terça-feira, 13 de abril de 2021

Português - REVISÕES - Texto de Reflexão

'As produções textuais que vulgarmente são designadas por textos de reflexão apresentam algumas recorrências que importa levar em conta:

 

1. Apresentação de uma situação/problema, correspondente a uma sequência textual expositiva:

— disposição de dados, informações ou factos, hierárquica ou cronologicamente;

— modo verbal predominante: indicativo;

— recurso a verbos epistémicos (saber, pensar, constatar, verificar), ou a expressões com nomes epistémicos ( é verdade, é evidente) e a verbos declarativos ( dizer, anunciar, afirmar, declarar, anunciar);

— conectores de expansão de tópico (com efeito, sem dúvida, deste modo); de restrição de tópico (pelo menos, no mínimo);

— conectores de adição (igualmente, do mesmo modo, assim como, para além de) e de ordenação (primeiramente, de seguida, posteriormente, depois, finalmente, por último).

 

2. Tomada de posição face a essa situação/problema, correspondente a uma sequência textual argumentativa:

— defesa de uma conclusão/tese, com recurso a argumentos/razões;

— modos: indicativo e conjuntivo;

— verbos avaliativos (aprovar, censurar, reprovar) verbos psicológicos ( comover, impressionar, preocupar, surpreender), verbos volitivos ( desejar, esperar, pretender, querer, tencionar);

— construções condicionais e concessivas;

— conectores de causa-consequência (daí que, portanto, por conseguinte), de semelhança ( do mesmo modo, igualmente), de conclusão ( em síntese, enfim, definitivamente), de oposição ( em contrapartida, pese embora);

— conectores de premissa-conclusão (se… então, considerando/assumindo que… é pois possível concluir que). '

FONTE:

in Ciberdúvidas da Língua Portuguesa, https://ciberduvidas.iscte-iul.pt/consultorio/perguntas/texto-de-reflexao/25135 [consultado em 13-04-2021]

 

 Imagem: http://www.13degreesnorthpro.com/embracing-your-creative-mind/

sexta-feira, 9 de abril de 2021

Poemas de Camões - lírica tradicional e renascentista

REVISÕES 

Registam-se os poemas de Camões usados no grupos I e II do Exercício Escrito de uma das turmas, no longínquo 10º ano. Assim:

 Poema do Grupo I


                                 Oh como se me alonga de ano em ano

A peregrinação cansada minha!

Como se encurta, e como ao fim caminha

Este meu breve e vão discurso humano!

Minguando a idade vai, crescendo o dano;

Perdeu-se-me um remédio, que inda tinha;
Se por experiência se adivinha,
Qualquer grande esperança é grande engano.
Corro após este bem que não se alcança;
No meio do caminho me falece;
Mil vezes caio, e perco a confiança.
Quando ele foge, eu tardo; e na tardança,
Se os olhos ergo a ver se inda aparece,
De vista se me perde, e da esperança.
                                                               
       Luís de Camões

Francisco Augusto de Metrass, «Camões na Gruta de Macau», pintura do século XIX

  

Poema do Grupo II

  
 Mote
Perdigão[1] perdeu a pena
Não há mal que lhe não venha.
 
                   Voltas
Perdigão que o pensamento
Subiu a um alto lugar,
Perde a pena do voar,
Ganha a pena do tormento.
Não tem no ar nem no vento
Asas com que se sustenha:
Não há mal que lhe não venha.
 
Quis voar a uma alta torre,
Mas achou-se desasado;
E, vendo-se depenado,
De puro penado[2] morre.
Se a queixumes se socorre,
Lança no fogo mais lenha:
Não há mal que lhe não venha.
 
                                                                                            Luís de Camões

[1] Macho da perdiz.
[2] O mesmo que “desgosto


               Relembram-se os OBJETIVOS do EXERCÍCIO

O presente exercício escrito destina-se a avaliar os conhecimentos dos alunos nos seguintes domínios: textos literários de carácter autobiográfico - interpretação de leitura de poesia lírica de Luís de Camões; marcas da lírica camoniana; formas poéticas; noções de versificação; gramática – léxico; sintaxe; tempos verbais; relação entre palavras; coesão textual; usos expressivos da língua – recursos e figuras de estilo; expressão escrita/produção de texto de reflexão.

terça-feira, 6 de abril de 2021

Camões, Mudam-se os tempos, Mudam-se as vontades

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.

Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.

O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E enfim converte em choro o doce canto.

E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.

Luís Vaz de Camões


O poema "Mudam-se os tempos, mudam se as vontades", de Luís Vaz de Camões, está escrito de acordo com a lírica clássica pois foi inspirado pela estética do renascimento italiano, sendo um soneto. O soneto quanto à estrutura poética é constituída por duas quadras seguidas de dois tercetos e os seus versos têm dez sílabas métricas, isto é, são versos decassilábicos. Neste soneto, a rima é interpolada, emparelhadas e interpolada, sendo o esquema rimático:abba/baab/cdc/dcd.
O principal tema deste soneto é a mudança. Numa fase melancólica da sua vida, o sujeito poético encontra-se desiludido com essa mudança dos tempos, das pessoas, dos seus valores e ideais e até mesmo no modo como estas se disponibilizam, como revela o verso "muda-se o ser mudam-se a confiança". Assim, com o passar dos tempos, "do mal ficam as mágoas não lembrança, / e só bem (se algum houve) as saudades..", ou seja, para o eu lírico o que prevaleceu foram os momentos mais negativos da vida, pois o tempo levou a sua esperança.
Ao longo do poema podemos encontrar sete formas verbais do verbo mudar, acrescidas também de vocábulos como" novas" e "novidades", e com isto o poeta pretende reforçar o tema principal, a mudança.
Na primeira estrofe podemos encontrar uma enumeração e uma anáfora, onde o autor faz uma generalização da mudança e fala na terceira pessoa. Na segunda estrofe, o sujeito poético fala na primeira pessoa do plural - «vemos», revelando maior proximidade com a reflexão que apresenta, e utiliza uma antítese para expressar a sua ideia de mudança - mal/bem: o primeiro permanece como memória; o segunda talvez nem tenha existido ou, a existir, já só deixou «as saudades». Na terceira estrofe o poeta começa por falar da renovação cíclica da natureza porque depois do inverno "neve fria" vem a primavera "verde manto" repor a alegria, mas nele essa renovação não acontece. Na última estrofe o eu lírico conclui que até a própria mudança muda.
Palavras 10, pág 180
Pedro D, Bruno A, 10ºB
Pintura:  Turbilhão, de Autora bernardo
 Noite estrelada, pintura de Vincent Van Gogh
 Luís de Camões (1524-1580) foi um poeta português e o maior representante do classicismo entre nós. Autor do poema épico “Os Lusíadas”, uma das obras mais importantes da literatura portuguesa; na poesia lírica que escreveu, destaca-se o poema "Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades".
O poema tem como tema a mudança, sendo que o sujeito poético aborda as mudanças que se vão sucedendo. Todas as coisas estão em constante alteração, mas existem dois aspetos que incomodam o sujeito de um modo especial: as mudanças da sua vida não acompanharem o caráter cíclico das que que ocorrem na Natureza e o facto de a própria mudança mudar.
O poema insere-se na corrente renascentista, pois estamos perante um soneto, uma vez que este se distingue por apresentar duas quadras e dois tercetos. Na primeira quadra o sujeito poético apresenta a ideia que vai desenvolver e centra-se nas várias mudanças; na segunda quadra, o poeta desenvolve a ideia apresentada na quadra inicial; de seguida, no primeiro terceto, o poeta confirma, de modo concreto, o desenvolvimento das ideias: a mudança que se efetua na natureza como no seu espírito; já no segundo terceto e última estrofe, faz a síntese do tema acabando com a “chave de ouro” - a noção de que a mudança mais surpreendente é a de que já não se muda como era costume, isto é, a mudança da própria mudança.
O soneto apresenta 14 versos decassilábicos, a nível da métrica, como se percebe no verso «Mu/dam/-se os/tem/pos,/mu/dam/-se as/von/ta/(des)» - a medida nova.
Este poema apresenta um esquema rimático ABBA/BAAB/CDC/DCD, em que nas quadras a rima é emparelhada e interpolada e nos tercetos cruzada.
Ao longo da composição poética vão surgindo vários recursos expressivos, tais como a anáfora presente na constante utilização do verbo mudar: «Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades; / Mudam-se o ser, muda-se a confiança»; a antítese retratada nos versos- «Do mal ficam as mágoas na lembrança,/E do bem, se algum houve, as saudades.». e a metáfora apresentada nos versos - « O tempo cobre o chão de verde manto,/Que já coberto foi de neve fria », sendo que se referem à primavera e ao inverno, respetivamente.

B. Júlio,
I. Pereira,
M. Oliveira

No soneto “Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades” a influência lírica utilizada é a clássica, pois é um soneto (apresenta 14 versos, sendo dividido em duas quadras e dois tercetos), para além de possuir versos decassilábicos, a «medida nova».
O poema tem três tipos de rima, interpolada e emparelhada nas quadras e cruzadas nos tercetos.
O tema da composição é a mudança porque o poeta ao longo do soneto refere que muda-se o ser; muda-se a confiança e todo o mundo é composto de mudança. O poeta faz isto para mostrar a oposição entre o tempo da natureza e o tempo humano. O sujeito poético mostra-se desiludido com a vida, referindo que o ciclo da natureza volta sempre à  fase inicial enquanto diz que a sua vida só muda para pior; com isto o poeta demonstra que está num momento baixo da sua vida, mostrando sentimentos melancólicos a cada verso (por exemplo nos versos 9 a 11): “ O tempo cobre o chão de verde manto, / que já coberto foi de neve fria, / e enfim, converte em choro o doce canto.”
Por fim, os recursos expressivos são: a anáfora- com a repetição do verbo mudar (6x) e a antítese – “converte em choro o doce canto”.
Enquanto que a natureza tem a capacidade de se renovar o poeta acha que já não a possui.
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades
Luís Vaz de Camões- foi um poeta do séc. XVI que escreveu inúmeros poemas e entre outras histórias temos como o seu ex-líbris, a epopeia "Os Lusíadas"; o seu poema lírico mais conhecido é " O amor é fogo que arde sem se ver", uma reflexão sobre as contradições do Amor. Camões foi um escritor muito vivido que ao longo da sua vida viveu batalhas e viagens. O poema estudado encontra-se na pág.180 do manual adotado.
Trabalho realizado por:
Cat. Vieira;
M. Ribeiro;
M. Alcântara;
Raquel D.
10ºB

Luís de Camões, Rimas (síntese)














Fonte: PORTO EDITORA (adaptado)

terça-feira, 16 de março de 2021

Livros e leitores - A Casa do Boticário, de Adrian Mathews, por B. Roque

Republicamos um dos exemplos de apresentação do Projeto de Leitura

Um minuto, um livro - «O Cérebro em 30 Segundos»

Republicação de contributo no âmbito do Projeto de Leitura. Este era do 11º. 
Agora, ainda irão mais longe!

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2021

ESHN - Cursos Profissionais em Projetos de Parceria| 3

Os Movimentos - Exposição de Artes

#NamorarSemViolência


 «Namoras com alguém? Essa pessoa não te deixa ver tiktoks sozinha? Não te deixa escolher que páginas seguir? Controla os vídeos e fotos que publicas nas redes sociais? Isso não é amor.”» In Público

Ver artigo completo "Isso não é amor"

Madalena Aragão