quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

Voz ativa

Interessante jornada, hoje, no Auditório. Público atento, alguma comoção, e salva de palmas no final. Valeu a pena!
Agora, com tanta força de vontade como a do protagonista, venham as vossas reflexões com base no guião (em formato digital). 
Afinal, todos temos direito a ter uma voz. Façam ouvir a vossa.

Estão disponíveis 3 exemplares do filme, na Biblioteca.

Livros - boas sugestões

Como tivemos algumas surpresas agradáveis em matéria de livros, aqui ficam alguns que não estavam na nossa divulgação inicial, escolhidos e apresentados pelos alunos do 10º A, 10º B e 10º C  - das viagens à ficção científica, das memórias de infância às amizades improváveis, do mistério que somos à intriga policial...






quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

Cinema no Auditório

Às 9h00. Os lugares estão contados e quem primeiro chega...

Guião de leitura do filme


CONSELHOS DE TURMA 10º A, B, C, D + BIBLIOTECA ESCOLAR


13 dez.2018| Auditório | 9h00 – 11h00
Guião de leitura do filme
            O presente guião foi elaborado com o contributo de docentes de todas as disciplinas do seu currículo. Destina-se a apoiar uma reflexão alargada sobre o filme. As suas respostas servirão de base ao texto de apreciação crítica a realizar em aula, no 2º período.
1.    How is Albert's behaviour at his first appointment with the "doctor"? And Lionel's?
2.    How important was Albert's education in what concerns his behavior and relation with the others, not belonging to the royalty?
3.    Aponte a que lhe parece ser a principal causa da gaguez de Albert.
4.    Refira as várias técnicas usadas pelo terapeuta para ajudar a personagem de Albert a superar a gaguez.
5.    Estabeleça a analogia entre a atuação do terapeuta, no filme, e a de um treinador.
6.    Refira a importância que tem no filme a utilização da rádio como forma de comunicação à distância (a qual só foi possível depois dos estudos sobre eletromagnetismo).
7.    Explique o funcionamento e aborde o papel que o gramofone adquire na história de Albert.
8.    A Matemática teve um papel crucial na II Guerra, a cujo início assistimos no filme. Pesquise e registe o exemplo de um Matemático cuja ação/invenção/descoberta tenha sido relevante no conflito e explique o porquê.
9.    Caracterize a relação entre o casal e a sua importância na ação, baseado em referências concretas ao filme.
10. Sem os valores não saberíamos como agir: “Ser ou não ser?” “Discursar ou não discursar?”, “Reinar ou não reinar?”, “Tratar-se ou não se tratar?”, “Gaguejar ou não gaguejar?”…eis as questões! Enuncie quais os valores mais importantes presenciados no filme e justifique em que medida podemos afirmar que os valores são princípios orientadores das nossas ações.

O Discurso do Rei - Apreciação Crítica (exemplo)

O DISCURSO DO REI

APRECIAÇÃO CRÍTICA (exemplo)
A II Grande Guerra está prestes a explodir na Europa. O rei George V está doente e caminhando para a morte.

Futuramente o herdeiro do trono, o breve Rei Eduardo VIII abdica e deixa o comando para o seu irmão mais novo, Albert Frederick Arthur George, ou Bertie, para os mais íntimos. Bertie sofre de gaguez constante que não lhe permite falar em público, exatamente no momento em que o povo mais precisa de uma voz em tempos de crise. Para evitar futuras tragédias, Elizabeth, a sua mulher, procura um especialista em problemas de voz fora dos padrões, Lionel Logue, que promete curar a curiosa gaguez do rei temperamental.

O argumento escrito por David Seidler parece ser centralizado no tratamento do problema de Bertie. Mas, na verdade, o foco narrativo concentra-se totalmente na amizade de Lionel e Bertie, num desenvolvimento conturbado, cheio de brigas e desabafos, que encanta o espectador ao longo do filme. Bertie é apresentado como uma figura constrangida, incapaz, tímida e nervosa.

A experiência adquirida pela gaguez de que o argumentista deste filme, David Seidler, sofria, permitiu que o argumento se aproximasse de uma maneira realista, mostrando as causas cruéis que a causam e as suas diferentes intensidades, dependendo do meio: no ambiente familiar é quase ausente, em lugar público, é constante e intensa.

Muitos dos diálogos entre o especialista em problemas da voz e o Rei foram tirados diretamente do diário de anotações do Lionel Logue real.

No primeiro diálogo em que Colin Firth se encontra com Geoffrey Rush existe uma frase extremamente irónica: Firth diz que timing não é o forte dele: “Timing isn´t my strong suite”, quando na verdade o seu timing é perfeito e preciso. A sua grande experiência no teatro permitiu ao ator os seus olhares e expressões contidas de terror e desespero que evidenciam o enorme conflito interno que o personagem passa – o que é bem evidente na primeira cena do filme.

A sua postura durante a maior parte do filme é um pouco curvada, o que lentamente vai corrigindo, conforme a autoconfiança começa a aumentar. E claro, o maior destaque de sua atuação – a gaguez, vem de forma tão natural e espontânea para ele, que é difícil acreditar que realmente se trata de uma atuação. O ator soube controlar a gaguez e os compulsivos sons guturais, provando o trabalho intenso que teve para exercitar a voz.

Geoffrey Rush utilizando técnicas tiradas do teatro diverte o público com a sua personagem extrovertida, cheia de caretas e respostas elaboradas nos diálogos com Firth. Um depende do outro para brilhar, tanto que as melhores partes do filme são as que eles contracenam juntos – uma verdadeira aula de teatro clássico. Helena Boham Carter atua de maneira bem contida e elegante, coerente com o seu papel, além de conseguir aproximar a sua personagem do público.

A fotografia de Danny Cohen é pálida, fria e, de certa forma bucólica. As cores mortas predominam e trabalham com belas texturas. E transforma a iluminação de sombria para clara de acordo com o progresso do tratamento de Bertie e da amizade com Lionel.

A direção artística realizou um trabalho impecável na composição dos cenários, ou seja, nos objetos com que os atores interagem, principalmente as réplicas dos microfones. Um cenário que impressiona muito pela riqueza de detalhes e fidelidade histórica. Trabalha várias vezes com espaços apertados como corredores e quartos pequenos principalmente na casa do protagonista conseguindo passar a impressão sufocante da gaguez incómoda da personagem.

Quanto à banda sonora, em boa parte das músicas existe uma repetição de notas e escalas que joga com a monotonia e repetição das sílabas e de sons que saem da boca do Rei. Algumas até contam com uma longa pausa completamente sem som, apenas com um violino constante e cruel a fim de deixar a cena mais angustiante como a que se passa no Estádio de Wembley e também retratar o problema de comunicação de que o Rei sofre. Os efeitos sonoros também são muito percetíveis logo na primeira cena do filme onde a voz de Bertie ecoa no estádio por causa das caixas de som e dos microfones precários da época.

O maior mérito de Hooper foi ter conseguido criar um filme que agrada ao mesmo tempo tanto aos mais críticos quanto ao grande público, aos que realmente querem envolver-se em toda a história e cultura que ele tem a oferecer.


Matheus Fragata (texto adaptado)