quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Os Maias, a Educação

REVISÕES (republicação) | Exemplo de exposição de temática literária

«É indubitável a importância da educação na formação pessoal de um indivíduo. Trata-se de um tema intemporal que foi e continua a ser abordado na literatura.
Assim, por exemplo, na obra Os Maias de Eça de Queirós, através de uma estratégia naturalista, analisa-se a influência da educação na personalidade das personagens.
A educação de Pedro da Maia pelo padre Vasques é influenciada pela mãe, Maria Eduarda Runa. É uma educação tradicional, latinista, de cartilha, mórbida, beata, devota, doentia, piegas, que torna Pedro indiferente a tudo: um apático, um melancólico, incapaz de suportar e reagir a um choque emocional. Esta educação será determinante para o seu suicídio.
Na verdade, a caracterização de Pedro é tipicamente naturalista: está na obra para comprovar uma tese - o fator religioso, os fatores de hereditariedade e de meio são determinantes no caráter do indivíduo.
Do mesmo tipo é a educação de Eusebiozinho, contemporâneo de Carlos, mas cujo programa educativo se situa no lado oposto.

De facto, Carlos da Maia tem uma educação diferente. Sob a alçada do seu avô, Afonso da Maia, Mr. Brown, ministra-lhe uma educação que pretende desenvolver uma "alma sã num corpo são". Trata-se de um programa britânico, que defende o contacto direto com a natureza, o exercício físico, a aprendizagem de línguas vivas e das ciências experimentais, desprezando a educação "de cartilha" e todo o conhecimento exclusivamente teórico.
Apesar desta educação, Carlos falha, porque se encontra desinserido do meio, isto é, teria sido uma educação positiva se Carlos vivesse em Inglaterra, mas o seu temperamento portuguesmente mole e a sociedade que o rodeia levam Carlos a tornar-se como os outros: um diletante, que projeta, mas não realiza.
Em conclusão, o indivíduo é influenciado por vários fatores: genética, família, amigos, sociedade. A educação é um dos fatores a ter em conta. Há que refletir sobre estes aspetos e apostar na educação.»

Leia mais: A educação em os Maias http://www.jn.pt/artes/dossiers/portugues-atual/interior/a-educacao-em-os-maias-4494027.html#ixzz4ZG6oB8l6

Imagem| Ilustrações italianas de Maria Pia Franzoni e de sua filha Anna Franzoni, in Pinterest

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Género Narrativo (revisões)





ESTUDO DO ROMANCE(REVISÕES)
NARRATIVO
Etimologicamente, o vocábulo narrar tem origem latina: “narrare significa contar, dizer, (...) falar de”. Este tipo de texto surge em verso ou em prosa.
O texto narrativo conta uma “história”, original e/ou vivida por personagens (individuais ou coletivas); pressupõe o relato de acontecimentos reais ou fictícios que se sucedem no tempo. Os eventos e as personagens situam-se num determinado espaço.
 Os seus elementos estruturadores são designados por categorias da narrativa.

1. Ação
A ação é constituída pela sequência de eventos motivados ou sofridos pelas personagens.
Fechada — o leitor tem conhecimento do destino final das personagens; a história tem princípio, meio e fim.
Aberta — o destino definitivo das personagens é omitido, tal como o final da acção; a história não tem um princípio, um meio e um fim bem definidos; os episódios não fazem parte de uma ação única; o leitor é convidado a fazer uma reflexão sobre o que leu.
Fechada/Aberta — em determinados textos, encontramos referência ao destino definitivo das personagens, sem que, contudo, a reflexão deixe de ser motivada pelo relato dos acontecimentos, que pode não “fechar” completamente a ação em relação a determinados aspetos.

 As sequências narrativas podem ser organizadas por: encadeamento, encaixe ou alternância (já foi revisto; consultar)
2. Espaço
2.1. Espaço físico — trata-se do espaço onde as personagens se movimentam e onde ocorrem os acontecimentos:
Ø geográfico
Ø interior
Ø exterior

2.2. Espaço social — é um espaço construído através de ambientes vividos pelas personagens; liga-se às características da sociedade em que as personagens se inserem.
2.3. Espaço psicológico — este espaço é construído pelo conjunto de elementos que traduzem a interioridade das personagens (como, por exemplo, o sonho, a memória, as emoções, as reflexões...).

3. Tempo
3.1. Tempo da história — é o tempo em que decorre a ação.
3.2. Tempo histórico — refere-se à época em que os acontecimentos têm lugar.
3.3. Tempo do discurso — trata-se da forma como o narrador relata os acontecimentos — pode voltar atrás no tempo (analepses), adiantar determinado episódio (prolepse), omitir o que se passou em determinado período temporal (elipse), contar sumariamente o que aconteceu num certo período de tempo (resumo).
3.4. Tempo psicológico — é o tempo vivido pelas personagens de forma subjetiva, interior; relaciona-se com o modo como as personagens sentem a passagem do tempo.

4. Narrador (tipos de)
Narrador heterodiegético — é uma entidade exterior à história; tem uma função meramente narrativa; relata os acontecimentos.
Narrador homodiegético — é uma personagem da história que revela as suas próprias “vivências” (não se trata do protagonista da história).
Narrador autodiegético — o narrador participa na história como protagonista, revelando as suas próprias “vivências”.

4.1. Focalização da narrativa
A focalização (pensa no ato de “focar” com uma câmara de vídeo, por exemplo) é o ponto de vista do narrador em relação aos acontecimentos narrados.
Focalização omnisciente— o narrador detém um conhecimento total dos acontecimentos.
Focalização interna — surge quando é instaurado o ponto de vista de uma das personagens que vive a história.
Focalização externa — acontece quando o narrador revela as características exteriores das personagens ou apresenta um espaço físico onde decorre a acção.
A focalização pode ainda ser considerada:
Heterodiegética — a ação é contada por um narrador exterior à história.
Homodiegética — uma das personagens da obra toma o papel de narrador.
Nota: O vocábulo diegese que se encontra presente nas palavras homodiegético(a), heterodiegético(a) e autodiegético(a) tem origem grega e significa história.

5. Personagem
Individuais ou Coletivas

Papel/relevo - Principal, secundária ou figurante
Conceção
Personagens desenhadas ou planas — estas são definidas por um elemento característico que as acompanha durante todo o texto; tendem para a caricatura ou para a representação de um grupo social (personagem-tipo).
Personagens modeladas ou redondas — trata-se de personagens complexas, que apresentam uma multiplicidade de traços caracterizadores; as suas atitudes perante os acontecimentos podem surpreender o leitor; aproximam-se do ser humano pela sua complexidade.
Caraterização
Física (aspetos físicos da personagem; o seu exterior).
Psicológica (aspetos da personalidade; o seu caráter, maneira de ser).
Social (aspetos como profissão, nível social, ambiente social em que se move...).

Processo de caracterização
Direta (quando são mencionadas explicitamente no texto as características das personagens)
Indireta (quando o leitor tem de concluir as características da personagem através das suas falas, atitudes e ações, ou seja, através do que está implícito no texto).

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Os Maias - o Realismo, a escrita queirosiana

REVISÕES

Lembrar Eça e a sua escrita
- realismo, criatividade, ironia,  reflexão sobre a pátria -

A professora universitária e especialista em Eça de Queirós dá uma precisa ajuda para relembrar o autor. No caso das nossas revisões, ouvir sobretudo a comunicação dos minutos 4,56 a 12,12 (mais centrada no Realismo, na escrita queirosiana e em exemplos de Os Maias).
 
Fonte: Ed. ASA

Os Maias - o destino de Portugal?

Atualiza-se a publicação do 11º ano, aquando do estudo de Os Maias
Serve para apoiar o estudo e para exemplificar a APRECIAÇÃO CRÍTICA.

«Os Maias»–O Portugal de ontem com um toque de modernidade
O cineasta João Botelho [...] não se limita a adaptar para o cinema a obra de Eça. Ele dá uma nova roupagem a “Os Maias”, mais moderna e inteligente. Se o livro “Os Maias” ainda hoje se mantém atual, também o filme, pela sua perspicaz e sublime realização. Botelho de forma moderna filmou este livro, mas não o faz de forma literal. Ele vai à essência do livro e transporta tudo para um teatro, porque todas aquelas personagens usam máscaras.  O realizador introduz o espectador num estúdio de cinema, onde vemos pequenas maquetas dos cenários do filme, apresenta grande parte do elenco com as fotografias dos atores e outros elementos de cinema, como o argumento do filme. As maquetas que vimos no inicio passam a tamanho real e o filme passa a ter maravilhosos cenários, pintados à mão, como se fossem telas gigantes. Sabemos assim que tudo é uma representação. Um espelho do Portugal de ontem para o Portugal de hoje.

A história, que todos os portugueses conhecem, é séria e as mensagens de crítica social e política são evidentes. O Portugal do século XIX continua muito parecido com o do século XXI. Estes episódios da vida romântica são no fundo uma crónica de costumes, de uma sociedade passiva, representados por uma classe social corrupta e sedenta de interesses mesquinhos, onde poucos acreditam em qualquer ideal que seja. O humor, por vezes melancólico, de Eça em personagens como João da Ega (o fiel amigo de Carlos da Maia) está bem implementado no filme e é um dos trunfos do realizador ao ter escolhido, e bem, o ator Pedro Inês para representar esta fantástica personagem.

Nesta versão de duas horas, Botelho não se foca tanto no romance central do livro, o romance entre Carlos e Maria, estando muito cortado, resumido. Talvez na versão mais longa, de três horas, o realizador tenha deixado que essa intriga, o romance, seja mais fluido e o principal foque do enredo.
O filme apresenta um conjunto de emblemáticos atores, sendo também esta uma das principais qualidades do filme, o seu elenco. Para além dos cerca de mil figurantes, conta com Graciano Dias (Carlos da Maia), Maria Flor (Maria Eduarda da Maia), Pedro Inês (João da Ega), Maria João Pinho (Condessa de Gouvarinho), Marcello Urgeghe (Craft), Filipe Vargas (Manuel Vilaça), Pedro Lacerda (Tomás Alencar), Hugo Mestre Amaro (Dâmaso Salcede), João Perry (Afonso da Maia), Adriano Luz (Conde de Gouvarinho), entre outros. A nível técnico é extraordinário, com uma maravilhosa fotografia e um bom som.

O destino da família Maia é o mesmo que o de Portugal. Continuamos a correr atrás do  americano (o elétrico). No geral, a obra de Botelho faz justiça à obra de Eça. É um filme interessante a não perder, e é português!»


Tiago Resende

Crítica disponível em http://www.cinema7arte.com/site/?p=11837

Os Maias - RTP - Grandes Livros

http://ensina.rtp.pt/artigo/oa-maias-grandes-livros/

Os Maias (filme)

Republica-se o material de apoio ao estudo de OS MAIAS, para apoiar as revisões.
"Os Maias", de Eça de Queirós





"Os Maias", de Eça de Queirós
(ENSINA RTP, com vv. especialistas da obra queirosiana)