quarta-feira, 8 de junho de 2016

Relatos de Viagem imaginários

 
Relatos de Viagem imaginários a cidades onde nunca se foi ou (ainda) inexistentes. Exercício de escrita criativa inspirado pelo livro As Cidades Invisíveis, de Italo Calvino




Cidade Futurística


Nesta cidade podemos ter uma visão do como poderá ser o futuro, aquilo por que todos anseiam mas que também alguns receiam saber.

Esta pequena cidade é composta por cerca de dez milhões de habitantes. Podemos considerá-la um lugar pacífico para se viver, pois nunca, em tantos anos de história, houvera um único registo que fosse acerca de algum tipo de crime, o que demonstra que os seus habitantes são civilizados possuindo um bom senso comum.


Ao longo dos anos, a percentagem populacional tem vindo a aumentar e não é só devido às grandes e novas funcionalidades que se têm vindo a descobrir mas também pela nova vacina que fora criada que oferece a imortalidade, dando assim a cada um a possibilidade de parar o crescimento na idade que cada pessoa pretender.


Aqui as pessoas têm igual acesso às oportunidades pela simples razão de não existir dinheiro nem poder, permitindo assim que cada um possa usufruir daquilo que bem necessitar. Não existe um clima próprio, uma das coisas que torna a cidade apta a cada um é o facto de esta ser formada por quatro partes distintas relacionadas com as quatro estações do ano – Inverno, Primavera, Verão e Outono -   permitindo assim que cada um escolha em qual delas prefere viver.
 
Podemos chamar-lhe ‘Cidade Futurística’ pois aqui os carros circulam flutuando por duas vias – subterrânea e à superfície – tendo sido criadas para evitar o trânsito que muitas vezes é sentido nas outras cidades existentes. Para quem costumava andar sempre atarefado ou atrasado fora inventado um engenho que nos permitia voar, podendo assim deslocar-nos de uma maneira rápida e eficaz para qualquer lugar.


Nesta cidade os jovens não passam horas e horas em frente ao computador a jogar, aproveitam o tempo livre para ir dar um passeio pelo jardim, pelo bosque ou pela praia para conviverem com os seus amigos, ficando assim cada vez mais adeptos dos sons da Natureza, visto que todos os meios tecnológicos são silenciosos.

Para os novos habitantes desta cidade, os seus pais podem não só escolher o seu nome como podem esboçá-los de modo a que as suas características físicas estejam de acordo com o que desejam.

 
Ainda existe muito por contar acerca desta cidade mas para tal acontecer, quem o quiser saber, terá que se mover até este belo sítio para o poder apreciar e conhecer.

Autoras
Mariana Canhoto 10A
Márcia Assunção 10A


Crédito da imagem de abertura: http://www.wallpapersxl.com/wallpaper/1366x768/desenho-de-cidade-do-futuro-pap-is-parede-imagens-fotos-307820.html

terça-feira, 7 de junho de 2016

Leituras - Eneida

Memória de uma sessão de leitura muito interessante. Partindo da Eneida, de Vergílio, 
este leitor do 10º A viajou pela literatura e pela História europeias 
ao encontro de cinco pares amorosos  marcados pela tragédia. 
Vale a pena ouvir!


Tristão e Isolda e Lancelot e Guinevere
(exemplos dos marcadores oferecidos à turma)

Leituras I








10º A






Em breve, divulgaremos pequenos vídeos das intervenções. Estejam atentos!

Histórias trágico-marítimas IX


Gazeta da cidade de lisboa

Jorge de Albuquerque e a sua tripulação – do pânico à esperança

        No dia 9 de novembro deste ano da graça de 1565 a nau Santo António, comandada por Jorge de Albuquerque Coelho, regressa a Lisboa depois de um ano fora e quisemos ser os primeiros a saber como tinha sida a longa viagem.

        -Boa tarde capitão Albuquerque Coelho. Sabemos que vem cansado da viagem, mas gostaríamos de registar o seu testemunho, ainda que breve. Houve algum momento durante a viagem que sentiu que seria o fim?
        -Sim, claro. Ao longo do nosso percurso existiram vários momentos de desespero, mas aquele em que tudo podia terminar foi a 21 de junho, ao virar a costa de S. Tomé e Príncipe na viagem de regresso, rumo a Lisboa. Escureceu num abrir e fechar de olhos e, sem tempo de nos precavermos, as ondas negras e turbulentas fizeram-nos colidir com uma rocha, destruindo o gurupé. O pânico instalou-se. Perdemos repentinamente o controlo do barco, ficando à mercê da tempestade e das correntes, a proa encheu-se de água e para evitar o naufrágio, os meus tripulantes atiraram borda fora os seus bens pessoais assim como as mercadorias trazidas das nossas paragens.
        -Como é que os tripulantes reagiram a esse desespero?
        -Quando as ondas começaram a varrer os meus homens para fora do barco os que conseguiram agarrar-se, impotentes, gritavam e choravam desesperadamente pelos outros. Bem acredito que a alguns lhes tivesse passado pela cabeça acabar com a própria vida.
        -Como é que controlou e encorajou os seus tripulantes a superar esse momento e chegar ao destino?
        -Já passei por muitas tempestades e problemas a bordo, mas nenhuma como esta. Nunca tivera antes a sensação de perder o controlo, mas temos de vencer o nosso espírito egoísta. Assim, pensei nos meus homens e nas suas famílias que os aguardavam e comecei a orientá-los.
Começámos por nos alinhar no centro da nau para restabelecer o equilíbrio, outros retiravam a água da nau e os restantes taparam o buraco causado pela colisão com pranchas de madeiras e sacas de batata. Pedi que se unissem e rezassem para que Deus nos ajudasse naquele momento de aflição. A partir dali ouvi promessas que só um homem em desespero faz, promessas de bens e de sacrifícios.
        -Se pudesse voltar atrás mudava alguma coisa na sua atitude como capitão?
        -Não mudava nada na minha atitude e espero que tal situação não se repita, mas se acontecer teremos de agir mais rapidamente para melhor controlo dos tripulantes.
        -E por último, quais as qualidades mais relevantes num bom capitão?
        -São, sem dúvida nenhuma, ter esperança, manter sempre a calma, ter autocontrole, coragem, ser altruísta e ter discernimento.
        -Muito obrigada pelo seu tempo.
Porto de Lisboa no séc. XVI
 
Beatriz Guerra 10ºB
Carolina Moço 10ºB
Miguel Andrade 10ªB
Sofia Ferreira 10ªB

histórias trágico-marítimas VIII


Amada família,

Nesta viagem infernal onde água e comida escasseiam, tenho comigo bravos homens que têm vindo a suportar todo este sofrimento que só Deus reconhece.
Ontem, dia 13 de Setembro, fomos obrigados a desembarcar numa ilha desconhecida na esperança de obter água e alimento. Quando pisámos a areia molhada, já o céu escurecera e o frio cortante penetrava nos nossos corpos como um punhal. Afundámo-nos na densa vegetação que cobria toda a ilha. Ao fundo uma pequena aldeia se mostrava por entre os ramos construída com o que a ilha lhes oferecia. Dei graças a Deus!, finalmente foi- nos reestabelecida esperança. 
Corremos em busca de mantimentos e de imediato satisfizemos a sede. Enquanto pilhávamos o que podíamos ouvimos um alto brado num dialeto desconhecido aos nossos ouvidos. 
De repente,sobre nós, abateu-se uma chuva de lanças afiadas e de seguida surgiram dos arbustos homens e mulheres pintados na cara e no corpo cobertos de estranhos adornos. Toda a nossa esperança fora em vão. 
Reuni os meus homens ainda vivos e fugimos em direção à nau, pisando a areia agora encharcada pelo sangue derramado por aqueles que por cruéis lâminas foram atravessados.
Continuo a viagem, até ao destino, lembrando aqueles que perderam a vida naquela tenebrosa ilha.
Chegarei em breve e em breve estarei ao pé de quem realmente gosto.
 
Saudades,
Menezes Barbosa


Autores:
Afonso Morgado 10ºA
André César 10ºA
João Lopes 10ºA

histórias trágico-marítimas VII



1 de Junho de 1565, Angola

Minha Querida Catarina,

Os dias têm sido cada vez mais difíceis, temo-nos deparado com diversas dificuldades e infelizmente o medo está sempre presente.

Estávamos a sair do Brasil, a caminho de Angola, quando avistámos um navio Espanhol e este inesperadamente atacou-nos, foi horrível, houve momentos em que cheguei a pensar que a minha vida iria acabar naquele instante, mas fui umas das pessoas com sorte, pode-se dizer.

Em consequência do ataque a maior parte dos alimentos estragaram-se, tal como o mastro principal que segurava a vela grande e a gávea grande. Sinto-me desalentado, não só por tudo o que anda a acontecer, mas também pelo facto de aproximadamente 100 dos meus mais de 300 homens terem morrido devido ao ataque que sofremos.

O tempo aqui voa mas mesmo assim nunca mais chega o momento que mais anseio, o momento de te ver minha Catarina, morro de saudades tuas, só precisava da tua força agora mais do que nunca e de ouvir a doçura da tua voz a dizer que vai correr tudo bem, apenas basta acreditar e fazer por isso.

Espero que esteja tudo bem por aí e só te peço que nunca te esqueças do amor enorme que sinto por ti.

     Com amor,
     Jorge de Albuquerque Coelho

histórias trágico-marítimas VI

Querida Catarina,


Aportámos no porto de Amboim. A viagem está a ocorrer sem incidentes, mas por pouco: a tripulação é composta pelos marinheiros mais incompetentes de sempre. Ao saírmos de Lisboa quase naufragávamos, estes marinheiros conhecem menos os fundos que as crianças que mergulham nas águas provenientes da serra de Albarracín e que desagua na cidade lisboeta.
Quando íamos a passar por Malabo fomos atacados por índigenas que lançavam lanças em direção à nossa embarcação. Felizmente só 12 homens morreram, tivemos sorte.
Passamos os tempos mortos a jogar às cartas e se eles fossem tão bons a navegar como a jogar já tínhamos chegado.
Temo a passagem pelo Cabo da Boa Esperança porque com esta tripulação é difícil ter esperança. Estou a pensar em dar lhes algumas aulas de navegação.
Tenho saudades tuas minha princesa, de te olhar nos olhos, de sentir os teus lábios nos meus, de te abraçar, mas principalmente de comer os teus cozinhados, estes alimentos paradisíacos dão me a volta à barriga.
Infelizmente esta poderá ser a última carta que te escrevo pois temo padecer de uma febre ligeira.

Com muito amor,
Jorge de Albuquerque Coelho



Pedro Teixeira N° 24
Rodrigo Costa N° 25
Tiago Almeida N° 27
Tomás Antunes N° 28

segunda-feira, 6 de junho de 2016

histórias trágico-marítimas V

1 de abril
Tão grande pátria e tão insignificante ao mesmo tempo, que se dissolve no horizonte, como o sal se dissolve no mar.
Partimos agora em busca de novas terras, novos cheiros e novas cargas para entregar ao rei. Aqui a motivação e o medo da tripulação personificam-se na nau. Pois apesar das dolorosas partidas a ansiedade pelo desconhecido domina.

25 de abril
Partimos agora da cidade de Funchal, com mantimentos suficientes para chegarmos até Cabo Verde. E apesar de serem poucos os dias de viagem as incertezas tomam forma, só os jogos, danças e cânticos nos distraem e nos permitem continuar navegando.

3 de junho
Trabalhávamos arduamente em diversas tarefas, quando de súbito  altos brados se ouvem aclamando terra, o momento de ânsia crescia, enquanto a tripulação - desesperada por enviar correspondência - ofegava em altos berros; as velas começaram a descer e ancora preparada para fixar no mar.
Num momento aquele que avista terra, tenta corrigir o seu erro. "Corsário, corsários, corsários". Um bloqueio surge com o nevoeiro dando lugar logo depois ao pânico. Alguns homens escondem-se, outros preparam os canhões, e empunhando espadas juram defender a nau a todo o custo.

Ataque de piratas a barco espanhol em meados do séc. XVII (col. priv.)

3 junho (segundo capitão que acompanhava a viagem numa outra nau)
Atrás íamos da grande e brava tripulação da nau «Monteiro», cheia de ledas e aventurosas almas que ao primeiro assalto confundiram o nevoeiro com os infames corsários espanhóis.
Da nossa modesta nau que escapou, vimos os nossos camaradas aflitos com a morte à popa.
A primeira feroz bola de chumbo perfurou a proa atingindo madeira que se desfez parecendo ter-se evaporado, os mantimentos que escasseavam agora flutuavam nas águas azuis.
Fogo!Fogo!Dizem desesperados os marinheiros lusos.
Todos os canhões disparam balas de chumbo, que atravessam o nevoeiro na esperança de atingir o inimigo.
Mas foi em vão, os corsários souberam assim a sua posição , e a retaliação, foi pior, inúmeras balas atravessavam a nau portuguesa não parando em súplicas ou rezas, o mastro principal cai, tal como a esperança dos bravos Lusitanos. A água invade o convés alguns na esperança de atenuar o sofrimento, cortam as próprias gargantas, o sangue tinge a água diminuindo a sua transparência.



David Carvalho 10ºA
Henrique Santos 10ºA
Carolina Oliveira 10ºA

histórias trágico-marítimas IV


Diário de Bordo
12 de dezembro 1565
Hoje dia 12, fomos sujeitos a algo nunca antes vivido, uma enorme e trágica tempestade.
Estou preocupado com os meus homens, a situação está bastante complicada, já nem sei que mais lhes dizer, as minhas palavras de sabedoria e esperança já não são suficientes para os acalmar. Tento manter a fé e a união na tripulação mas nem sempre é fácil, ver tudo o que havemos conquistado, lançado ao mar, perdido e o constante choro sentido a bordo da embarcação tornam a situação cada vez mais desconfortante.
Temos sido obrigados a lançar os nossos pertences, as mercadorias, tudo ao mar, numa tentativa de tornar a embarcação mais leve para nos ser mais fácil manobrá-la e desviá-la das enormes ondas deste mar tão bravo, tentativa essa que até agora tem sido um fracasso.
São agora 10 horas, a noite escurecera por completo e o mar começara a ficar de novo agitado. Estrondeando desmancha o leme, leva o mastro do traquete juntamente com a sua verga, a cevadeira, o castelo da proa, as âncoras; estilhaça a ponte, o batel, o beque, arrebatando pessoas, mantimentos, pipas, tudo entregue às ondas do mar.
Estou neste momento a olhar para os meus tripulantes, já todos de joelhos, virados para o céu pedindo misericórdia a Deus, lutando pela sua sobrevivência; um relâmpago dirige-se até à embarcação. Não sei como tal tragédia acabará mas uma coisa é certa, não deixarei nunca nenhum dos meus homens para trás, lutarei sempre por eles até ao fim, pois é esse o meu dever como capitão e responsável por esta embarcação.

Jorge de Albuquerque


Mariana Canhoto 10ºA
Márcia Assunção 10ºA

Imagem:
Obra de Rembrandt Van Rijn “Cristo na Tempestade no Mar da Galileia”

quinta-feira, 2 de junho de 2016

histórias trágico-marítimas - III

Minha senhora mãe, já lá vão oito meses de viagem, mas finalmente atingimos o nosso destino.
Peço imensa desculpa por não lhe ter escrito mais cedo, mas tivemos vários atrasos e incidentes durante a viagem.
Num deles fomos atacados por uma tempestade. Primeiro, avistámos o céu escurecer, o mar ficou irado e os relâmpagos bradavam. Com todo o esforço controlámos a embarcação, foi a primeira vez que enfrentámos a ira do mar. Depois quando a fome apertava fomos revistar o convés do navio à procura de comida, deparamo-nos com ela toda alagada e por isso inutilizável.
Passámos duas semanas praticamente sem comer e quase a pensar em canibalismo, mas felizmente tivemos um capitão firme, João de Albuquerque, que nos impediu. Ao fim de quarenta e oito dias encontrámos terra finalmente.
Outro dos acidentes bastante peculiar com que nos deparámos logo quase a chegar à Índia, atingiu-nos durante a noite, estava grande parte da tripulação a dormir e estava eu a leme, quando de repente elevou-se um estranho cheiro a enxofre, não liguei, pensei que tivesse sido um dos pobres coitados que estavam a dormir, quando de súbito o mar começa a borbulhar e emergem grandes rochas do fundo do mar, com colunas de fumo à mistura. Sabe-se lá o que Neptuno estaria a tramar. Felizmente, a nossa embarcação encontrava-se a uma boa distância, de maneira que foi maior o espanto que o estrago. Logo de seguida chegámos ao nosso objetivo, e aqui estou são e salvo.
Espero que esteja tudo bem aí em casa, e se tudo correr de feição chego no próximo ano a casa.
Com muitas saudades,
Rodrigo da Silva

Rafael Silva
Beatriz Lucas
10°B
Imagem:Antigos havaianos observam uma erupção vulcânica,  quadro no museu do parque dos vulcões, em Volcano, na Big Island, no Havai. Disponível em http://www.1000dias.com/rodrigo/a-batalha-milenar/

histórias trágico-marítimas - II


Meu Rei e Senhor,

Escrevo-vos a última carta pois a valentia de nada serve neste desterro, neste mundo onde amigos se viram contra os seus amigos.Tenho esperança que alguém encontre esta carta e a leve até vós.
Há uma semana que o último rato do convés foi comido, não existem já vívere algum, a encardida água escorreu pelas gargantas sequiosas dos homens que já perderam a esperança.
Hoje, uma hora antes do nascer do sol, morreu o primeiro homem, pensei que lhe tinha dado o merecido enterro. Qual não foi o meu espanto quando em vez de nos despedirmos do nosso camarada e amigo, dissemos adeus, pela ignorância, a um desesperado homem, o qual tomado pelo desejo de se livrar deste tormento pediu, em nome de Deus, ao seu camarada, que tomasse o seu corpo como o do cadáver.
Aqueles homens, que perderam a esperança e a fé em Deus, tomaram o cadáver e, dividindo-o entre eles participaram num macabro banquete, como prato principal, seu companheiro.
Interrompi este sinistro banquete e chamei os homens, dos quais sou capitão, para que se livrassem do desespero e confiassem nos desígnios de Deus, acrescentando no fim que se eu sucumbisse, podiam tomar-me como prato principal. Surgiu no meio da tripulação uma voz que bradou:
— Arrombem a nau para acabarmos de vez e partirmos para o Reino do Pai.
Com recurso a vários argumentos dissuadi a tripulação desta absurda e terrível ideia. Aos poucos, os homens foram regressando à razão.
Levantou-se então um terrífico nevoeiro. A tripulação pensa que encontrou o seu fim. Brada aos céus e pede ajuda ao Rei Menino para que os guie de volta à pátria. O ambiente é de desespero...
Penso que vejo terra...

O Capitão,
Jorge Albuquerque Coelho

Diogo Peliz, nº9
Diogo Cristo, nº10
João Antunes, nº14
Maria Nazaré, nº19
10ºA

histórias trágico-marítimas I

 
3 de setembro de 1695
Hoje de manhã avistei uma nau portuguesa no horizonte azul. Relatei este achado ao comandante e sugeri que abordassemos o navio. Notei que ao início ele ficou um pouco apreensivo, mas depois de um breve debate entre a tripulação, rapidamente viramos o leme a estibordo e dirigimo-nos à nau lusitana.
 
Mal nos aproximámos, ouvimos os portugueses a gritarem pelo nosso nome, em pânico. Preparavam a sua artilharia para impossibilitar-nos de aproximar mais, de modo a ancorarmos o seu navio. Se isto continuar nesta boa maré chegarei a casa mais rico que um sultão do sul!

4 de setembro de 1695
Estes portugueses são rijos como rochas, parece que têm com eles a força divina. Chegou o fim do dia e a perseguição ainda perdura. Temo que teremos de lutar o resto desta noite enquanto fazemos pequenos turnos para dormir ao som dos canhões. Esta vida de corsário não é fácil…

5 de setembro de 1695
As horas de sono não foram muitas, porém adormeci um pouco enquanto pensava em ti. No convés o cheiro da pólvora ainda se sentia e o ruído dos canhões levaram a tripulação à insanidade. O comandante encontra-se mais bravo que nunca e decide dar com tudo o que temos. Rodámos o leme umas quantas vezes e no fim da tarde os portugueses renderam-se.
Abordámos a sua proa e conseguimos saltar para o navio. Para grande surpresa nossa, os portugueses não só tinham a bordo pelo menos duas armas de artilharia (que aparentavam ser o berço e o falcão) como tiveram a audácia de os usarem contra nós, tendo sido apenas oito dos marinheiros da tripulação que estavam dispostos a lutar! A sua ousadia, não só a do capitão como a da tripulação que estava à sua mercê, agradaram ao nosso comandante que, com um sorriso na cara, admirou-os e riu-se numa gargalhada aliviante. Isto não era normal, eu nunca tinha visto o comandante assim, mas o mais importante é que conseguimos os tesouros Indianos. Posso voltar para casa com algo mais do que apenas histórias!
Espero que esta página do meu diário chegue até vós, minha amada, através desta carta que irá percorrer o mundo. Não vos esqueceis de mim, que eu não me esqueço de vós…

Diogo Vale
Miguel Lopes
Samuel Ventura
10ºB
 
Imagem:
Navio pirata perseguindo sua presa – Fonte – http://www.aliexpress.com

hsitórias trágico marítimas



12 de Setembro 1565
Queridos pais,
Espero que vós estejais bem de saúde.

    O vento estava calmo, mas logo começou a soprar em fúria, vós nem íeis acreditar, uma tempestade caminhava em nossa direção, de tal maneira que o mar e o vento se juntavam numa só força da natureza de destruição e desespero.
    Querida mãe, peço-vos perdão pelo que fiz naquele momento, pois para minha própria sobrevivência e a dos meus companheiros alijei tudo o que tinha comigo, e à minha volta.   
    O mar continuava violento com ondas gigantes e os homens a gritar - parecia tudo um pesadelo que se tornou realidade. Perante este furor de tempestade o leme foi derrubado, dentro de mim, sentia que não íamos ser capazes de passar por esta tormenta. Sentia-me sem esperança e sem coragem! Naquela mesma hora ajoelhei, as lágrimas escorriam-me pelo rosto e queimavam-me, e pedi a Deus uma salvação.
    Foi aí que meu amigo e capitão, Jorge de Albuquerque Coelho, meteu uma mão no meu ombro e sorriu para mim como se quisesse dizer que tudo ia ficar bem. Depois virou-se para todos dizendo que nós não íamos acabar aqui e que para isso tínhamos que ter coragem e não desistir, porque o nosso destino é continuar navegando até chegar a casa. Todos gritaram perante aquelas palavras.
    Ah, pai, os franceses estavam com tanto medo que pareciam nossos escravos; quem me dera que estivésseis ali naquele momento, eu sei que iríeis adorar.
    Queridos pais, eu não ia desistir até chegar a casa; por isso, naquela tormenta eu remei, empurrei, levei com ondas, engoli água, parecia o fim do mundo, mas aguentei, porque sabia que depois de toda esta destruição eu ia estar convosco outra vez.

Muitas felicidades do vosso querido filho
Tristão Pereira

10ºB
Trabalho de:
Daniela Monteiro
Maria Pereira
Micaela Cesário