quinta-feira, 5 de abril de 2018

“Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades"

Texto de reflexão temática (grupo III)

Imagem premiada no Porto Cartoon 2008
III

Leia os dois versos seguintes, que constituem o início de um famoso soneto de Camões.

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
  Muda-se o ser, muda-se a confiança 

Partindo da ideia expressa nestes versos, reflita sobre as principais mudanças na vida das pessoas e das sociedades introduzidas pelo uso do telemóvel, da internet e das redes sociais. (1)

Elabore um texto com 200 a 350 palavras e fundamente o seu ponto de vista recorrendo, no mínimo, a dois argumentos, ilustrando cada um deles com, pelo menos, um exemplo significativo.

(1) Nota: pode centra-se no impacto de um só dos dispositivos móveis ou no conjunto das mudanças.

quarta-feira, 4 de abril de 2018

Erros, má sorte e, sobretudo AMOR


Amores ... língua afiada...erros...alguns desacatos e, diz o próprio,  má sorte, fizeram da vida de Camões uma aventura


Poemas de Camões - lírica tradicional e renascentista

Registam-se os poemas de Camões usados no grupos I e II do Exercício Escrito. Assim:

 Poema do Grupo I

 Francisco Augusto de Metrass, «Camões na Gruta de Macau», pintura do século XIX


Oh como se me alonga de ano em ano

A peregrinação cansada minha!

Como se encurta, e como ao fim caminha

Este meu breve e vão discurso humano!

Minguando a idade vai, crescendo o dano;

Perdeu-se-me um remédio, que inda tinha;
Se por experiência se adivinha,
Qualquer grande esperança é grande engano.
Corro após este bem que não se alcança;
No meio do caminho me falece;
Mil vezes caio, e perco a confiança.
Quando ele foge, eu tardo; e na tardança,
Se os olhos ergo a ver se inda aparece,
De vista se me perde, e da esperança.
                                                               
       Luís de Camões

 Poema do Grupo II

                                                              Mote
 
Perdigão[1] perdeu a pena
Não há mal que lhe não venha.
 
 
                   Voltas
Perdigão que o pensamento
Subiu a um alto lugar,
Perde a pena do voar,
Ganha a pena do tormento.
Não tem no ar nem no vento
Asas com que se sustenha:
Não há mal que lhe não venha.
 
Quis voar a uma alta torre,
Mas achou-se desasado;
E, vendo-se depenado,
De puro penado[2] morre.
Se a queixumes se socorre,
Lança no fogo mais lenha:
Não há mal que lhe não venha.
 
                                                                                            Luís de Camões

[1] Macho da perdiz.
[2] O mesmo que “desgosto



               Relembram-se os OBJETIVOS do EXERCÍCIO

O presente exercício escrito destina-se a avaliar os conhecimentos dos alunos nos seguintes domínios: textos literários de carácter autobiográfico - interpretação de leitura de poesia lírica de Luís de Camões; marcas da lírica camoniana; formas poéticas; noções de versificação; gramática – léxico; sintaxe; tempos verbais; relação entre palavras; coesão textual; usos expressivos da língua – recursos e figuras de estilo; expressão escrita/produção de texto de reflexão.

terça-feira, 3 de abril de 2018

Soneto

A síntese
Como prometido, destaco algumas das sínteses dos três pequenos textos sobre as composições de «medida nova» da lírica de Camões.
I.
«O soneto, que os clássicos souberam elevar à mais alta perfeição, consta de 4 estrofes: duas quadras e 2 tercetos, constituindo 14 versos. A rima é geralmente abba nas quadras e cde ou cdc nos tercetos, chamada rima emparelhada e interpolada, no primeiro caso, ou cruzada. Na 1ª quadra o poeta expõe a sua tese, na 2ª desenvolve-a, no 1º terceto confirma a tese, atingido o auge no último terceto.
Foi no séc. XIII que se impôs em Itália o verso de 10 sílabas, o decassílabo. (...)* Foi Sá de Miranda quem divulgou em Portugal o soneto antecamoniano, depois de passar alguns anos em Itália a conhecer de perto os mais afamados escritores italianos.
Os poetas portugueses lidavam inicialmente com alguma dificuldade com o decassílabo, mas Camões com a sua vocação lírica definiu o tom do soneto português quinhentista. »
Miguel Pinto 10ºA
 Na Imagem - Ludovico Ariosto, 1474-1533, o poeta mais famoso nos tempo em que Sá de Miranda frequentou os círculos literários em Itália.
* retirado, por conter imprecisões. 

II. 

O soneto, caracterizado por ser o mais célebre sistema estrófico, é constituído por quatro estrofes: duas quadras e dois tercetos, perfazendo, catorze versos.  O esquema rimático geralmente é abba nas quadras, e cdc ou cde nos tercetos, apresentando rima emparelhada, interpolada e cruzada. Na primeira quadra o poeta expõe o seu pensamento, na segunda explana-o e, no primeiro terceto o poeta confirma-o, concluindo o poema com "chave de ouro".
 Este estilo foi divulgado em Portugal por Sá de Miranda após regressar de Itália onde este estilo era conhecido como "dolce stil nuovo". Na sua viagem a Itália, Sá de Miranda teve a oportunidade de conhecer os grandes italianos vivos, entre eles, Bembo, Sannazzaro, Sadoletto e Ariosto.
                                                                                                                              Henrique Santos 10ªA
 Na imagem - Jacopo Sannazaro, 1455 - 1530 - poeta e humanista italiano; os seus sonetos e canções, inspirados em Petrarca, anunciam a poesia do século XVI
 III

O soneto contém quatro estrofes: duas quadras e dois tercetos, fazendo catorze versos. O esquema rimático é geralmente abba, nas quadras, e cde ou cdc, nos tercetos. Sendo assim, a rima é emparelhada, interpolada e cruzado. Na poesia clássica portuguesa, o decassílabo é o verso próprio do soneto, por ser considerado como o mais belo e grave.
Quem divulgou o género em Portugal foi Francisco Sá de Miranda (1481-1558), quando regressou de Itália. Em 1521 voltou a Itália, onde teve a oportunidade de conhecer mais de perto os grandes escritores Italianos vivos, Bembo, Sannazzaro, Sadoletto e Ariosto.
  
Na imagem - Francisco de Sá de Miranda, 1481-1558, a ele se deve a introdução do verso decassilábico, a par das novas formas poéticas. Foi o introdutor da escola italiana, do Renascimento literário em Portugal.
 Diogo Peliz 10ºA

"O soneto é composto por quatro estrofes: duas quadras e dois tercetos, perfazendo catorze versos de dez sílabas, decassílabos. Apresenta rima emparelhada, interpolada e cruzada. O ultimo terceto encerra com chave de ouro, ou seja, com um verso que encerra um pensamento elevado, uma conclusão inesperada.
   O género foi consagrado em Itália, no século XIII e trazido para Portugal por Sá de Miranda no século XVI, após voltar de uma viagem a Itália. Camões assegurou o triunfo do soneto tendo uma enorme vocação, assim como um gosto pela «análise das finezas amorosas unido à musicalidade feliz que dava ao decassílabo.»" 
Tomás Antunes

Trabalho sobre a poesia lírica de Camões









Lírica de Camões - trabalho sobre a Endecha