quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Frei Luís de Sousa, Diário de Maria


Dia 1

Hoje enquanto esperava pelo Telmo, que me ia contar a história do meu querido D. Sebastião, passeei pelo eirado e aproveitei para apanhar umas papoulas para poder dormir de um sono sem sonhos à noite, mas, farta de esperar, fui à procura dele.
 Encontrei-o a conversar com minha mãe e, mal mencionei a batalha onde desapareceu D. Sebastião, minha mãe mão conseguiu conter as lágrimas.
 Abracei-a e mandei Telmo embora para poder ficar a sós com minha mãe.
Tentando que minha mãe parasse de chorar comecei a falar de outros assuntos que desviassem a atenção da razão daquelas lágrimas. Comecei a falar da minha grande tristeza, que era ver a preocupação de meus pais para com a minha saúde, mencionei a razão por trás das papoulas, o quanto tentava perceber o que eu tinha em livros, que levou a que minha mãe a falar de como eu era diferente das outras donzelas, e antes que ela continuasse, lembrei-lhe o que eu sou só eu sei acabando por falar de meu pai.

Ao referir meu querido pai, minha mãe afligiu-se logo, mas graças a Deus meu tio Jorge apareceu com noticias de Lisboa, afirmando que os governadores querem sair de Lisboa e vir para aqui pela graça do Senhor Todo-Poderoso ouvi meu pai que acabara de chegar.
Já era de noite quando meu pai anunciou a nós todos que iríamos para a antiga casa onde minha mãe morara em tempos, fiquei radiante só via a hora de lá chegar, apressei-me com meu tio para me assegurar que tudo era empacotado e quando voltei para baixo já tudo tinha sido preparado.
Sai com minha mãe por ordem de meu pai, mas não iríamos embora sem ele nem quando vislumbramos o palácio a ser consumido pelas chamas partimos, só quando nos todos juntos é que partimos.

Dia 2
Chegámos há oito dias à antiga casa de minha mãe e só hoje é que ela conseguiu dormir, ao ver o retrato de meu pai a ser destruído pelas labaredas ela tomou o acontecimento como o mau agouro e, para não bastar, a reação que teve ao vislumbrar o retrato de << o outro >> como ela lhe fartou de chamar, razão pela qual pedi ao Telmo para esclarecer quem era o homem do retrato, mas ele manteve-se reticente em me contar quem era.

Felizmente, meu pai apareceu e identificou-o como sendo D. João de Portugal esclarecendo assim as minhas suspeitas e surpreendendo-me ao mesmo tempo visto que, devido às suas ações antes de nos retirarmos de nossa casa, os governadores andavam à sua procura e isso fez com que tivesse de se manter escondido enquanto o arcebispo tentava acalmar a situação.
Por ordem de meu pai Telmo saiu para ir buscar meu tio Jorge, deixando-me a mim e a meu pai a sós conversando. Ah! Como amo meu pai.
 
Passado algum tempo, aparece meu tio com a informação de que a situação, entre meu pai os governadores, já tinha esquecido em esquecimento graças aos esforços do arcebispo e dizendo que, como ele e outros religiosos o iriam buscar, ele devia ir com ele a Lisboa acompanha-lo e aproveitar para agradecer.
Ao ouvir isto, não resisti a pedir para o acompanhar dado que nunca tenho a oportunidade de ir a Lisboa e assim podia ir ver a tia Joana de Castro. Meu pai, de seu grande coração, deixou-me acompanha-lo, mas a minha mãe também teria de deixar.

De repente, aparece minha mãe correndo para meu pai, cheia de saudades. Em principio minha mãe não quer que meu vá visto que já passou tanto tempo sem ele, tanto tempo a temer por ele, mas no fim resignasse e deixa-o ir, quanto a mim já lhe foi mais difícil deixar-me ir e ver a reação de minha mãe deixou-me triste e desolada, mas mesmo assim deu-me licença.

Dia 3
Parti para Lisboa com meu pai, Telmo e Doroteia, finalmente iria a Lisboa, mas nem essa alegria impediu que chorasse quando me separei de minha mãe que cheia de cuidados e preocupação se despediu de mim.

Dia 4
Meu pai e minha mãe ainda não me vieram ver. Temo pelo que está a acontecer na minha ausência, o que é que meus pais estão prestes a fazer.
Oh! Quem é este Deus que me quer tirar minha querida e meu querido pai e quem é este que me faz acreditar que sou filha do pecado. Como é isso possível se eu nasci do amor entre meus pais.
Não! Não! Como pode isto acontecer. Tenho que impedir isto,  que ninguém a mim me tirará meus queridos pais, que ninguém morrerá sem mim.
...

Trabalho realizado por Maria Pereira Correia, turma 11ºB, Nº17

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