-em-direto-aqui/

A Síntese ou Resumo Crítico aproxima-se do resumo e as suas regras (de preparação e de redação) são semelhantes, mas tem aspetos específicos:
  • É redigida na 3ª pessoa, com indicação do nome do(s) autor(es), e é mais dirigida ao leitor apresentando um carácter apreciativo, pois permite que se destaquem as intenções do autor;
  • Embora mantenha a neutralidade e o rigor na reconstituição das ideias do texto original, confere maior liberdade na ordem e na organização das ideias;
  • É muito útil, por exemplo, para contrair informação de dois ou três textos sobre um mesmo tema ou comparar vários textos entre si, dando-se maior relevo à comparação dos textos do que à reconstituição exaustiva das ideias de cada um dos textos-base.
Como no resumo, para fazer uma síntese é necessário:
 Ler atentamente e compreender o texto original;
 Sublinhar/anotar as ideias principais do texto;
 Identificar as partes que o constituem;
 Determinar as relações entre as diferentes ideias (explicação, causa, consequência, comparação…), e anotar, sinteticamente/por tópicos, a informação principal de cada parágrafo.
 Selecionar as ideias ou factos essenciais do texto original que farão parte da síntese;
 Suprimir palavras ou frases que refiram aspetos secundários: comentários, citações, exemplos não essenciais à compreensão do todo, expressões e frases redundantes;
 Substituir partes do texto original por frases que tornem mais económica a expressão, por ex., reduzindo as orações subordinadas;
  Respeitar o número de palavras proposto ou reduzir para cerca de ¼ do texto original.