quarta-feira, 4 de abril de 2018

Erros, má sorte e, sobretudo AMOR


Amores ... língua afiada...erros...alguns desacatos e, diz o próprio,  má sorte, fizeram da vida de Camões uma aventura


Poemas de Camões - lírica tradicional e renascentista

Registam-se os poemas de Camões usados no grupos I e II do Exercício Escrito. Assim:

 Poema do Grupo I

 Francisco Augusto de Metrass, «Camões na Gruta de Macau», pintura do século XIX


Oh como se me alonga de ano em ano

A peregrinação cansada minha!

Como se encurta, e como ao fim caminha

Este meu breve e vão discurso humano!

Minguando a idade vai, crescendo o dano;

Perdeu-se-me um remédio, que inda tinha;
Se por experiência se adivinha,
Qualquer grande esperança é grande engano.
Corro após este bem que não se alcança;
No meio do caminho me falece;
Mil vezes caio, e perco a confiança.
Quando ele foge, eu tardo; e na tardança,
Se os olhos ergo a ver se inda aparece,
De vista se me perde, e da esperança.
                                                               
       Luís de Camões

 Poema do Grupo II

                                                              Mote
 
Perdigão[1] perdeu a pena
Não há mal que lhe não venha.
 
 
                   Voltas
Perdigão que o pensamento
Subiu a um alto lugar,
Perde a pena do voar,
Ganha a pena do tormento.
Não tem no ar nem no vento
Asas com que se sustenha:
Não há mal que lhe não venha.
 
Quis voar a uma alta torre,
Mas achou-se desasado;
E, vendo-se depenado,
De puro penado[2] morre.
Se a queixumes se socorre,
Lança no fogo mais lenha:
Não há mal que lhe não venha.
 
                                                                                            Luís de Camões

[1] Macho da perdiz.
[2] O mesmo que “desgosto



               Relembram-se os OBJETIVOS do EXERCÍCIO

O presente exercício escrito destina-se a avaliar os conhecimentos dos alunos nos seguintes domínios: textos literários de carácter autobiográfico - interpretação de leitura de poesia lírica de Luís de Camões; marcas da lírica camoniana; formas poéticas; noções de versificação; gramática – léxico; sintaxe; tempos verbais; relação entre palavras; coesão textual; usos expressivos da língua – recursos e figuras de estilo; expressão escrita/produção de texto de reflexão.

terça-feira, 3 de abril de 2018

Soneto

A síntese
Como prometido, destaco algumas das sínteses dos três pequenos textos sobre as composições de «medida nova» da lírica de Camões.
I.
«O soneto, que os clássicos souberam elevar à mais alta perfeição, consta de 4 estrofes: duas quadras e 2 tercetos, constituindo 14 versos. A rima é geralmente abba nas quadras e cde ou cdc nos tercetos, chamada rima emparelhada e interpolada, no primeiro caso, ou cruzada. Na 1ª quadra o poeta expõe a sua tese, na 2ª desenvolve-a, no 1º terceto confirma a tese, atingido o auge no último terceto.
Foi no séc. XIII que se impôs em Itália o verso de 10 sílabas, o decassílabo. (...)* Foi Sá de Miranda quem divulgou em Portugal o soneto antecamoniano, depois de passar alguns anos em Itália a conhecer de perto os mais afamados escritores italianos.
Os poetas portugueses lidavam inicialmente com alguma dificuldade com o decassílabo, mas Camões com a sua vocação lírica definiu o tom do soneto português quinhentista. »
Miguel Pinto 10ºA
 Na Imagem - Ludovico Ariosto, 1474-1533, o poeta mais famoso nos tempo em que Sá de Miranda frequentou os círculos literários em Itália.
* retirado, por conter imprecisões. 

II. 

O soneto, caracterizado por ser o mais célebre sistema estrófico, é constituído por quatro estrofes: duas quadras e dois tercetos, perfazendo, catorze versos.  O esquema rimático geralmente é abba nas quadras, e cdc ou cde nos tercetos, apresentando rima emparelhada, interpolada e cruzada. Na primeira quadra o poeta expõe o seu pensamento, na segunda explana-o e, no primeiro terceto o poeta confirma-o, concluindo o poema com "chave de ouro".
 Este estilo foi divulgado em Portugal por Sá de Miranda após regressar de Itália onde este estilo era conhecido como "dolce stil nuovo". Na sua viagem a Itália, Sá de Miranda teve a oportunidade de conhecer os grandes italianos vivos, entre eles, Bembo, Sannazzaro, Sadoletto e Ariosto.
                                                                                                                              Henrique Santos 10ªA
 Na imagem - Jacopo Sannazaro, 1455 - 1530 - poeta e humanista italiano; os seus sonetos e canções, inspirados em Petrarca, anunciam a poesia do século XVI
 III

O soneto contém quatro estrofes: duas quadras e dois tercetos, fazendo catorze versos. O esquema rimático é geralmente abba, nas quadras, e cde ou cdc, nos tercetos. Sendo assim, a rima é emparelhada, interpolada e cruzado. Na poesia clássica portuguesa, o decassílabo é o verso próprio do soneto, por ser considerado como o mais belo e grave.
Quem divulgou o género em Portugal foi Francisco Sá de Miranda (1481-1558), quando regressou de Itália. Em 1521 voltou a Itália, onde teve a oportunidade de conhecer mais de perto os grandes escritores Italianos vivos, Bembo, Sannazzaro, Sadoletto e Ariosto.
  
Na imagem - Francisco de Sá de Miranda, 1481-1558, a ele se deve a introdução do verso decassilábico, a par das novas formas poéticas. Foi o introdutor da escola italiana, do Renascimento literário em Portugal.
 Diogo Peliz 10ºA

"O soneto é composto por quatro estrofes: duas quadras e dois tercetos, perfazendo catorze versos de dez sílabas, decassílabos. Apresenta rima emparelhada, interpolada e cruzada. O ultimo terceto encerra com chave de ouro, ou seja, com um verso que encerra um pensamento elevado, uma conclusão inesperada.
   O género foi consagrado em Itália, no século XIII e trazido para Portugal por Sá de Miranda no século XVI, após voltar de uma viagem a Itália. Camões assegurou o triunfo do soneto tendo uma enorme vocação, assim como um gosto pela «análise das finezas amorosas unido à musicalidade feliz que dava ao decassílabo.»" 
Tomás Antunes

Trabalho sobre a poesia lírica de Camões









Lírica de Camões - trabalho sobre a Endecha













terça-feira, 27 de março de 2018

Got Solar: Um projeto de energias renováveis coordenado pela Universidad...


Got Solar

Saber muito + no euronews - futuris
Está na altura de reforçar o conhecimento sobre o mundo atual
...não há reflexão de jeito no Grupo III se não houver conhecimento   

segunda-feira, 26 de março de 2018

Ler+ na Henriques

Livros para ler devagar ou devorar ou (com)partilhar ou reler ou abandonar...
Ficam memórias do Livros e Leitores com tantas escolhas quantas as nossas diferenças de opinião e gosto.



quinta-feira, 1 de março de 2018

Grandes Livros - "Sermão de Santo António"

Saber + sobre António Vieira, o seu tempo e o 
"Sermão de Santo António aos Peixes"

1. Vê o(s) vídeo(s) 
2. Regista no caderno as informações essenciais sobre o contexto, 
a biografia de Vieira e o Sermão.

2 excertos (c. 9 minutos cada) do episódio dedicado ao Sermão de Santo António
incluído na série GRANDES LIVROS/RTP

Sermão de Santo António - Ficha


11º B
Como prometido durante a correção em aula, ficam propostas de resposta ao grupo I (muito sintéticas; as respostas do colega que leu estavam mais completas, por ex.) e do grupo II.

Atenção, este exercício não contempla, mas ninguém se esqueça de rever:
- os tipos de argumento (p. 46 e exemplos registados no livro/caderno)
- os recursos retóricos (aqueles que trabalhámos e exemplificámos)
- a coesão gramatical (p. 41).

11ºA
Passem à frente. Só interessa ver isto depois de fazerem o trabalho formativo.






Apelo a Cristo: Vê os comentários, p.f.!

E o mesmo para a nossa nº 23.

Frei Luís de Sousa (Testes)

Testa os teus conhecimentos, realizando o item I - B da prova de exame e/ou o grupo I dos exercícios 1 e 2 disponibilizados on-line (ambos com propostas de correção).

FREI LUÍS DE SOUSA 

EXAME (GRUPO I - B), 2017, Época Especial 
               (correção da prova de exame)

Teste 1

Teste 2

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

Reinventar a educação para enfrentar o futuro | Vodafone Future


Tragédia - Frei Luís de Sousa (revisões)

  ALMEIDA GARRETT, FREI LUÍS DE SOUSA


Ø ACÇÃO TRÁGICA
Ø  Há um conflito, sem solução, entre o passado e o presente;
Ø  As personagens são arrastadas para a destruição; a força do destino é superior às suas forças

Ø ETAPAS/ELEMENTOS DA TRAGÉDIA
Ø  desafio a forças superiores/destino
Ø  pathos / sofrimento (primeiro em Madalena e Telmo, depois gradualmente em todas as personagens)
Ø  peripécia (incêndio do palácio e, sobretudo, regresso do Romeiro)
Ø  reconhecimento (descoberta da identidade do Romeiro) – ponto alto da acção = climax
Ø  catástrofe

Ø TEMPO 
-       A ação inicia-se numa fase muito adiantada dos acontecimentos, sendo o passado apresentado nas falas, em retrospetiva
-       Ex. 1º casamento de D. Madalena, com 17 anos; desaparecimento de D. João há 21 anos; procura de notícias durante 7 anos; casamento há 14 anos; nascimento de Maria há 13. (na Cena II do Ato I)
-       Há números/sinais especiais que marcam o tempo: o número 7; o número 3; a sexta-feira (cenas V, X, XIV, do ato I); a semana (intervalo entre Atos I e II); a noite v/s  o dia.

Ø LINGUAGEM  
- Marcada pelo uso do falar «natural e corrente», adequado, todavia, ao estatuto das personagens:
  • Vocabulário sóbrio, mas simples, não «pomposo» ou artificial;
  • Frases curtas – “Tens, filha” / “Não, Maria”; 
  • Expressões próprias do oral -“Está bom”; “Não: credo!” “Queres lá tu saber” “Bonito!” “Louquinha!” “Ora Deus to pague!”
  •  Repetições: “Veem, veem?” / “Não é isso, não é isso”
  • Suspensões/hesitações próximas da nossa forma de falar, traduzidas pelas reticências; expressam emoção, dúvida; muitas vezes associadas a repetições, a frases deixadas por acabar, a interjeições:
     …é que vos tenho lido nos olhos…Oh, que eu leio nos olhos, leio, leio!...e nas estrelas também – e sei coisas 


Os atores Raul de Carvalho (1901-1984) e Maria Dulce (1936-2010), 
como Manuel de Sousa e Maria de Noronha
-       Emotividade – traduzida por:

o   vocabulário, nomeadamente vocábulos relacionados com emoções, sentimentos (amor, desgraça, coração, suspirar...) e as interjeiçõesAh! Oh!  Credo  
o   pontuação : para além das reticências, as interrogações, as frases exclamativas: - A mãe já não chora, não? Já não se enfada comigo?    

-       Familiaridade -  o registo de língua dominante adequa-se à situação íntima, de diálogo afectivo entre os membros da família (incluindo Telmo):  ”Esposo da minha alma” “meu Telmo”, “Meu querido pai”, ”Ora pois, mana, ora pois!”