quinta-feira, 29 de setembro de 2011

O peso das palavras




As palavras têm um enorme peso nas nossas vidas: quando comunicamos, agimos com os outros - interagimos - não nos limitamos simplesmente a dizer.

Actos de fala/actos ilocutórios
«Aquilo que “queremos dizer” (função ou significado pragmático) nem sempre corresponde ao
que “dizemos” (forma ou significado literal); em segundo lugar, porque as trocas
conversacionais e a interacção verbal em geral são fortemente determinadas por condições
sociais e culturais que nada têm de linguístico e que convencionalmente se manifestam no
significado expresso. (...) A forma de frase interrogativa, por exemplo, pode nem sempre corresponder à função de uma pergunta, como quando alguémdiz “Não acham que está muito calor aqui dentro?” querendo com isso dizer “Seria bom que alguém abrisse uma janela”. Com efeito, da mesma forma que à pergunta “Tem horas?” ninguém espera uma resposta como “Sim, tenho”, sem que haja qualquer tentativa deenunciação das horas, também à pergunta “Não acham que está muito calor aqui dentro?» 


ACTOS ILOCUTÓRIOS

Para testares os conhecimentos adquiridos em aula, deixo-te um ficheiro, disponível nó sítio do Min. Educação, em que podes:
- rever as definições
- ver exemplos
- praticar com exercícios
- ver as correcções respectivas.

aqui: FICHA

Podes também fazer este teste online.

Há palavras que nos beijam


Há palavras que nos beijam
Como se tivessem boca.
Palavras de amor, de esperança,
De imenso amor, de esperança louca.
(…)
De repente coloridas
Entre palavras sem cor,
Esperadas inesperadas
Como a poesia ou o amor.

(O nome de quem se ama
Letra a letra revelado
No mármore distraído
No papel abandonado)
(…)


Alexandre O'Neill, in 'No Reino da Dinamarca'

Relação entre o que se diz e o que se quer significar

Questões a rever:
  • atos ilocutórios diretos
  • atos ilocutórios indiretos
  • relação entre os atos ilocutórios e os tipos de frase
 Para vos ajudar a retomar os conhecimentos aquiridos em aula, deixo-vos alguns exemplos suplementares, retirados do CIBERDÚVIDAS

Muitas vezes o locutor formula um ato de fala para cumprir outro. Daí a distinção entre atos ilocutórios diretos e atos ilocutórios indiretos. O locutor conta que o alocutário (aquele a quem se dirige) esteja em condições de  reconhecer o fim ilocutório último do seu ato, ou seja - perceba mesmo aquilo que queria significar (lembram-se dos exemplos sobre o "Está calor aqui, não está?" e semelhantes, na nossa tórrida sala?).
Eis alguns exemplos:
a) Deixaste a porta aberta. = Fecha a porta./Ordeno-te que feches a porta.
[Ato direto assertivo] [Ato indireto: diretivo]
(Tipo de frase: declarativa)
b) Amanhã tens aqui o relatório. = Entregarei o relatório a tempo./Prometo-te que vou entregar relatório a tempo.
[Ato direto: assertivo] [Ato indireto: compromissivo]
(Tipo de frase: declarativa)
c) Deixaste de fumar! = Parabéns!
[Ato direto: assertivo] [Ato indireto: expressivo]
(Tipo de frase: exclamativo)
d) Vou-te comprar um casaco./Prometo que te vou comprar um casaco. = Vai comprar um casaco.
[Ato direto: compromissivo] [Ato indireto: diretivo]
(Tipo de frase: declarativa) »
In Ciberdúvidas da Língua Portuguesa, http://ciberduvidas.pt/respostas.php, acedido em 29 de setembro de 2011.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Uma ponte para o novo ano

Olá, alunos ainda em férias...mas já a aproximar-se de um novo ano escolar

Como prometi, vou começar a deixar-vos alguns materiais de apoio e textos para irem treinando e revendo o que é necessário.

Assim, começo por deixar uma sugestão de planificação para os vossos textos de opinião/argumentação, sobre temas que poderão interessar-vos, por exemplo:

  • A idade de voto deve permanecer nos 18 anos ou ser alterada para os 16?
  • Deve haver videovilância nas escolas, incluindo corredores, pátios e salas de aula?


PLANIFICAÇÃO DE TEXTO EXPOSITIVO – ARGUMENTATIVO
- informação complementar[1] -
Qual o tema/área temática a abordar? Dentro dele(a) que assunto específico? Que vocabulário temático e/ou técnico precisarás de reunir?





Que ponto de vista pretendes defender?
Qual é a tua intenção: Reforçar a opinião
da maior parte das pessoas? Discordar da
opinião de outras pessoas? Convencer
alguém de alguma coisa?


A que argumentos vais recorrer para
reforçar o teu ponto de vista?
Que exemplos podes utilizar para ilustrar a
tua argumentação?


Que argumentos poderão ter as pessoas com uma opinião contrária? Os teus argumentos serão suficientemente fortes para os contrariar?






A que conclusão pretendes chegar?





Como vais começar o teu texto: Com uma
pergunta aos leitores? Com uma afirmação
polémica? Com a constatação de um facto?
Será necessário começar por apresentar
informações sobre o assunto que vais
abordar? Quais? Onde podes encontrá-las?


Como vais organizar os teus argumentos?
Vais ter em conta argumentos diferentes
dos teus? Qual é o teu argumento mais
forte? Vais utilizá-lo logo no início do texto
ou vais guardá-lo para o fim?


Como vais terminar o teu texto? Com uma
síntese das ideias apresentadas? Com um
apelo? Com uma pergunta que deixe os
leitores a pensar?




[1] Esta ficha serve apenas para te questionares, na fase prática de elaboração do plano. O essencial sobre a natureza e estrutura do texto expositivo argumentativo está no PPT disponibilizado na plataforma de aprendizagem da escola (“moodle”).

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Correcção do teste (questionário de escolha múltipla)


Aqui fica a correcção do Grupo I, escolha múltipla

As restantes questões - de resposta aberta ou semi-dirigida - terão de ser corrigidas em aula. Preparem-se em casa.


PORTUGUÊS – 10º ANO DE ESCOLARIDADE

EXERCÍCIO ESCRITO SUMATIVO GLOBAL

O presente exercício escrito, com a duração de 90 minutos, destina-se a avaliar os conhecimentos e as competências dos alunos nos seguintes domínios: interpretação de leitura de texto dos media; análise de texto; análise de texto; gramática – conhecimento explícito da língua - coesão textual; relações semânticas entre palavras; funções sintácticas; recursos expressivos; expressão escrita – texto expositivo.

VERSÃO A

I

1. Leia o texto seguinte, com atenção.

O Twitter não é o Jarbas

Na semana em que o Twitter assinala cinco anos de existência - e, mais coisa menos coisa, três de popularidade absoluta -, recordo que houve um empreendedor português que montou um serviço muito semelhante em Portugal, bem antes de tudo isto. Estávamos em 2003 e o serviço chamava-se "Jarbas". Tinha sido criado por um engenheiro, Mário qualquer coisa (pediu para não revelar o apelido), e o limite era de 160 caracteres. Funcionava basicamente por telemóvel, com a criação de mensagens curtas difundidas para uma rede específica. Mas foi inovação que chegou antes do tempo. Mário não conseguiu arranjar ninguém que investisse na empresa. Achavam que era um disparate criar uma rede com textos de 160 caracteres. Para que serviria isso, perguntavam; bom, talvez a associação de produtores de batata da Golegã que transmitia informações aos agricultores tivesse uma perspectiva diferente. Fast-forward[1] nove anos e o Twitter é um fenómeno mundial que já garantiu um lugar na história. Muito se tem escrito sobre Twitter versus Facebook, mas a questão não passa por aí. O Twitter reflecte mais genuinamente o ponto a que chegámos como sociedade: imediatista, superficial, hipnotizada pelas celebridades, ávida da vida em tempo real.

Desbocada, também; já há poucos territórios insondados e o Twitter é por excelência o das gafes. Também foi a arma da Green Revolution[2] no Irão. E está a ser a voz dos líbios na luta contra Kadhafi. Há quem continue a dizer que é moda, que vai morrer na praia como tantas start-ups[3]. Depois do que vi no último ano, duvido muito que isso suceda.

Ana Rita Guerra, ionline , 22 de Março de 2011


1

5

10

15







1. Seleccione, em cada um dos itens, a única alternativa que permite obter uma

afirmação adequada ao sentido do texto. Escreva, na folha de respostas, o número de

cada item, seguido da letra que identifica a alternativa correcta.

1.1. A autora começa por se referir ao Twitter porque:

A. recorda o 5º aniversário do serviço semelhante criado em Portugal. A. recorda o 5º aniversário do serviço semelhante criado em Portugal.

B. foi inventado por um engenheiro português.

C. foi um serviço montado por um empreendedor português.

D. se assinala o aniversário da sua criação.

1.2. O Jarbas é:

A. o verdadeiro nome do criador do Twitter.

B. uma rede social portuguesa.

C. uma versão mais antiga do Twitter.

D. um operador de serviços móveis.

1.3. O serviço de rede social Twitter foi criado:

A. Em 2009.

B. Em 2003.

C. Em 2008.

D. Em 2006.

1.4. O Jarbas não teve sucesso porque:

A. não foi conseguido o financiamento do projecto.

B. o Twitter já tinha uma “popularidade absoluta”no mercado.

C. os clientes portugueses não estavam preparados para a inovação.

D. a inovação permitia apenas a digitação de 160 caracteres.

1.5. Seleccione o par de adjectivos que melhor definem o Twitter, enquanto espelho da sociedade :

A. repentista e fútil.

B. fútil e genuíno.

C. repentista e profundo.

D. genuíno e banal.


1.6. Em “Mas foi inovação que chegou antes do tempo” (linha 7), o elemento sublinhado introduz uma oração:

A. subordinada substantiva relativa sem antecedente.

B. subordinada adjectiva relativa com antecedente explicativa.

C. subordinada substantiva completiva.

D. subordinada adjectiva relativa com antecedente restritiva.

1.7. Na frase “bom, talvez a associação de produtores de batata da Golegã que transmitia informações aos agricultores tivesse uma perspectiva diferente” (linhas 9-11), o que determina o uso do modo conjuntivo é a utilização do:

A. advérbio “talvez”.

B. advérbio “bom”.

C. pronome “talvez”.

D. adjectivo “bom”.

1.8. Na frase “duvido muito que isto suceda” (linha 19), a função sintáctica da oração sublinhada é:

A. sujeito.

B. predicativo do sujeito.

C. predicativo do complemento directo.

D.complemento directo.


VERSÃO B

I

VERSÃO B

1. Seleccione, em cada um dos itens, a única alternativa que permite obter uma

afirmação adequada ao sentido do texto. Escreva, na folha de respostas, o número

de cada item, seguido da letra que identifica a alternativa correcta.

1.1. O Jarbas é:

A. o verdadeiro nome do criador do Twitter.

B. uma rede social portuguesa.

C. uma versão mais antiga do Twitter.

D. um operador de serviços móveis.

1.2. A autora começa por se referir ao Twitter porque:

A. recorda o 5º aniversário do serviço semelhante criado em Portugal.

B. foi inventado por um engenheiro português.

C. foi um serviço montado por um empreendedor português.

D. se assinala o aniversário da sua criação.

1.3. O Jarbas não teve sucesso porque:

A. não foi conseguido o financiamento do projecto.

B. o Twitter já tinha uma “popularidade absoluta”no mercado.

C. os clientes portugueses não estavam preparados para a inovação.

D. a inovação permitia apenas a digitação de 160 caracteres.

1.4. O serviço de rede social Twitter foi criado:

A. Em 2008.

B. Em 2006.

C. Em 2009.

D. Em 2003.

1.5. Em “Mas foi inovação que chegou antes do tempo” (linha 7), o elemento

sublinhado introduz uma oração:

A. subordinada substantiva relativa sem antecedente.

B. subordinada adjectiva relativa com antecedente explicativa.

C. subordinada adjectiva relativa com antecedente restritiva.

D. subordinada substantiva completiva.

1.6. Seleccione o par de adjectivos que melhor definem o Twitter:

A. repentista e fútil.

B. fútil e genuíno.

C. repentista e profunda.

D. genuíno e banal.

1.7. Na frase “duvido muito que isto suceda” (linha 19), a função sintáctica da oração

sublinhada é:

A. sujeito.

B. predicativo do sujeito.

C. predicativo do complemento directo.

D. complemento directo.

1.8. Na frase “bom, talvez a associação de produtores de batata da Golegã que

transmitia informações aos agricultores tivesse uma perspectiva diferente” (linhas 9-

11), o que determina o uso do modo conjuntivo é a utilização do:

A. pronome “talvez”.

B. adjectivo “bom”.

C. advérbio “bom”.

D. advérbio “talvez”.


sábado, 26 de março de 2011

A voz, o corpo, a presença

Formação de alunos
- falar, ler e dialogar em público -

Dra. Ana Almeida
Jan. e Fev. de 2011
Sala 42

Vale a pena apostar na formação! É bom perceber que podemos fazer melhor!


segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Texto narrativo - correcção do questionário

O VERDADEIRO AMOR
de Isaac Asimov

Correcção do Exercício

1. O narrador é um programa de computador, que se apresenta como produto da criação do programador Milton. Tem conhecimentos vastos e fala melhor que qualquer outro computador.

2. Resposta aberta. Possíveis reacções: surpresa, remissão para o futuro, reflexão sobre as capacidades das máquinas...

3. A acção desenrola-se no futuro, porque o narrador é um robot, que fala e pensa, o qual está ligado a um complexo tecnológico com ligações mundiais.

4. Resposta aberta. O importante são as justificações e a organização lógica da resposta.
Hipóteses: 4.1. Primeiro são instruções claras, factuais e objectivas sobre a mulher ideal, na suposição de que, desse modo, se chegaria a um resultado fiável. Como se verá, tal não acontece. Terão de ser tidas em conta questões de compatibilidade psicológica e simbólica: "em termos pessoais, emocionais e temperamentais", como o robot explica a Milton.

5. O computador, em princípio, não poderá ser mais inteligente do que aquele que o concebe e gera a informação. ....
(O importante na resposta é a justificação. )

6. Metáfora que traduza a ideia dos dois sentidos necessários à "compatibilidade" no amor.

7.1. Para encarregar Joe de poder fazer a escolha por ele.

7.2. O robot - Joe - ao saber tudo sobre o programador, aproxima-se cada vez mais da personalidade de Milton - os seus gostos, princípios, desejos e, também, defeitos. Como tal, acaba por substituir-se a ele, deixando mesmo de ter escrúpulos (como se percebe que Milton também não teria) e, no final, toma para si o amor escolhido e destinado ao programador.

(Há outras hipóteses; resposta semi-aberta)

8. É Joé que explica ao humano o que deve fazer: "Estás a ver, Milton (...)" (l. 108)

9. O robot é levado a não cumprir as regras que protegiam os humanos do domínio das máquinas: Joe infringe a regra que impunha limites às capacidades dos programas de computador, bem como a que impedia a interferência dos computadores na vida dos indivíduos, como mudança de emprego ou encaminhamento para consultas psiquiátricas.

Reflectir sobre o seguinte:
  • o texto situa-se no futuro, embora talvez não muito longínquo, porque já existem robots e uma grande quantidade de dados sobre os indivíduos já estão disponíveis em grande sistemas computorizados. Como perspectivas esta questão?


Gramática

1-f
2-h
3-b
4-e
5-c


Atenção: Há exercícios no caderno de apoio sobre:

Referências deícticas - pg. 49

Relações semânticas - pp. 34, 35

Campo lexical - pp. 36-37

Coesão interfrásica - 62-65.

Há correcções no final. Usem-nas só depois de completarem o trabalho. Se não o fizerem, nunca saberão se são capazes sozinhos, se estão preparados...


domingo, 27 de fevereiro de 2011

Léxico, vocabulário e afins...

Aqui fica a prometida definição, de acordo com a Terminologia:

LÉXICO
¢Conjunto de palavras associadas, pelo seu significado, a um determinado domínio conceptual.

O conjunto de palavras "jogador", "árbitro", "bola", "baliza", "equipa", "estádio" faz parte do campo lexical de "futebol".


FAMÍLIA DE PALAVRAS
¢Conjunto das palavras formadas por derivação ou composição a partir de um radical comum.

“mar", "maré", "marítimo", "marinheiro", "marina" são palavras da mesma família.

¢
CAMPO SEMÂNTICO
¢Conjunto dos significados que uma palavra pode ter nos diferentes contextos em que se encontra.

Campo semântico de "peça": "peça de automóvel", "peça de teatro", "peça de bronze", "és uma boa peça", "uma peça de carne", etc.

¢
¢Léxico
¢Conjunto de todas as palavras ou constituintes morfológicos portadores de significado possíveis numa língua, independentemente da sua actualização em registos específicos.
¢
¢Vocabulário
¢Conjunto exaustivo das palavras que ocorrem num determinado contexto de uso.
¢É possível estudar-se o vocabulário de um escritor, mas não o seu léxico, uma vez que apenas aquele se traduz numa lista de palavras utilizadas de facto.

Imagem:trabalho da Exposição Palavras Cruzadas, Galeria Municipal, Setembro de 2010. Foto: Noémia Santos