segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

Música, uma linguagem universal




Nos dias de hoje, somos bastante influenciados por cantores, bandas e claro pelas suas músicas. Muitas vezes, devido à diversidade musical existente, as músicas conseguem transformar os nossos sentimentos em palavras, e até mesmo mudá-los. Podem também levar-nos a fazer algo de que gostamos, encorajar-nos, ou a expressar a nossa indignação.
A música pode também ser uma forma de espalhar ideias, tal como aconteceu na revolução portuguesa, a 25 de abril de 1974, com a música “Grândola VilaMorena”.
Em comparação com a Poesia Trovadoresca, existem semelhanças tais como o refrão, o paralelismo e a rima. Continuam a prevalecer os temas sobre o amor não correspondido, e as críticas ainda são bastante comuns, mas atualmente existe uma maior diversidade, pois outros temas forma alvo de composições musicais como amor correspondido, a depressão, o suicídio, por exemplo. 
Também outros sentimentos foram sendo mais comuns, assim sendo a nostalgia, a solidão, a indignação e muitos mais, embora já estivessem presentes na poesia trovadoresca como na cantiga "Sedia-m'eu na ermida de San Simion" (séc.XIII), em que a jovem aborda os perigos do amor, a solidão e o medo causados pela espera do amado:
«[...] Estando na ermida ant'o altar,/cercaron-mi as ondas grandes do mar./...Eu atendend'o meu amigo!/...Eu atendend'o meu amigo! [...]E cercaron-mi as ondas do alto mar;/non ei i barqueiro, nen sei remar./...Eu atendend'o meu amigo!/...Eu atendend'o meu amigo    [...] Non ei i barqueiro, nen sei remar:/morrerei, fremosa, no alto mar./...Eu atendend'o meu amigo!/...Eu atendend'o meu amigo!»                                                        
Não podemos deixar de referir que nas cantigas contemporâneas a relação entre homem e mulher já não é hierarquizada.
Um exemplo comparativo e semelhante entre as cantigas contemporâneas e as cantigas trovadorescas de amor, é a música “Shape of You” (“you know I want your love/Your love was handmade for somebody like me”)  e a cantiga “Quer, eu em maneira de provençal”, mas só no que se refere ao tema geral, porque as circunstâncias e a forma de relacionamento entre o sujeito e a mulher amada/desejada são muito diferentes.
Podemos por isso concluir que embora os tempos tenham mudado a música continua a ser uma linguagem universal.
Autoria: Rita S. |18/11 

Imagem| filme 4242 de Sara Estáquio, antiga aluna de Artes da Henriques Nogueira, premiado internacionalmente com mais de 30 prémios. 

AI FLORES, AI FLORES DO VERDE PINO | D. Dinis / Helena De Alfonso


Canções - os mesmos sentimentos, a mesma beleza poética


Existe uma variedade incalculável de canções nos nossos dias, todas são diferentes, mas se nós debruçarmos atentamente sobre elas, perceberemos que são bastante parecidas umas com as outras, não só na forma, mas também no conteúdo. Nas canções apresentadas em aula, o tema principal é o amor, a paixão sentida entre os dois sujeitos. 
Estas canções podem ser comparadas com as cantigas da Idade Média pois apresentam características semelhantes. 
“A Máquina", dos Amor Electro, tem características comuns com as Cantigas de Amigo, tais como o sujeito poético ser feminino, e os sentimentos de perda e paixão pelo seu amado, bem como a presença de paralelismo e refrão. Pode também ser comparada às Cantigas de Amor, porque o amor é descrito de forma hiperbólica e acaba por acontecer um desgosto de amor - coita. As canções" Quem me dera “, da Marisa e " Anel de rubi", de Rui Veloso, podem ambas ser equiparadas às Cantigas de Amor, devido a apresentarem um sujeito poético masculino que se dirige à sua amada/" senhor " e que vive um amor inalcançável, impossível e incondicional. Ambas apresentam sentimentos de desejo e desespero, tal como a presença de muitas metáforas. Têm também paralelismo e um refrão forte que nos transmite o amor vivido, tal como nas Cantigas de Amigo.
O amor é, portanto, um fator que podemos considerar fulcral à nossa existência, visto que, desde as Cantigas do século XII à música do século XXI é um tema muito abordado por compositores de todas as épocas, sendo historicamente universal. Um exemplo de uma passagem de uma Cantiga de Amigo que exemplifica as características descritas é: "Se sabedes novas do meu amigo/Ai Deus, e u é? ", que revela a paixão e preocupação da jovem pela ausência do amado,  e das Cantigas de Amor é: "A dona que eu am'e tenho por senhor/amostrade-mi-a, Deus, se vos en prazer for,/senom dade-mi a morte. ", em que o trovador, de forma hiperbólica, refere que será preferível morrer se não conseguir ver a sua amada.
Concluindo, apesar de termos evoluído muito a nível tecnológico e na sociedade, a nível musical continuamos a ter as mesmas características das cantigas da Idade Média, os mesmos temas, os mesmos sentimentos, a mesma beleza poética.

Ema C.
Henrique B.
Inês P.
João M.
Maria Carolina
10°A |3 de dezembro de 2018

Imagens| Mariza  https://joespub.publictheater.org