Olhar para o humano como um cientista
Escrever é corrigir a fortuna, que é cega,
com um júbilo da Natureza, que é precavida.
Agustina
Lê esta passagem. Pensa. Reavalia. O livro existe na nossa Biblioteca, e espera-te!

«É esta a mais grandiosa história dos
homens, a de tudo o que estremece, sonha, espera e tenta, sob a carapaça
da sua consciência, sob a pele, sob os nervos, sob os dias felizes e
monótonos, os desejos concretos, a banalidade que escorre das suas
vidas, os seus crimes e as suas redenções, as suas vítimas e os seus
algozes, a concordância dos seus sentidos com a sua moral. Tudo o que
vivemos nos faz inimigos, estranhos, incapazes de fraternidade. Mas o
que fica irrealizado, sombrio, vencido, dentro da alma mais mesquinha e
apagada, é o bastante para irmanar esta semente humana cujos triunfos
mais maravilhosos jamais se igualam com o que, em nós mesmos, ficará
para sempre renúncia, desespero e vaga vibração. O mais veemente dos
vencedores e o mendigo que se apoia num raio de sol para viver um dia
mais, equivalem-se, não como valores de aptidões ou de razão, não talvez
como sentido metafísico ou direito abstracto, mas pelo que em si é a
atormentada continuidade do homem, o que, sem impulso, fica sob o
coração, quase esperança sem nome.»
A Sibila de Agustina Bessa-Luís (excerto)
Se receias começar por um desafio tão grande, rende-te à lembrança das tardes de praia da primeira adolescência.