quinta-feira, 11 de outubro de 2018

Pontuação-regras e exemplos

Fica informação adicional sobre a PONTUAÇÃO. Passa para o caderno as regras e os exemplos sobre os quais tens dúvidas ou que erraste no diagnóstico. 


As boas gramáticas e os bons prontuários (sim, há na Biblioteca!) têm isto e muito mais.

O dicionário terminológico refere-se à vírgula do seguinte modo:

Sinal de pontuação utilizado em vários contextos, como por exemplo a intercalação de orações subordinadas adverbiais numa frase (i), a intercalação de um modificador entre um verbo e o seu complemento (ii) ou após um advérbio conectivo em início de período (iii).

Exemplos
(i) Os rapazes, quando chegaram a casa, fartaram-se de comer.
(ii) Os rapazes falaram, com muito maus modos, à avó.
(iii) Os rapazes estão cansados. Porém, continuam a correr.

  • Vamos especificar alguns casos
VÍRGULA OBRIGATÓRIA
1. Use a vírgula para separar elementos sequenciais ou termos de uma enumeração
Ex:
Comprei livros, cadernos, uniforme, borrachas e lápis.
Como regra geral, não se usa vírgula antes de “e”. Há um caso específico em que se usa (ver adiante).
Um outro exemplo:
A sua fronte, a sua boca, o seu riso, as suas lágrimas, enchem-lhe a voz de formas e de cores… (Teixeira de Pascoaes)

2. Use a vírgula para separar o vocativo
O vocativo é sempre separado por vírgula, quer seja em posição inicial, quer ocorra no meio ou no final da frase, como nos 3 exemplos seguintes:

Manuel, vai abrir a porta.
Posso afirmar-lhe, minha Senhora, que o seu irmão não passou por aqui.
Vem cá, João.

3. Use a vírgula para isolar o nome de um lugar quando se escreve a data
Ex: Torres Vedras, 12 de junho de 2013.

4. Use a vírgula para separar explicações intercaladas no meio da frase
Assim, fica entre duas vírgulas qualquer palavra, expressão ou frase intercalada numa oração:
Exs.
Os portugueses, claro, gostam de praia.
Os Ingleses, não haja dúvida, constituem um povo essencialmente prático.
Amar as árvores, disse um grande homem, é amar a terra.

Afinal, as explicações que interrompem a frase são mudanças de pensamento e devem ser separadas por vírgula.
Outros exemplos:
Pedro, o aluno que trazia o computador, não veio hoje.
Dá-se uma explicação sobre quem é Pedro. Se tivéssemos que classificar sintaticamente esse elemento, seria um modificador apositivo.
Eu e tu, que somos amigos, não devemos zangar-nos por tão puco.
O trecho destacado explica algo sobre “Eu e tu”, portanto deve vir entre vírgulas.
A classificação do elemento entre vírgulas seria oração subordinada adjetiva relativa, com antecedente, explicativa.


5. Use a vírgula para separar o lugar, o tempo ou o modo que vier no início da frase.

Quando um tipo específico de expressão — que indique tempo, lugar, modo e outros — iniciar a frase, usa-se vírgula.
Exemplos:
Hoje, o sol está de rachar!

No primeiro capítulo da obra, D João V faz a promessa da construção do convento.

De um modo geral, não gostamos de pessoas estranhas.
“De um modo geral” é sinónimo de “geralmente”, adv. de modo, por isso vai vírgula.


6. Use a vírgula para separar orações independentes

Orações independentes são aquelas que têm sentido, mesmo estando fora do texto.

É o caso das coordenadas assindéticas (o «e» não está lá mas as orações são - na mesma - coordenadas):
Abriu a mala, retirou uma carta, estendeu-a ao advogado.

Nesse exemplo, cada vírgula separa uma oração independente.


7. Use a vírgula depois da partícula não no princípio da oração, se refa frase não for negativa

Não, é impossível satisfazer o seu desejo. (diferente de «não é possível...)

Não, foi inacreditável. (diferente de «não foi inacreditável...)

Emprega-se também a vírgula depois de sim, no princípio de qualquer oração.

Sim, vou ao cinema.
Sim, depois falamos.

8. Use a vírgula quando os sujeitos de duas orações interligadas são diferentes.

Como regra geral, não se usa vírgula antes de “e”.

Todavia, usa-se quando a frase depois do “e” se refere a uma pessoa, coisa, ou objeto (sujeito) diferente da que vem antes dele. Assim:

O sol já ia fraco, e a tarde era amena. (Graça Aranha)

Note que a primeira frase se refere ao sol, enquanto a segunda fala da tarde. Os sujeitos são diferentes. Portanto, usamos vírgula.
Outro exemplo:

A mulher morreu, e cada um dos filhos procurou o seu destino (Fernando Namora)

A primeira oração diz respeito à mulher, a segunda aos filhos.


9. Use a vírgula com os conetores porém, todavia, contudo, no entanto, portanto, por conseguintes e por consequência.
Estes elementos podem aparecer:
- seguidos de vírgula, quando se encontram no início do período ou depois de /;/

Porém, até os bravos têm medo.
Tenho vontade de viajar; porém, não tenho meios.

- entre vírgulas, quando se encontram após um dos termos da oração a que pertencem.

Esse objetivo, porém, não é facilmente alcançável.

10. Use vírgula antes de quem, se esta partícula é acompanhada de preposição.

Meus pais, a quem muito quero...
Aquela filha, a quem tanto se dedicou, foi ingrata.
João, de quem recebi tantas provas de estima...


VÍRGULA ...nem sempre

Há casos como o que ...em que tens de ver primeiro. Assim:

Com o que
Antes do pronome relativo que, apenas se coloca vírgula se este introduz uma oração explicativa.
EX.
Encontrei ontem o teu primo António Maria, que me ofereceu uma bebida.
Restavam apenas alguns soldados, que combateram heroicamente.
O Pedro, que é simpático, ajudou-me a levar os caixotes.

(Mas não há /,/ em : Não sei se estamos longe da terra a que nos dirigimos.| Este é o lugar histórico em que Vasco da Gama embarcou.|Um rapaz que é simpático ajuda sempre os colegas)



VÍRGULA FACULTATIVA

Existem casos em que a vírgula é opcional?

Se o elemento referente a tempo, modo, lugar etc. não for uma expressão, mas sim uma palavra só, então a vírgula é facultativa. Vai depender do sentido, do ritmo, da velocidade que você quer dar para a frase.
Exemplos:
Depois vamos sair para jantar.
Depois, vamos sair para jantar. (Dá mais destaque ao «depois»)

Geralmente gosto de almoçar na escola.
Geralmente, gosto de almoçar na escola. (Supõe que se abriu uma exceção ao que é habitual)



NÃO SE USA VÍRGULA

Não se usa a vírgula!
- Entre o sujeito e o predicado:
O João, gosta de comer pizzas. *
A Alice, a Maria e a Luísa, querem ir ao cinema.*

Corretamente:
João gosta de comer pizzas.
A Alice, a Maria e a Luísa querem ir ao cinema.

NÃO SE USA VÍRGULA
- Entre o verbo e os seus complementos diretos ou indiretos.

As pessoas mal-educadas não podem merecer a estima de ninguém.
Emprestei o livro de Geografia ao professor.

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

Poemas - interdisciplinaridade com Física e Química A

            Mais dois poemas que os alunos do 10º A podem utilizar para o Vídeo de Física e Química


Lição sobre a água

Este líquido é água.
Quando pura
é inodora, insípida e incolor.
Reduzida a vapor,
sob tensão e a alta temperatura,
move os êmbolos das máquinas que, por isso,
se denominam máquinas de vapor.

É um bom dissolvente.
Embora com excepções mas de um modo geral,
dissolve tudo bem, bases e sais.
Congela a zero graus centesimais
e ferve a 100, quando à pressão normal.

Foi neste líquido que numa noite cálida de Verão,
sob um luar gomoso e branco de camélia,
apareceu a boiar o cadáver de Ofélia
com um nenúfar na mão.

in Antonio Gedeão, Obra Completa, 2ªedição, Relógio d’Água, Lisboa 2007.
Pó de estrelas


Somos feitos
da mesma matéria
que as estrelas
e os amores-perfeitos

Somos feitos
de pó de estrelas»


                       Jorge Sousa Braga


Homem


Inútil definir este animal aflito.

Nem palavras,

nem cinzéis,

nem acordes,

nem pincéis

são gargantas deste grito.

Universo em expansão.

Pincelada de zarcão

desde mais infinito a menos infinito. 

                                                                  António Gedeão

Poema Máquina do Mundo

Está em marcha (no 10ºA) um Projeto interdisciplinar para assinalar o Dia Nacional da Cultura Científica, a 24 de novembro. Eis o poema que servirá de mote aos trabalhos de Física e Química A e Português.
NASA| Comet21P_Hemmerich_960|Imagem do dia - 8 de outubro.2018
Máquina do mundo

O Universo é feito essencialmente de coisa nenhuma.
Intervalos, distâncias, buracos, porosidade etérea.
Espaço vazio, em suma.
O resto, é a matéria.

Daí, que este arrepio,
este chamá-lo e tê-lo, erguê-lo e defrontá-lo,
esta fresta de nada aberta no vazio,
deve ser um intervalo



GEDEÃO, António. "Máquina de fogo". Obra completa. Lisboa: Relógio D'Água, 2006.
 NASA|Warped Galactic Ring (O anel galático 'deformado')

NASA |  https://www.nasa.gov/multimedia/imagegallery/index.html

GEDEÃO (biografia) | http://cvc.instituto-camoes.pt/ciencia/p24.html

POEMAS de A. GEDEÃO | https://www.escritas.org/pt/antonio-gedeao

segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Português - origem e evolução

Na sequência do documentário e da abordagem em aula, com o apoio do Manual, ficam os diapositivos sobre História da Língua.
Aproveita para completar as informações que registaste no Caderno.

Primeiramente, são reproduzidas as informações relativas à génese do português e à Romanização e depois o quadro das línguas românicas
Posteriormente, vamos rever a expansão do Português nos vários continentes e a situação atual da nossa língua no mundo. 

GÉNESE DO PORTUGUÊS





AS LÍNGUAS ROMÂNICAS










Créditos: os diapositivos aqui reproduzidos têm por base materiais da Areal Ed. de apoio ao NOVO PROGRAMA DE PORTUGUÊS, selecionados, adaptados e/ou  com informações suplementares. 

História de Portugal com José Hermano Saraiva - Episódio 1


 
Vamos perceber como começou Portugal e a nossa língua

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Organiza-te!

Bem-vindo ao 10º ano de Português!

Este é o manual com que vamos trabalhar. 

Se já tens uma Gramática, vais usá-la, em casa e nas aulas. 

Se não tens e tencionam adquirir uma, aqui está a sugestão:


Também dispões de gramática e dicionário disponíveis na internet. Usa estes:

 




Para uma consulta breve, fica uma síntese do que vamos aprender/trabalhar este ano














O PROJETO DE LEITURA terá 3 momentos de partilha na turma, com outras turmas ou com a comunidade escolar - dezembro; março e maio/junho.

(alunos da HN, de anos anteriores)
Bom ano letivo!

O ser a quem chamo eu

«O ser a quem chamo eu veio ao mundo numa certa segunda-feira, 8 de Junho de 1903, pelas oito horas da manhã, em Bruxelas, e nascia de um francês descendente de uma velha família do Norte e de uma belga cujos ascendentes se tinham estabelecido em Liège há alguns séculos atrás, tendo depois vindo a fixar-se no Hainaut. 
A casa onde se dava este acontecimento, visto que todo o nascimento o é para o pai e a mãe e algumas pessoas que lhe são próximas, situava-se no número 193 da Avenida Louise, e desapareceu há uns quinze anos devorada por um prédio de apartamentos.
Estabelecidos assim estes poucos factos que por si só nada significam e que, no entanto e para cada um de nós, têm mais alcance do que a nossa própria história ou do que a história simplesmente, detenho-me, tomada de vertigem perante o inextricável enredo de incidentes e de circunstâncias que mais ou menos a todos nos determinam. 

Essa criança do sexo feminino, integrada já nas coordenadas da era cristã e da Europa do século XX, esse bocadinho de carne rosada a chorar num berço azul obriga-me a fazer-me uma série de perguntas tanto mais temíveis quanto parecem banais, daquelas que qualquer literato que se preze evita a todo o custo fazer.
»
Marguerite Yourcenar, Memórias 

E tu?

Quem é o ser a quem tu chamas «eu»?

Pensa no assunto e escreve algumas linhas.

Começa o teu texto por «O Ser a quem chamo eu»

 (podes enviar o teu texto para publicar usando um pseudónimo)