quinta-feira, 22 de novembro de 2018

Géneros textuais - Exposição sobre um tema (Fernão Lopes - contexto)



TEXTO A:«A aclamação do Mestre de Avis como rei de Portugal em 1385, nas cortes reunidas em Coimbra, teve como pano de fundo a complexa situação que surgira no país depois da morte de D. Fernando em 1383. A sucessão de D. Beatriz, casada com João I de Castela, e a regência de sua mãe, D. Leonor Teles, suscitaram a oposição de setores da burguesia que pretendiam impor a sua orientação política e viam na figura de João Fernandes Andeiro o principal obstáculo a quaisquer mudanças. Provavelmente de acordo com importantes figuras da nobreza, às quais não agradaria também a intromissão do conde Andeiro, foi decidido que este deveria morrer e escolhido o Mestre de Avis para executar o plano traçado. O Mestre aceitou o papel que lhe atribuíram, mas teve o cuidado de exigir o apoio popular que garantiria a sua segurança depois de matar o favorito de Leonor Teles. Quando se perpetrasse o assassínio do conde Andeiro, seria posta a correr a notícia de que atentavam contra a vida do Mestre de Avis, para que o povo acorresse ao paço em sua defesa e o aclamasse como herói que escapara a uma armadilha congeminada pela rainha viúva e pelo seu astucioso amante.

Este episódio esteve na origem de uma insurreição popular contra a regente   [...]»

Luís Serrão, Reis e Presidentes de Portugal, vol. II – Dinastias de Avis e Filipina, Lisboa, Abril/Controljornal, 2001, pp. 7-9

1. Identifica o assunto da exposição.
2. Regista dois exemplos do seu caráter demonstrativo.
 

TEXTO B. 
«[D. João I é filho] bastardo de D. Pedro I e de uma dama galega. O mestrado da Ordem de Avis foi-lhe destinado desde a sua infância e é nesse sentido que decorre a sua educação, a cargo do comendador-mor da Ordem. [...]
 O facto de ter sangue real e de ser olhado como chefe provável do partido adverso à parceria Leonor Teles / conde de Andeiro, deve ter contribuído para a sua prisão ordenada por D. Fernando. Mais tarde é libertado por ordem do rei e a esse facto não deve ter sido estranha a intervenção pessoal do conde de Cambridge, chefe do contingente inglês em Portugal.
Depois da morte do rei, entra-se no período da guerra civil e da guerra com Castela e D. João, aclamado regedor e defensor do reino, procura consolidar a sua posição no meio de hesitações e compromissos. E aclamado rei em 1385, vence a guerra com Castela e obtém tréguas em 1389. Volta-se então para os problemas internos do reino e impõe a sua autoridade à nova nobreza, que chefiada por D. Nuno Álvares Pereira.[...]
Morreu em 1433. Pessoalmente, foi-nos legado o retrato de um homem prudente, astuto, cioso do poder e da autoridade, ao mesmo tempo, terno, humano e benevolente.»
1. «Pelo seu caráter demonstrativo, num texto expositivo necessitamos de proceder a operações como identificar, caracterizar, descrever (...), com concisão.» Identifica no texto exemplos destas marcas.  

quinta-feira, 15 de novembro de 2018

Fernão Lopes, Crónica


Textos de apoio[1]
Exercício Formativo
PORTUGUÊS, 10º Ano
Tema: Fernão Lopes, Crónica de D. João I
Novembro 2018


I
A
CRÓNICA n. fem. (do gr. Kronos, tempo). 1. Sequência, compilação de factos registados segundo a ordem do seu desenrolar. Se a narração se faz por ano, toma o nome de anais, se de dez em dez anos, chama-se décadas. As crónicas traçavam a história de um reinado, de uma dinastia ou de uma instituição e mesmo a história de um povo, desde os seus começos, mas sem que o autor tente determinar as causas e apontar os efeitos. […]. 3. Subgénero jornalístico de comentário a temas ou acontecimentos recentes.
B
Crónica de D. João I ou Crónica del Rei Dom Joam da Boa Memória, obra-prima da autoria do cronista português Fernão Lopes, escrita entre 1434 e 1443 e editada apenas em 1664. Compõem-na duas partes e abrange, historicamente, o período do interregno (1383-1385) e os acontecimentos que antecederam os esponsais da infanta D. Beatriz com o filho do conde de Cambridge: a aclamação do Mestre de Avis, o assassínio do conde Andeiro, a trucidação do bispo de Lisboa pela multidão, o cerco da capital e a peste no arraial castelhano e as batalhas de Aljubarrota e Valverde são alguns dos quadros que o autor aí trata com impressionante verbalismo, vigoroso e colorido.
AA. VV., 2001 “Crónica” e “Crónica de D. João I ou Crónica del Rei Dom Joam da Boa Memória”, in Nova Enciclopédia Larousse. Vol. 7. Lisboa: Círculo de Leitores (pp.2109-2110)

1. Indique, no texto A, qual das definições de crónica corresponde à obra de Fernão Lopes. Justifique.

2. Refira, a partir do texto B, a data de redação e de edição da Crónica de D. João I; o modo como a obra se estrutura; quais os quadros que a compõem.


II
Leia com atenção o texto.
A
     «D. Leonor Teles a seduzir o fraco rei D. Fernando, o Mestre de Avis a apunhalar o amante dela, conde de Andeiro, o povo de Lisboa a nomear o Mestre “regedor e defensor do reino”, o condestável Nuno Álvares Pereira a derrotar os Castelhanos em Aljubarrota e várias outras batalhas…Tudo isto é familiar a muitos Portugueses (infelizmente, não a tantos como seria desejável), mas se assim acontece o mérito é de um homem acerca do qual não sabemos muita coisa: Fernão Lopes. Nada mais, nada menos do que um dos maiores escritores portugueses de sempre.
     A bem dizer, este Fernão Lopes – que nasceu à volta de 1380 e morreu em meados do século XV – não era bem o que agora entendemos por escritor, pois não foi um ficcionista. Tudo o que ele escreveu era verdade e, se tivesse vivido hoje, chamar-lhe-íamos historiador. No tempo dele davam-lhe o nome de cronista. A missão de que estavam encarregados os indivíduos com este ofício era escrever a história dos reinados que tinham ficado para trás. Quem lhes pagava eram os reis. Eram, portanto, funcionários públicos. Compreende-se assim que os cronistas fossem naturalmente muito aduladores: para agradar aos “patrões”, diziam bem dos pais e dos avós destes, ou seja, dos reis sobre os quais escreviam.
     Não foi bem esse o caso de Fernão Lopes. A ideia que o norteou foi contar as coisas com o máximo de realismo. E, como observador atento da realidade que era, não lhe escapou o papel decisivo desempenhado pelo povo anónimo no curso da História. Como se isto não bastasse, era um artista da frase, um pintor de imagens verbais, um compositor sinfónico que utilizava as letras em vez das notas de música. O resultado foi a obra admirável que nos deixou: a Cónica de D. Pedro, a Crónica de D. Fernando e a Crónica de D. João. É graças a elas que sabemos “tudo” acerca da segunda metade do século XIV português e que consideramos esse período um dos mais fascinantes da nossa História.
     Fernão Lopes, que não tinha pergaminhos de nobreza, foi também o segundo diretor da Torre do Tombo. […]»
MARTINS, Luís Almeida, 2011. 365 Dias com histórias da História de Portugal. 
Lisboa: A Esfera dos Livros (pp 127-128)

1. Estabeleça, a partir do texto, a biografia de Fernão Lopes.
2. Explique o que significava ser cronista naquele tempo.
3. Com base no penúltimo parágrafo, apresente os traços mais marcantes do estilo lopesiano.



[1] Seleção, organização e questionários – Paula Viegas, ESHN, 2015.

Fernão Lopes


«No século XV, um cronista era um historiador. O rei encarregava um cronista de registar os feitos mais importantes do seu reinado ou dos anteriores.»

«Que acontecimentos históricos são relatados na 1.ª parte da Crónica de D. João I?
Na parte da Crónica de D. João I é relatada a crise de sucessão de 1383-85 que teve lugar no fim da primeira dinastia e que levou ao poder a dinastia de Avis. Durante esta crise, o Mestre de Avis, futuro rei D. João I, teve um papel determinante na defesa da independência de Portugal do domínio de Castela.»

«Os atores da Crónica de D. João I são personagens individuais como o Mestre de Avis ou Álvaro Pais, mas também a personagem coletiva representada pelo povo anónimo.»
«O verdadeiro protagonista da Crónica de D. João I é o povo que surge mitificado e elevado à categoria de herói. A personagem coletiva escolhe o Mestre como seu líder e luta ao seu lado pela independência nacional.»


              

EXERCÍCIO

1.Vê o documentário
2. Vai tomando NOTAS, por TÓPICOS

3. Com base nas tuas notas e revendo uma ou outra passagem, se necessário,
escreve um TEXTO EXPOSITIVO (100 a 150 palavras) sobre o Tema

FERNÃO LOPES E O SEU TEMPO

terça-feira, 13 de novembro de 2018

Fernão Lopes e Torres Vedras

Fernão Lopes, na «Crónica de D. João I», dedica uma pequena passagem à descrição da vila medieval de Torres Vedras. Na crise dinástica, a vila tinha tomado o partido do rei D. João de Castela, pretendente ao trono de Portugal, pelo que o Mestre de Avis e Nuno Álvares Pereira tentaram tomar o Castelo de Torres Vedras entre 1384 e inícios de 1385.

            «Este logar de Torres Vedras he hua fortelleza aseemtada em çima dhua fremosa mota, a quall natureza criou em tam hordenada igualldade, como sse a maão fosse feita artefiçialmente; teem boom e graçioso termo junto comssigo e arredor, de paães e vinhas e outros mantiimentos, que naquell tempo per aazo da guerra de todo pomto eram gastados. A villa tem sua çerca arredor do monte, e na mayor alteza delle esta o castello; e amtre a villa e o castelo moravom tam poucos, de que nom he fazer conta; e toda sua poboraçom era em huu gramde arravallde de muitas e boas casas, em bem hordenadas ruas ao pee do monte.».
Fernão Lopes 

As Crónicas de Fernão Lopes - estuda na net


Castelo de Torres Vedras - Nos Alvores da Idade Moderna (PT)


Torres Vedras, PORTUGAL


Turismo de Portugal lança vídeo de promoção "Can't Skip Portugal"


sábado, 10 de novembro de 2018

Cantigas de amor e outras músicas

Continuamos a publicar materiais (letras ou vídeos) escolhidos pelos alunos
para análise e reflexão sobre o tema A MÚSICA E AS CANÇÕES NA ATUALIDADE
Banda: Galgo

quinta-feira, 8 de novembro de 2018

Cantigas de amor e outras cantigas da nossa vida

 N.S.|Brooklin.NY
O PAPEL DAS CANÇÕES E DA MÚSICA NA ATUALIDADE |Começamos a publicação das letras das canções contemporâneas escolhidas pelos alunos, no âmbito desta reflexão (trabalho de aula: seleção e análise formal e de conteúdo de 'cantigas' dos séculos XX ou XXI; comparação com cantigas medievais; reflexão crítica).
António Variações - "Estou além"

Não consigo dominar
Este estado de ansiedade
A pressa de chegar
P'ra não chegar tarde
Não sei de que é que eu fujo
Será desta solidão
Mas porque é que eu recuso
Quem quer dar-me a mão

Vou continuar a procurar a quem eu me quero dar
Porque até aqui eu só

Quero quem
Quem eu nunca vi
Porque eu só quero quem
Quem não conheci
Porque eu só quero quem
Quem eu nunca vi
Porque eu só quero quem
Quem não conheci
Porque eu só quero quem
Quem eu nunca vi


Esta insatisfação
Não consigo compreender
Sempre esta sensação
Que estou a perder
Tenho pressa de sair
Quero sentir ao chegar
Vontade de partir
P'ra outro lugar

Vou continuar a procurar o meu mundo, o meu lugar
Porque até aqui eu só

Estou bem
Aonde não estou
Porque eu só quero ir
Aonde eu não vou
Porque eu só estou bem
Aonde não estou
Porque eu só quero ir
Aonde eu não vou
Porque eu só estou bem
Aonde não estou

Esta insatisfação
Não consigo compreender
Sempre esta sensação
Que estou a perder
Tenho pressa de sair
Quero sentir ao chegar
Vontade de partir
P'ra outro lugar

Vou continuar a procurar a minha forma, o meu lugar
Porque até aqui eu só

Estou bem
Aonde não estou
Porque eu só quero ir
Aonde eu não vou
Porque eu só estou bem
Aonde não estou
Porque eu só quero ir
Aonde eu não vou
Porque eu só estou bem
Aonde não estou
7 de novembro de 2018 às 08:57



Amor Electro - "A Máquina"

Saber o que fazer
Com isto a acontecer
Num caso como o meu
Ter o meu amor...
Pra dar e pra vender
Mas sei que vou ficar
Por ter o que eu não tenho
Eu sei que vou ficar...

É de pedir aos céus
A mim, a ti e a Deus
Que eu quero ser feliz
É de pedir aos céus...

Porque este amor é meu
E cedo vou saber
Que triste é viver...
Que sina, ai que amor

Já nem vou mais chorar
Gritar, ligar, voltar...
A máquina parou
Deixou de tocar

Sentir e não mentir
Amar e querer ficar...
Que pena é ver-te assim...
Já sem saberes de ti
Rasguei o teu perdão
Quis ser o que já fui
Eu não vou mais fugir
A viagem começou

Amor Electro | A Máquina


António Variações - "Estou Além"


quarta-feira, 7 de novembro de 2018

Poesia Trovadoresca

 
O Cancioneiro da Ajuda é uma coletânea de poemas em galego-português datada do final do século XIII.
Conserva-se na biblioteca do Palácio Nacional da Ajuda. É um códice de pergaminho escrito por uma única pessoa em escrita gótica com miniaturas que representam os músicos e as bailadeiras.  

Ficou incompleto: aparecem os textos, mas não se terminaram as miniaturas iniciais nem se copiou a música — para a qual há um espaço reservado.
Possui 310 composições poéticas, todas cantigas de amor. 

 
Pergaminho Vindel é um texto copiado no final do século XIII ou começo do XIV e possui características similares ao Cancioneiro da Ajuda
Contém as sete Cantigas de Amigo do jogral galego Martim Codax, seis das quais musicadas. A primeira cantiga é «Ondas do mar de Vigo».
Vê aqui a estranha história deste pergaminho.


Graças a uma equipa de cientistas e investigadores da Universidade Nova de Lisboa, dirigidos pela especialista em Literatura Medieval Profª Doutora Graça Videira Lopes, foi possível, após anos de trabalho, termos ao nosso dispor uma base de dados com toda a produção dos poetas medievais em galego-português e as versões musicadas das canções, para além de muitos outros recursos, como um Glossário dos arcaísmos

CANTIGAS MEDIEVAIS GALEGO-PORTUGUESAS (apresentação) 

CANTIGAS MUSICADAS: Índice e ligações para todas as Cantigas 

Ondas do Mar de VigoCompositor: Martim Codax, Interpretação - Grupo La Batalla

Bailemos nós já todas três, Compositor: Afonso X. Interpretação - Grupo vocal e instrumental: The Dufay Collective

Cancioneiro da Ajuda - 2 cantigas

terça-feira, 6 de novembro de 2018

sexta-feira, 2 de novembro de 2018

10ºB-Reunião de Pais

Atenção: a reunião nº 2 com os pais e encarregados de educação do 10º B fica agendada para o dia 20 de novembro, às 18h00.
Entretanto seguirá a convocatória com a Ordem de Trabalhos.