terça-feira, 21 de novembro de 2017

Gramática - verbos auxiliares; aspeto verbal (revisões)



PORTUGUÊS - 12º Ano, A, B

  Revisões
Verbos auxiliares
Os verbos auxiliares precedem os verbos principais numa mesma oração, mas, ao contrário dos últimos, não selecionam nem sujeito nem complementos. Os verbos auxiliares mais frequentes são ser, ter e haver.
Ter e haver auxiliam a formação dos tempos compostos: O João tinha/havia feito o jantar.
Todavia, neste contexto, o verbo haver é hoje pouco utilizado, reservando-se o seu uso às situações em que ocorre como verbo principal, sinónimo de existir (conjugado unicamente na terceira pessoa do singular.
O verbo ser é usado como auxiliar da passiva: O jantar foi feito pelo João.
Os verbos auxiliares, por regra, não têm significado lexical, sendo apenas portadores de informação gramatical (de tempo, modo e aspeto, e de pessoa e número). Por exemplo, o verbo ter não conserva o seu sentido de posse na frase Tenho de ir ao correio hoje.
Além de ter, haver e ser, outros verbos auxiliares são: estar, andar, ir, ficar, vir, dever, acabar, costumar, começar e continuar.
Os verbos auxiliares podem ter um valor aspetual quando se combinam com o infinitivo ou o gerúndio de um verbo principal para indicar diferentes formas de perspetivar uma situação:
v  perfetivo/pontual: Começou a chover.
v  imperfetivo/durativo: Ando a ler um romance.
v  habitual: As gaivotas continuam a fazer o ninho junto do mar.
v  perfetiva: Acabei de ler Os Maias.

Verbos auxiliares aspetuais: começar a, estar a, andar a, continuar a, deixar de, parar de, acabar de, e similares.
Os verbos auxiliares podem ter um valor modal, pois, precedendo o verbo principal no infinitivo, formam um complexo verbal para expressar modalidade – valores de desejo, probabilidade, dever, possibilidade, necessidade, certeza, dúvida, etc:
v  dever/obrigação: Os cidadãos têm de pagar os impostos.
v  probabilidade: Ele já deve ter saído de casa.
v  permissão: Podem sair.

Aspeto verbal
Aspeto é a categoria gramatical que exprime a forma como a situação presente num enunciado é perspetivada pelo locutor no que respeita ao seu desenvolvimento temporal. Os valores aspetuais podem ser expressos:
Ø  lexicalmente, através da escolha dos itens lexicais (sobretudo verbos, mas também perífrases verbais ou locuções adverbiais), ou
Ø  gramaticalmente, através dos tempos verbais, verbos auxiliares, quantificadores ou modificadores.
O valor aspectual de um enunciado, por norma, não depende do seu valor temporal.



(cont.)
Observem-se os exemplos seguintes:
Ø  1) O Rui conversou com a Sandra.
Ø  2) O Rui estava a conversar com a Sandra quando lhe liguei.
Ø  3) Dantes, o Rui conversava muito com a Sandra.
Todas as situações apresentadas acima podem ser localizadas temporalmente como anteriores ao momento da enunciação. No entanto, apresentam diferentes valores aspetuais:
v  em (1), sabe-se que a conversa acabou (aspeto perfetivo);
v  em (2), não é dada informação sobre o momento em que a conversa terminou (aspeto imperfetivo);
v  em (3), existe uma situação que corresponde a um hábito (aspeto habitual).

Aspeto lexical
O aspeto lexical é um valor que resulta das propriedades (semânticas) inerentes aos itens lexicais, tipicamente aos verbos. É este valor que permite distinguir situações estativas [1]de situações dinâmicas:
Ø  A Ana conhece o João. (situação estativa)
Ø  A Ana cumprimentou o João. (situação dinâmica)
A distinção entre eventos pontuais e eventos durativos é também estabelecida com recurso ao aspeto lexical. Por exemplo, verbos como nascer ou morrer indicam um estado de coisas pontual [2]ou não durativo (por isso, pode dizer-se O João nasceu às três horas, mas não O João nasceu durante três horas), enquanto verbos como viajar ou dormir têm um valor durativo[3]:
Ø  O João nasceu às três horas. (valor pontual)
Ø  A Luísa dormiu durante quatro horas. (valor durativo)

Aspeto gramatical
O aspeto gramatical combina as informações dadas pelo aspeto lexical com as fornecidas pelos diferentes tempos verbais, verbos auxiliares, quantificadores[4] ou modificadores.
O aspeto gramatical permite, assim, distinguir diferentes situações:
v  perfetivas (ou acabadas),
v  imperfetivas (ou inacabadas),
v  habituais
v  genéricas
v  iterativas.
Os valores aspetuais perfetivo e imperfetivo estão associados aos sufixos flexionais. Os tempos verbais expressam esses valores através da oposição entre formas do perfeito e do imperfeito.
v Quando um estado de coisas é apresentado como terminado, usam-se tempos verbais perfetivos: Eça de Queirós nasceu no séc. XIX.

As formas do pretérito perfeito e os tempos compostos têm, geralmente, um valor perfetivo.

v Quando um estado de coisas é apresentado como não acabado, usam-se tempos verbais imperfetivos, como é o caso do pretérito imperfeito do indicativo:
Ø Dantes, passava as férias em casa da minha avó.

v Um enunciado tem valor aspetual habitual quando descreve uma ação ou um estado de coisas que decorre num período de tempo ilimitado. O presente e o pretérito imperfeito do indicativo traduzem frequentemente este valor aspectual:
Ø Saio do trabalho sempre às 18 horas.
Ø Costumo ir àquele restaurante.

v O aspeto genérico encontra-se em enunciados que referem uma pluralidade de situações consideradas atemporais e verdadeiras em qualquer situação discursiva. Nestes enunciados, o verbo ocorre geralmente no presente do indicativo ou no infinitivo impessoal:
Ø  Os cavalos têm crina.
Ø  A Terra gira à volta do Sol.
Ø  Ser descontente é ser homem.

v  Diz-se que um enunciado tem um valor aspetual iterativo quando uma ação ou um estado de coisas se repete com frequência. O pretérito perfeito composto exprime, regra geral, o valor iterativo:
Ø  A Maria tem ido à praia.
Ø  A Maria vai à praia todos os fins de semana.



[1] Exemplos de verbos estativos (que exprimem estados): haver, existir, residir, morar, viver, ter, pertencer, saber, conhecer, ver, gostar, amar, ser, estar, ficar, etc.

[2] Exemplos de verbos que expressam eventos pontuais (ou não durativos): nascer, morrer, chegar, entrar, sair, encontrar, ruir, estatelar-se, chocar, comprar, desmaiar, espirrar, cair, etc.; nomes que, pelo seu significado intrínseco, exprimem valor aspectual pontual (ou não durativo): partida, chegada, nascimento, queda, desmaio, etc.

[3] Exemplos de verbos que, pelo seu significado intrínseco, exprimem valor aspetual durativo: conversar, jogar, correr, estudar, discursar; nomes que, pelo seu significado intrínseco, exprimem valor aspetual durativo: sesta, almoço, viagem, corrida, conversa. 

[4] Palavras que especificam ou quantificam um conjunto. Podem remeter para a totalidade dos elementos de um conjunto (quantificadores universais) ou expressar a quantidade de forma não precisa (quantificadores existenciais) ou de forma exata (quantificadores numerais). Exemplos:
(cont.) Todos, qualquer, nenhum, ambos, cada, tudo (universais); algum, muito, pouco, bastante, tanto, vários (existenciais); dois, mil (numerais cardinais); dois quintos, um décimo, doze avos (numerais fracionários); dobro, triplo (numerais multiplicativos).
Considera-se ainda a existência de quantificadores interrogativos (quanto, quantas) e quantificadores relativos (quanto – Fiz tudo quanto podia para o ajudar.)  


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