segunda-feira, 6 de dezembro de 2021

Fernão Lopes - que características?


"Porque escrevendo o homem do que não é certo, ou contará mais curto do que foi, ou falará mais largo do que deve; mas mentira em este volume, é muito afastada da nossa vontade. Ó! Com quanto cuidado e diligência vimos grandes volumes de livros, de desvairadas linguagens e terras; e isso mesmo públicas escrituras de muitos cartórios e outros lugares, nas quais depois de longas vigílias e grandes trabalhos, mais certidom haver não podemos da conteúda em esta obra."
Crónica de D. João I, Prólogo

Ver CRÓNICA DE D. JOÃO I (excertos)


                                    "Na Crónica de D. João I (primeira e segunda partes) concentram-se os dois temas que elevam Fernão Lopes (c.1380 – c.1459) a singular cronista dos finais da nossa Idade Média: o lugar privilegiado concedido à História e ao Povo. As narrativas de Fernão Lopes, mormente a referida, alteram radicalmente a conceção então praticada de história, abandonando a narração das linhagens míticas e das aventuras fabulosas e sobrenaturais próprias da Crónica Geral de Espanha, de 1344, e do Livro de Linhagens do Conde D. Pedro, [...] para introduzirem um novo conceito de História enquanto relato empírico e vivencial de situações sociais conflituosas, uma narrativa preocupada tanto com o rigor documental quanto com o confronto de versões, trazendo para a construção da história a escrupulosa minúcia verificante do tabelião-mor, que Fernão Lopes também foi." 
 
Miguel Real, disponível em e-cultura (Centro Nacional de Cultura)

Capítulo XI - síntese - «Fernão Lopes narra a forma como a população de Lisboa, incitada pelos apelos do Pajem e de Álvaro Pais para que acudissem ao Mestre, porque o estavam a matar nos Paços da Rainha, se armou, saiu em multidão pelas ruas da cidade e se dirigiu em grande alvoroço para aqueles, a que quis lançar fogo e arrombar as portas. Os gritos que se ouvem (“Matam o Mestre”) vai aumentando a revolta ao longo do capítulo e os populares juntam-se diante do paço, jurando incendiá-lo. Embora tenham gritado de dentro do paço que quem morreu foi o conde Andeiro, a população não acredita e os seus intentos só foram travados quando, aconselhado pelos seus partidários, o Mestre apareceu a uma janela à multidão(“Amigos, apacificai-vos”), que, reconhecendo, se acalmou, aclamando-o e insultando o conde Andeiro e a rainha.Posteriormente, questionam-no: “Que nos mandais fazer, senhor?”. Ele responde que já não precisa de ajuda e, no momento em que se vai sentar à mesa para comer com o conde de Barcelos, chega a notícia de que a multidão furiosa quer matar o bispo.» (in Sebenta Português 12º: https://docs.wixstatic.com/ugd/570a39_73068069ad6b47d491db47b113c6ccb9.pdf?index=true
Em Fernão Lopes há História e há Literatura.
FL conseguiu nas suas Crónicas:

1. A conjugação entre:
- a compilação de fontes diversificadas
- a investigação própria, original e crítica. 

2. Uma visão abrangente da História, que integra já uma consciência nacional, bem como a ideia da História determinada pela ação dos atores individuais e coletivos - a massa anónima, os sem rosto, a «arraia-miúda», como a designa.
 
 
 Na Crónica, há um sentimento coletivo, a consciência de pertencer a uma mesma nação. A consciência nacional resulta de os portugueses temerem a invasão castelhana e sentirem a independência do reino de Portugal  ameaçada durante a crise de 1383-1385.
    O povo, "a arraia-miúda", ganha a consciência de que tem um papel ativo e quer participar na condução dos destinos da sua nação: 
  • manifesta-se contra a regente D. Leonor Teles; 
  • age para defender o Mestre e decidir quem será o rei de Portugal; 
  • atira o bispo de Lisboa da torre da Sé devido ao boato de que era traidor; 
  • resiste ao cerco dos castelhanos.
     O povo de Lisboa é uma personagem a quem Fernão Lopes atribui um estatuto, características próprias, consciência de grupo - sofredor, corajoso, resistente, forte, mas também, irracional, destemperado, violento, disposto a tudo.

3. Uma dimensão estético-literária:  
  • articula o rigor do relato histórico com a descrição vívida e emotiva dos factos relatados;
  • o narrador está no centro da ação, como um «repórter»
- captando emoções e sentimentos
 E tanta era a perturbação dele
 Começando a falar uns com os outros, alvoroçava-se-lhes o coração
 E em tudo isto era o tumulto tão grande ,que se não entendiam uns com os outros
- fazendo uma descrição sensorial, com planos gerais e pequenos
   pormenores:
 Álvaro Pais, que estava prestes e armado com uma coifa na cabeça, segundo uso daquele tempo
Alguns bradavam por lenha e que viesse lume para porem fogo aos paços e queimarem o traidor e a aleivosa. Outros teimavam pedindo escadas para subir acima, para verem que era do Mostre
começaram a bradar altas vozes
- recorrendo a metáforas, comparações, enumerações, elementos simbólicos, 
 E assim como viúva que rei não tinha, como se lhe este ficara em lugar de marido, se moveram todos com mão armada
A cega sanha (=raiva; ira), que em tais feitos a nenhuma cousa atende, começou a arder tanto nos entendimentos do povo  
  começaram a trazê-lo para baixo e a insultá-lo e empuxá-lo,
- deixando ouvir «as vozes do arroído», através do discurso direto: 
 - Onde matam o Mestre? Que é do Mestre? Quem fechou estas portas?
 - Acudamos ao Mestre, amigos, acudamos ao Mestre, que é filho de el-rei D. Pedro!
 

quinta-feira, 25 de novembro de 2021

Livros e Leituras - guião

Vêm aí Leituras públicas! A BIBLIOTECA DA ESCOLA já está à nossa espera!
Como pediram, fica o guião, para facilitar a abordagem. Incluam outros aspetos, se relevantes no vosso livro. Não é obrigatório imprimir; podem tirar só os tópicos.


Escola Secundária Henriques Nogueira                               Português, 10º ano – A, B e D  
2021-2022 
PROJETO DE LEITURA
Aluno(s) aluno(s) leitor(es) deste livro

Datas do início e da conclusão da leitura


Identificação
Bibliográfica
Ex. Saramago, José, Deste Mundo e do Outro, Lisboa: Ed. Caminho, 1985.

Notas:
a) Se leres um conto de um livro de contos, regista o nome do conto entre aspas, seguido da partícula latina In, seguida da referência completa à obra (escrita em itálico).
b) Se leres apenas alguns capítulos ou páginas, indica especificamente quais, a seguir à data – ex: «2015. pp. 14-34»

Género/Subgénero
Ex. Narrativo/romance policial

Registo (sério, cómico, mordaz, trágico, crítico...)



Breve síntese (Ex: quem faz o quê, por quê, o que lhe acontece...)











Tema(s) ou problema(s) importante(s) no livro








Depois de ler este livro nunca mais vou esquecer...





Frases/passagens preferidas (indicar a página)






O livro ajudou-me a compreender...








A(s) ideia(s) mais importante(s) do livro numa frase






Informações sobre o autor e o livro  
(receção do público/da crítica, traduções, possível adaptação ao cinema/teatro/série...)
















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Vê aqui um exemplo de GUIÃO DE LEITURA preenchido. 

Não é exatamente igual, mas é útil para vos aproximar de um padrão.